{"id":962,"date":"2025-07-29T16:34:14","date_gmt":"2025-07-29T19:34:14","guid":{"rendered":"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/?p=962"},"modified":"2025-07-29T16:34:14","modified_gmt":"2025-07-29T19:34:14","slug":"a-danca-das-rainhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/?p=962","title":{"rendered":"A Dan\u00e7a das Rainhas"},"content":{"rendered":"<p>Esse conto \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie Selmara: https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/?cat=289<\/p>\n<p>******************************************<\/p>\n<p>O sal\u00e3o de jogos do castelo estava mergulhado em sombras, iluminado apenas pelas brasas vivas da lareira e por duas velas esquecidas sobre a mesa. L\u00e1 fora, o vento assobiava contra os vitrais, mas ali dentro reinava um sil\u00eancio pesado, o tipo de sil\u00eancio que s\u00f3 um pr\u00edncipe ressentido podia cultivar.<\/p>\n<p>Leopold estava sozinho. Era jovem, mas trazia no rosto as sombras de quem nascera para carregar coroas e desconfian\u00e7as. Os cabelos castanhos escuros estavam presos para tr\u00e1s num la\u00e7o de cetim negro, e a barba curta mal escondia a firmeza do maxilar. Os ombros largos moldavam-se \u00e0 camisa branca meio aberta, revelando parte do peito definido. Mesmo nos momentos de \u00f3cio, como aquele, seu corpo parecia sempre em prontid\u00e3o \u2014 como um lobo prestes a saltar. As m\u00e3os, grandes e firmes, repousavam nos bra\u00e7os da poltrona como se segurassem as r\u00e9deas de um reino. E seus olhos, de um cinza met\u00e1lico inc\u00f4modo, n\u00e3o olhavam: examinavam.<\/p>\n<p>Recostado na poltrona de couro, o copo de vinho intocado ao lado, os olhos perdidos num tabuleiro de xadrez abandonado no meio da partida. As pe\u00e7as pareciam congeladas no instante exato em que seu mundo perdera o equil\u00edbrio, quando sua m\u00e3e, a Rainha Eleonore, ofereceu abrigo e honra \u00e0quela mulher. E sua irm\u00e3, a doce Liesel\u2026 agora sussurrava com ela como uma confidente.<\/p>\n<p>Como se invocada por pensamento, ou provocando-o de prop\u00f3sito, a porta do sal\u00e3o se abriu. Sem bater. Ela entrou.<\/p>\n<p>\u2014 Alteza \u2014 disse Selmara, com a voz baixa, como quem n\u00e3o deseja interromper, mas sabe que j\u00e1 o fez.<\/p>\n<p>Ela caminhava com a leveza de uma serpente e a altivez de uma cortes\u00e3 que conhece bem os corredores do poder. Os cabelos grisalhos impr\u00f3prios para sua juventude aparente estavam soltos, fluindo sobre o manto escuro que abra\u00e7ava suas curvas com desd\u00e9m \u00e0 mod\u00e9stia. N\u00e3o pedia licen\u00e7a. Nunca pedia.<\/p>\n<p>Leopold n\u00e3o se levantou. Nem sequer desviou o olhar do tabuleiro.<\/p>\n<p>\u2014 Veio me enfeiti\u00e7ar tamb\u00e9m? \u2014 perguntou ele, a voz carregada de gelo. \u2014 J\u00e1 n\u00e3o bastam minha m\u00e3e e minha irm\u00e3?<\/p>\n<p>Selmara parou a alguns passos dele, como quem avalia uma pe\u00e7a a ser movida.<\/p>\n<p>\u2014 Pensei que estivesse s\u00f3 \u2014 disse ela. \u2014 E triste.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o estou triste. Estou\u2026 s\u00f3brio. Algo raro por aqui, desde que come\u00e7ou a espalhar suas cartas e seus sorrisos pelo castelo.<\/p>\n<p>\u2014 Sorrisos n\u00e3o fazem mal a ningu\u00e9m, Alteza.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o. Mas bruxaria, sim. Charlatanismo, mais ainda.<\/p>\n<p>Ela arqueou uma sobrancelha. Os olhos dela pareciam escuros demais para a pouca luz da sala.<\/p>\n<p>\u2014 Ent\u00e3o \u00e9 isso que pensa de mim? Uma bruxa? Uma enganadora?<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00ea enfeiti\u00e7ou a rainha com promessas de vis\u00f5es. Enfeiti\u00e7ou minha irm\u00e3 com conversas doces e olhares amb\u00edguos. N\u00e3o \u00e9 magia, Selmara. \u00c9 manipula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 E voc\u00ea preferia o qu\u00ea?<\/p>\n<p>Leopold se levantou abruptamente. A cadeira rangendo no sil\u00eancio.<\/p>\n<p>\u2014 Eu preferia que o castelo n\u00e3o estivesse \u00e0 merc\u00ea de uma mulher que ningu\u00e9m sabe de onde veio, nem por que permanece jovem h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es, nem que poder exatamente possui. S\u00f3 sei que onde voc\u00ea pisa, cora\u00e7\u00f5es se confundem. Vontades se dobram.<\/p>\n<p>\u2014 Talvez n\u00e3o seja magia \u2014 respondeu Selmara, sem medo \u2014 mas sim algo que Vossa Alteza teme: o poder de entender o desejo dos outros.<\/p>\n<p>O pr\u00edncipe caminhou at\u00e9 a janela. O reflexo do fogo dan\u00e7ava em seus ombros. Ele cruzou os bra\u00e7os.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o venha com suas cartas e essas hist\u00f3rias de futuro, n\u00e3o me interessa esse tipo de manipula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o \u2014 respondeu ela, se aproximando da mesa. \u2014 N\u00e3o vim para ler sua vida, pr\u00edncipe. Vim para jogar.<\/p>\n<p>Ela pousou seu baralho na mesa.<\/p>\n<p>\u2014 Tarochi \u2014 explicou ela, com um sorriso enviesado. \u2014 Um jogo antigo. Um jogo de reis.<\/p>\n<p>Leopold virou-se lentamente.<\/p>\n<p>\u2014 Vamos jogar com o seu baralho de bruxa?<\/p>\n<p>\u2014 Para efeitos do jogo \u00e9 um baralho como outro qualquer. \u00c9 poss\u00edvel jogar Tarochi com ele, basta retirar os arcanos maiores.<\/p>\n<p>Selmara se sentou diante dele sem esperar convite, o baralho em m\u00e3os. Come\u00e7ou a separar as cartas com uma destreza hipn\u00f3tica. Os arcanos maiores foram deixados de lado, deslizando como sombras sobre a madeira escura da mesa. Restaram os quatro naipes: paus, ouros, espadas e copas. E suas cortes.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o costumo jogar com cartas que n\u00e3o posso controlar \u2014 disse Leopold, sentando-se com relut\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u2014 E eu costumo jogar com homens que preferem a guerra ao prazer \u2014 respondeu ela, empilhando os naipes.<\/p>\n<p>Ele lan\u00e7ou um olhar de desd\u00e9m, mas n\u00e3o a interrompeu.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 s\u00f3 um jogo, Alteza \u2014 continuou ela. \u2014 Talvez o senhor ganhe. Talvez n\u00e3o. Mas, se tiver sorte\u2026 talvez aprenda alguma coisa.<\/p>\n<p>\u2014 Como o qu\u00ea? \u2014 resmungou ele.<\/p>\n<p>Selmara embaralhou com movimentos suaves, como se as cartas fossem parte do seu pr\u00f3prio corpo.<\/p>\n<p>\u2014 A pensar em abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u2014 Abund\u00e2ncia?<\/p>\n<p>Ela parou e sorriu, como se saboreasse o som da palavra.<\/p>\n<p>\u2014 Sim. Vossa alteza se acostumou a pensar em escassez: em vigiar, limitar, defender. Mas o verdadeiro poder est\u00e1 em saber receber. Quem deseja com plenitude\u2026 domina com plenitude.<\/p>\n<p>Leopold bufou, mas havia algo em sua express\u00e3o que indicava curiosidade. Ou cansa\u00e7o. Ou os dois.<\/p>\n<p>\u2014 Se perder, n\u00e3o me venha dizer que foi porque o destino quis \u2014 disse ele, puxando as cartas para si. \u2014 Eu jogo com l\u00f3gica. Probabilidade. T\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u2014 E eu com desejo \u2014 respondeu ela, reclinando-se, como se aquela fosse sua melhor carta.<\/p>\n<p>Eles come\u00e7aram a jogar.<\/p>\n<p>A partida era silenciosa no in\u00edcio, marcada apenas pelo som das cartas batendo sobre a mesa. Mas logo os movimentos tornaram-se mais fluidos, mais ousados. Selmara parecia conduzir o jogo como quem conduz uma dan\u00e7a. Leopold, apesar da resist\u00eancia, come\u00e7ava a responder ao ritmo.<\/p>\n<p>Em um momento decisivo, Selmara revelou sua m\u00e3o.<\/p>\n<p>Selmara abriu levemente o leque de cartas diante de Leopold.<\/p>\n<p>Quatro figuras femininas olharam de volta, vestidas como rainhas de um antigo imp\u00e9rio que nunca existiu. Paus. Ouros. Espadas. Copas.<\/p>\n<p>A luz tremeluzente dos candelabros oscilava sobre a mesa, lan\u00e7ando sombras dan\u00e7antes entre as cartas. Leopold, de p\u00e9 ao lado, cruzava os bra\u00e7os com ceticismo for\u00e7ado \u2014 mas seus olhos n\u00e3o conseguiam evitar as cartas. Nem a mulher que as exibia.<\/p>\n<p>\u2014 Que sorte a sua \u2014 murmurou ele. \u2014 Quatro rainhas.<\/p>\n<p>\u2014 Sorte, n\u00e3o \u2014 corrigiu Selmara, baixando a voz como quem revela um segredo antigo. \u2014 Chamado.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o, ela sorriu. Aquele tipo de sorriso que transforma o destino.<\/p>\n<p>\u2014 Uma bela m\u00e3o \u2014 admitiu Leopold. \u2014 Mas n\u00e3o \u00e9 a mais forte.<\/p>\n<p>Selmara inclinou-se sobre a mesa. Os olhos dela estavam mais escuros agora, mais intensos. O ar pareceu pesar.<\/p>\n<p>\u2014 Talvez. Mas \u00e9 a mais rara. E a mais perigosa.<\/p>\n<p>\u2014 Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>Ela sorriu.<\/p>\n<p>\u2014 Porque quem possui as quatro rainhas\u2026 governa todos os \u00e2mbitos do mundo. Mat\u00e9ria, desejo, raz\u00e3o e amor. E quando essas for\u00e7as se unem\u2026<\/p>\n<p>Selmara concluiu com poder. Ergueu-se devagar, com os olhos fixos nas quatro cartas abertas sobre a mesa: Rainha de Espadas, Ouros, Copas e Paus. A luz da lareira parecia vacilar ao redor das figuras, como se algo nelas pulsasse.<\/p>\n<p>Ela levou as m\u00e3os sobre o baralho e sussurrou, como quem ativa um segredo guardado em s\u00e9culos de sil\u00eancio:<\/p>\n<p>\u2014 Reginae potentiae, audite vocem meam. Domina Rationis, exaudi me. Domina Divitiarum, appareas. Domina Voluptatis, descendas in carnem.<br \/>\nLeopold permaneceu sentado, mas seu corpo estava tenso. Os pelos dos bra\u00e7os se eri\u00e7aram com uma sensa\u00e7\u00e3o que ele n\u00e3o sabia nomear \u2014 como se o ar tivesse engrossado.<\/p>\n<p>Das sombras do sal\u00e3o, as quatro figuras femininas emergiram com passos firmes. A primeira, a rainha de espadas, vestia-se de verde profundo, detalhes dourados nos punhos e na gola. Os cabelos negros estavam presos num coque austero. O olhar, cortante. Seu corpo era esguio e elegante, a express\u00e3o, serena como uma l\u00e2mina polida. A segunda figura tamb\u00e9m de verde, mas em tom mais suave. Os cabelos soltos, pretos e brilhantes como \u00f4nix. Ela trazia ouro nas orelhas, no pesco\u00e7o, nos punhos. Seus passos faziam o ch\u00e3o parecer mais valioso. A Rainha de Ouros sorriu com indulg\u00eancia, como uma colecionadora diante de um novo tesouro. A terceira mulher, a Rainha de Copas, surgiu loira, radiante, vestida de vermelho profundo. O decote de seu vestido revelava os contornos generosos dos seios, e seus olhos, azul-claros, encontraram os de Leopold com fome disfar\u00e7ada de do\u00e7ura. Por fim, a Rainha de Paus, cabelos ruivos ondulando at\u00e9 a cintura, vestido escarlate como sangue novo. Seus olhos eram verdes como veneno, e sua pele parecia vibrar com calor pr\u00f3prio. E j\u00e1 vinham sorrindo \u2014 como se soubessem exatamente o que fariam com ele.<\/p>\n<p>As quatro Rainhas estavam vivas. E o observavam.<\/p>\n<p>\u2014 Que bruxaria \u00e9 essa? \u2014 disse Leopold \u2014 Como fez isso? Quem s\u00e3o essas mulheres?<\/p>\n<p>Selmara sorriu docemente, mordendo os l\u00e1bios.\u2014 Essas s\u00e3o as quatro rainhas. Espadas, Paus, Ouros, Copas. As quatro for\u00e7as da natureza\u2026 para saciar os desejos de vossa alteza.<\/p>\n<p>Leopold viu que as quatro cartas estavam acima das mesas, com os espa\u00e7os das rainhas vazios, era como se eles tivessem saltado do baralho para a realidade.<\/p>\n<p>\u2014 Isso \u00e9 ilus\u00e3o, um truque\u2026 ou \u00e9 demon\u00edaco! \u2014 Leopold estava perplexo, tentando entender.<\/p>\n<p>Selmara n\u00e3o respondeu, apenas acenou \u00e0s rainhas com os olhos. Foi a senha para que a Rainha de Espadas beijasse a Rainha de Ouros na boca com desejo, seguidas pelas Rainhas de Copas e de Paus.<\/p>\n<p>\u2014 Sua bruxa! \u2014 protestou Leopold \u2014 Isso \u00e9\u2026<\/p>\n<p>\u2014 Delicioso? \u2014 respondeu Selmara, rindo leve.<\/p>\n<p>Leopold olhava as rainhas se beijando tentando alguma explica\u00e7\u00e3o l\u00f3gica para aquilo, mas ao mesmo tempo estava sendo arrebatado pelo tes\u00e3o crescente.<\/p>\n<p>\u2014 Qualquer uma dessas rainhas seriam o desejo de qualquer homem na Terra. E estou oferecendo as quatro, ao mesmo tempo, para a vossa alteza. Isso \u00e9 abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Leopold amea\u00e7ou protestar, questionar, lutar contra seus sentimentos.<\/p>\n<p>Selmara caminhou at\u00e9 ele sem pressa, nua, como se o pr\u00f3prio corpo fosse parte do feiti\u00e7o. Parou diante dele, colou o dedo indicador em seus l\u00e1bios \u2014 quente, suave, mandando calar.<\/p>\n<p>\u2014 Ent\u00e3o \u00e9 esse o seu jogo? \u2014 sussurrou ele, com a voz tr\u00eamula. \u2014 Voc\u00ea usa bruxaria para seduzir\u2026<\/p>\n<p>\u2014 Sim, Alteza. \u2014 disse ela, agora colando os seios em seu peito, sem nenhuma hesita\u00e7\u00e3o. \u2014 E te ofere\u00e7o\u2026 em abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o a Rainha de Espadas quem come\u00e7ou.<\/p>\n<p>Ergueu as m\u00e3os lentamente at\u00e9 os pr\u00f3prios ombros, onde o tecido verde profundo cobria seu corpo esguio com severidade. Desatou os ganchos com precis\u00e3o cir\u00fargica, um a um, como quem desfaz uma armadura. A cada gesto, os olhos de Leopold acompanhavam. O vestido caiu at\u00e9 a cintura, revelando seios firmes, m\u00e9dios, perfeitamente proporcionados. Os mamilos escuros endureceram com o frio do sal\u00e3o.<\/p>\n<p>Ela se virou de lado, abaixando o restante da roupa com lentid\u00e3o. O contorno de seu quadril apareceu como uma l\u00e2mina curvil\u00ednea, os movimentos sem pressa, o olhar fixo no pr\u00edncipe, como se dissesse: <i>a nudez tamb\u00e9m \u00e9 estrat\u00e9gia<\/i>. Quando ficou completamente nua, aproximou-se da Rainha de Ouros e pousou uma m\u00e3o em sua cintura.<\/p>\n<p>Leopold respirava fundo. O corpo estava quente demais para a temperatura do ambiente. Mas sua mente ainda gritava perguntas que n\u00e3o tinham resposta.<\/p>\n<p>\u2014 Isso \u00e9 pervers\u00e3o\u2026 um truque\u2026 \u2014 sussurrou para Selmara que posou a cabe\u00e7a em seu ombro, como se o acolhesse.<\/p>\n<p>A Rainha de Ouros sorriu ao toque da outra. Em resposta, come\u00e7ou seu pr\u00f3prio ritual.<\/p>\n<p>Com as m\u00e3os decoradas por an\u00e9is dourados, afrouxou os la\u00e7os do vestido com delicadeza. O corpete caiu devagar, libertando seios generosos que pareciam ter sido moldados para o prazer. Suas m\u00e3os acariciaram os pr\u00f3prios flancos enquanto descia o tecido at\u00e9 os p\u00e9s, revelando uma pele dourada, acetinada, levemente \u00famida sob a luz da lareira.<\/p>\n<p>Ela girou sobre si mesma, exibindo seu corpo com a confian\u00e7a de quem sabia ser desejada por reis e deuses. E quando parou de frente para a de Espadas, inclinou-se e beijou-lhe os l\u00e1bios \u2014 n\u00e3o com afeto, mas com fome. As duas se tocaram com suavidade e respeito, como se cada parte do corpo alheio fosse sagrada.<\/p>\n<p>Leopold engoliu em seco.<\/p>\n<p>\u2014 Elas n\u00e3o s\u00e3o humanas\u2026 s\u00e3o? \u2014 perguntou.<\/p>\n<p>\u2014 O que acha Alteza? E n\u00e3o importa, elas s\u00e3o para o seu desejo.<\/p>\n<p>A terceira foi a Rainha de Copas.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o precisou desamarrar nada. Seu vestido escarlate parecia deslizar por conta pr\u00f3pria, como vinho escorrendo por uma ta\u00e7a. Ao deix\u00e1-lo cair, ficou nua por baixo \u2014 como se tivesse vindo pronta. Seu corpo era curvil\u00edneo, generoso, feito de promessas. Os seios fartos se erguiam orgulhosos, e seus quadris largos convidavam a m\u00e3os que ainda hesitavam.<\/p>\n<p>Ela caminhou at\u00e9 as duas outras e as abra\u00e7ou pelas costas, colando os corpos. Selou os ombros com beijos, enquanto as m\u00e3os deslizavam pelas coxas e n\u00e1degas alheias. Tr\u00eas Rainhas. Tr\u00eas tons de pele. Tr\u00eas perfumes diferentes, mas complementares.<\/p>\n<p>\u2014 Isso \u00e9\u2026 uma armadilha.<\/p>\n<p>\u2014 Sim Alteza\u2026 E n\u00e3o h\u00e1 como escapar.<\/p>\n<p>Selmara alcan\u00e7ou o pau de .Leopold por cima da cal\u00e7a, e come\u00e7ou a deslizar m\u00e3o suavemente pelo membro duro.<\/p>\n<p>A \u00faltima foi a Rainha de Paus.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o tirou o vestido. Ela o rasgou.<\/p>\n<p>A seda vermelha rasgou com um som lascivo, deixando ver seu corpo esculpido em desejo. Seios firmes, barriga lisa, coxas que pareciam feitas para prender. Os olhos verdes dela queimavam como brasas, e o sorriso era o de uma mulher que n\u00e3o apenas se oferece \u2014 mas domina.<\/p>\n<p>Ela se aproximou das outras tr\u00eas e, sem aviso, afundou o rosto entre os seios da de Ouros, lambendo-lhe o mamilo com um gemido rouco. A de Copas agarrou sua nuca e puxou os cabelos. A de Espadas, sempre s\u00f3bria, perdeu o controle por um segundo e mordeu o ombro da de Paus, que apenas riu.<\/p>\n<p>Leopold j\u00e1 n\u00e3o conseguia esconder sua excita\u00e7\u00e3o. Estava com o membro duro sob as cal\u00e7as, pulsando. Suas m\u00e3os tremiam. A mente, perdida.<\/p>\n<p>\u2014 Eu\u2026 n\u00e3o posso\u2026 \u2014 murmurou.<\/p>\n<p>Mas seu corpo queria. Queria todas.<\/p>\n<p>E, acima de todas, queria Selmara. Tudo o que via desafiava a moral e a l\u00f3gica, e tudo o que ele queria naquele momento era devorar seus l\u00e1bios, seu corpo, e as quatro rainhas.<\/p>\n<p>Ele olhou para Selmara e a beijou. Ele a segurou pela cintura com viol\u00eancia doce, colando o corpo dela ao seu. As coxas dela se encaixaram em seu quadril como se fossem feitas para aquilo.<\/p>\n<p>Selmara sorriu entre os beijos, e ent\u00e3o se ajoelhou diante dele.<\/p>\n<p>Com as m\u00e3os firmes, mas sensuais, desabotoou a cal\u00e7a do pr\u00edncipe, puxando-a lentamente para baixo. O membro de Leopold saltou para fora com intensidade, grande, rijo, latejante.<\/p>\n<p>Selmara olhou para ele com adora\u00e7\u00e3o debochada. Ela o segurou com ambas as m\u00e3os, pressionando a base e a glande, como se quisesse senti-lo inteiro, testar sua firmeza. Passou a l\u00edngua lentamente ao redor da cabe\u00e7a, s\u00f3 para provocar, depois ergueu-se novamente.<\/p>\n<p>Leopold gemeu baixo, e sentou-se na poltrona de couro, o membro exposto, ereto, pulsando.<\/p>\n<p>As quatro Rainhas se aproximaram em c\u00edrculo, nuas, silenciosas, os olhos fixos nele como sacerdotisas em transe.<\/p>\n<p>Foi a Rainha de Espadas quem come\u00e7ou.<\/p>\n<p>Ajoelhou-se diante do pr\u00edncipe com postura firme, imponente mesmo nua. Pegou seu pau com rever\u00eancia, olhou-o nos olhos como uma ju\u00edza e ent\u00e3o lambeu-lhe a glande com precis\u00e3o. Depois deslizou os l\u00e1bios por toda a extens\u00e3o, devagar, at\u00e9 que a ponta tocasse sua garganta. Envolveu-o com calor e suc\u00e7\u00e3o controlada, enquanto os dedos de Leopold deslizavam pelos cabelos presos dela.<\/p>\n<p>Selmara ajoelhou-se sobre ele, sentando-se de lado no colo do pr\u00edncipe, oferecendo-lhe os seios. Leopold os tomou com as m\u00e3os como se fossem o mundo inteiro, massageando-os, beijando-os, lambendo os mamilos com paix\u00e3o febril.<\/p>\n<p>A Rainha de Espadas parou com um estalo molhado, relutante, cedendo espa\u00e7o \u00e0 pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>A Rainha de Ouros veio com um sorriso suave, olhos semi-cerrados de lux\u00faria. Antes de tocar o membro, beijou a glande com devo\u00e7\u00e3o, e s\u00f3 ent\u00e3o o engoliu com lentid\u00e3o. A boca dela era quente como um cofre de veludo. Seus gemidos abafados vibravam no pau de Leopold, que se contorcia entre o prazer e a vontade de explodir. Ela chupava com movimentos longos, compassados, como quem saboreia um doce raro que deve durar para sempre.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a de Copas e a de Paus se beijavam ao lado, trocando car\u00edcias e gemidos como se o cheiro do desejo fosse embriagante demais. A de Copas acariciava o clit\u00f3ris da de Paus, que a mordia no pesco\u00e7o e sorria com olhos fechados.<\/p>\n<p>Quando a de Ouros finalmente se afastou, limpando os l\u00e1bios com a l\u00edngua, a de Copas tomou o lugar.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o falou nada. Apenas olhou para Leopold com olhos \u00famidos e lascivos, e ent\u00e3o o devorou com entrega total. Chupava r\u00e1pido, profundo, fazendo barulhos molhados e indecentes que ecoavam pelo sal\u00e3o como sinos profanos. Enquanto o fazia, Selmara mordiscava o l\u00f3bulo de Leopold, sussurrando em seu ouvido:<\/p>\n<p>\u2014 Gosta, Alteza? Elas s\u00e3o suas. Todas. Hoje. Aqui.<\/p>\n<p>A Rainha de Paus, por fim, ajoelhou-se. Lambeu suas bolas, mordiscando de leve. Depois subiu com a l\u00edngua at\u00e9 a base, e ent\u00e3o o engoliu inteiro numa s\u00f3 investida \u2014 com fome, com ferocidade, com prazer puro. Leopold gritou, a cabe\u00e7a tombando para tr\u00e1s, os dedos afundando nos cabelos dela.<\/p>\n<p>As quatro Rainhas agora se tocavam, se beijavam, se esfregavam umas nas outras enquanto se revezavam no membro do pr\u00edncipe. E Selmara estava ali, nua, divina, com os seios apertados nas m\u00e3os dele, gemendo baixinho a cada lambida, cada apertada, cada beijo em sua boca.<\/p>\n<p>Selmara deslizou os l\u00e1bios pelo pesco\u00e7o de Leopold, sentindo o pulso acelerado sob sua l\u00edngua. As quatro Rainhas, nuas e ofegantes, se enroscavam umas nas outras como serpentes em um altar pag\u00e3o, os corpos \u00famidos refletindo a luz alaranjada da lareira.<\/p>\n<p>O membro de Leopold estava coberto de saliva e desejo, latejante de antecipa\u00e7\u00e3o, e sua mente cambaleava entre o que via, o que sentia, e o que ainda se proibia de crer.<\/p>\n<p>\u2014 Elas est\u00e3o prontas \u2014 sussurrou Selmara, com a boca colada \u00e0 sua orelha. \u2014 Mas s\u00f3 uma pode ser a primeira. Escolha, Alteza.<\/p>\n<p>\u2014 Escolher? \u2014 murmurou ele, quase sem voz.<\/p>\n<p>\u2014 Sim. A primeira a te receber\u2026<\/p>\n<p>Ela se afastou um passo, deixando que ele visse.<\/p>\n<p>As quatro Rainhas ajoelharam-se em c\u00edrculo ao redor dele, os olhos fixos, os corpos entrela\u00e7ados. E uma a uma, Selmara as nomeava.<\/p>\n<p>\u2014 Rainha de Espadas.<\/p>\n<p>A morena esguia de olhos frios ergueu o queixo, firme como uma guerreira.<\/p>\n<p>\u2014 Rainha de Ouros.<\/p>\n<p>A mulher de pele dourada sorriu com l\u00e1bios carregados de promessas.<\/p>\n<p>\u2014 Rainha de Copas.<\/p>\n<p>A loira de olhos azuis acariciou os pr\u00f3prios seios, como se j\u00e1 o preparasse para seu ventre.<\/p>\n<p>\u2014 E Rainha de Paus.<\/p>\n<p>A ruiva riu baixinho, a m\u00e3o entre as pernas, j\u00e1 molhada de antecipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Leopold oscilou.<\/p>\n<p>Seus olhos saltavam de uma para a outra, o cora\u00e7\u00e3o disparado. N\u00e3o havia escolha f\u00e1cil ali \u2014 n\u00e3o entre deusas feitas de desejo e promessa. Sentia o suor escorrer em sua nuca, o sangue pulsando em sua virilha, os dedos cravando nos bra\u00e7os da poltrona.<\/p>\n<p>Selmara ajoelhou-se \u00e0 sua frente e segurou seu rosto com delicadeza.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o Leopold estendeu a m\u00e3o. Seus dedos buscaram a pele da Rainha de Paus.<\/p>\n<p>Ela sorriu \u2014 um sorriso de predadora satisfeita. Levantou-se com uma gra\u00e7a felina, os cabelos ruivos ondulando como chamas em volta dos ombros nus. Caminhou at\u00e9 ele com passos lentos, quadris desenhando promessas a cada balan\u00e7o. Parou entre suas pernas, as coxas firmes reluzindo sob a luz da lareira.<\/p>\n<p>Selmara recuou um passo, observando com um brilho nos olhos.<\/p>\n<p>Leopold estava sentado, o pau duro apontando para o alto, coberto de saliva, latejando com urg\u00eancia. A Rainha de Paus se inclinou, apoiando-se nos joelhos do pr\u00edncipe. Leopold n\u00e3o hesitou mais. Segurou-a pela cintura com as duas m\u00e3os, e num movimento firme, ergueu-a como se ela fosse feita de desejo e nada mais. A cabe\u00e7a do seu pau ro\u00e7ou a entrada quente da rainha, que gemeu baixo, os olhos fechando-se por um instante.<\/p>\n<p>Leopold a desceu com for\u00e7a contida, mas direta, fazendo-a engolir cada cent\u00edmetro de seu membro duro. A Rainha de Paus soltou um grito rouco e delicioso, o pesco\u00e7o arqueado, os seios apontando para o teto enquanto era preenchida at\u00e9 a base.<\/p>\n<p>Ela cavalgava devagar no in\u00edcio, girando os quadris, como quem saboreia o primeiro gole de um vinho proibido. Leopold agarrava suas n\u00e1degas com for\u00e7a, guiando o ritmo, observando o rosto dela se desfazer em prazer. O calor que os dois emanavam parecia fazer o ar ondular.<\/p>\n<p>As outras tr\u00eas rainhas n\u00e3o se afastaram. Sentaram-se ao redor da poltrona, acariciando-se, beijando-se, assistindo como sacerdotisas de um culto luxurioso.<\/p>\n<p>Selmara, em p\u00e9 atr\u00e1s do pr\u00edncipe, passou os dedos pelos ombros dele, depois pelo peito, at\u00e9 alcan\u00e7ar os mamilos, brincando com eles com toques leves e precisos. Seus l\u00e1bios estavam junto ao ouvido dele.<\/p>\n<p>\u2014 Ela \u00e9 fogo, meu pr\u00edncipe\u2026 mas ainda temos o ouro, o vinho e o a\u00e7o para te oferecer\u2026<\/p>\n<p>A Rainha de Paus acelerava agora, gemendo cada vez mais alto, os cabelos voando, os seios balan\u00e7ando com viol\u00eancia hipn\u00f3tica. O pau de Leopold entrava e sa\u00eda com estalos molhados, fazendo o sal\u00e3o inteiro ecoar com o som do sexo cru e inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>A Rainha de Espadas se ergueu, calmamente se posicionou de forma que sua buceta contra o rosto do pr\u00edncipe, para que ele degustasse sua buceta. Leopold ent\u00e3o se deliciava com uma em seu pau e com a outra em sua boca, sentindo o cheiro delicioso delas.<\/p>\n<p>Selmara se aproximou lentamente, quase mordiscando a orelha dele, deliciosamente debochou:<\/p>\n<p>\u2014 Se delicie alteza, com minha \u201ccharlatanice\u201d.<\/p>\n<p>A Rainha de Paus ainda se contorcia no colo de Leopold, os gemidos dela vibrando contra o peito do pr\u00edncipe como trov\u00f5es sensuais. Seu ritmo era fren\u00e9tico, impiedoso e ele a acompanhava com estocadas profundas, enquanto a l\u00edngua explorava a vulva da Rainha de Espadas sobre seu rosto, saboreando o gosto de ferro e n\u00e9ctar que ela oferecia com firmeza.<\/p>\n<p>Mas o ciclo precisava continuar. A abund\u00e2ncia exigia rota\u00e7\u00e3o. E a pr\u00f3xima era a Rainha de Ouros.<\/p>\n<p>Ela se aproximou com passos lentos e seguros, como quem cruza um pal\u00e1cio de marfim onde tudo lhe pertence. A pele dourada reluzia sob o calor da lareira, e os olhos, cravejados de ambi\u00e7\u00e3o, brilhavam ao ver o corpo do pr\u00edncipe coberto de saliva, suor e lux\u00faria.<\/p>\n<p>Com uma rever\u00eancia silenciosa, a Rainha de Paus levantou-se do colo de Leopold, ainda arfando, o ventre pulsando, os fluidos escorrendo por suas coxas. Ela se afastou como uma chama que recua para dar lugar a outra, e se deixou cair sobre a boca da Rainha de Copas, que a acolheu com uma lambida demorada entre suas pernas.<\/p>\n<p>A Rainha de Ouros ent\u00e3o se ajoelhou diante de Leopold, pegou-lhe o pau com as duas m\u00e3os \u2014 ainda quente, duro e coberto da umidade de Paus \u2014 e esfregou-o com rever\u00eancia entre os pr\u00f3prios seios. Os olhos nunca deixaram os dele. Ela o deslizou entre as mamas firmes e farta, massageando-o com movimentos circulares, como se lustrasse uma est\u00e1tua de ouro maci\u00e7o.<\/p>\n<p>Leopold gemeu, apertando com mais for\u00e7a os quadris da Rainha de Espadas sobre sua boca. Ela, por sua vez, perdeu por um momento o controle da respira\u00e7\u00e3o, arfando em cima de sua l\u00edngua. Foi nesse instante que Selmara se aproximou por tr\u00e1s da Rainha de Espadas e a beijou na nuca, como se aben\u00e7oasse sua entrega.<\/p>\n<p>As duas trocaram um olhar carregado de tens\u00e3o e prazer, e ent\u00e3o Selmara puxou o rosto da rainha para si, unindo seus l\u00e1bios com fome. Beijaram-se ali, sobre o rosto do pr\u00edncipe, enquanto ele devorava com a boca a vulva da Espadas e empurrava com os quadris o membro contra os seios da de Ouros.<\/p>\n<p>A Rainha de Ouros ent\u00e3o se ergueu.<\/p>\n<p>Sem pressa, posicionou-se sobre o pr\u00edncipe, guiando a glande do seu pau contra sua entrada. Ela era quente, apertada, e escorregadia de desejo. Desceu lentamente, sentando-se com controle absoluto, como se estivesse montando em um trono feito de carne.<\/p>\n<p>\u2014 Ahhh&#8230; \u2014 gemeu Leopold, arqueando o pesco\u00e7o para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>A Rainha de Espadas deslizou-se de sobre sua boca, com os l\u00e1bios vermelhos, o olhar desfocado pelo prazer. Ela se ajoelhou ao lado, e Selmara a seguiu, beijando-a novamente, agora mais lentamente, enquanto Leopold, por baixo, afundava dentro da Rainha de Ouros com estocadas cada vez mais intensas.<\/p>\n<p>O corpo dourado da rainha tremia a cada descida. Os seios balan\u00e7avam, as m\u00e3os em seus pr\u00f3prios quadris guiavam o ritmo. Ela cavalgava como quem possui o tempo, o ouro e o dom\u00ednio dos homens. O som molhado do sexo se misturava ao estalar da madeira na lareira, ao sussurrar das bocas que se encontravam, ao murm\u00fario de gemidos de todas as dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Enquanto Leopold metia fundo na Rainha de Ouros, a Rainha de Espadas se aproximou da Rainha de Copas, que estava deitada lambendo o clit\u00f3ris da de Paus com fervor. Espadas se abaixou e passou a lamber os seios da Copas \u2014 primeiro o esquerdo, depois o direito, com l\u00edngua precisa e pontuda, circulando o mamilo at\u00e9 faz\u00ea-la gemer com a boca entre as pernas da outra.<\/p>\n<p>O corpo de Leopold estremecia. Seus dedos seguravam a cintura da Rainha de Ouros com uma for\u00e7a crua, possessiva, e sua boca, agora livre, buscava os seios de Selmara, que os ofereceu com um gemido baixo, envolvendo a cabe\u00e7a dele entre os bra\u00e7os.<\/p>\n<p>\u2014 Isso mesmo, Alteza\u2026 \u2014 sussurrou Selmara, os olhos semicerrados. \u2014 Deguste cada uma de n\u00f3s. Voc\u00ea tem ouro entre as pernas, vinho no peito, e ferro na alma. Abuse da tua abund\u00e2ncia\u2026<\/p>\n<p>E ele abusava. Com estocadas firmes, fazia a Rainha de Ouros revirar os olhos, gemer seu nome, abrir o peito em arquejos cada vez mais descompassados. Ela cavalgava mais r\u00e1pido, cada vez mais funda, at\u00e9 que o barulho de suas carnes se chocando ecoava pelo sal\u00e3o como m\u00fasica pag\u00e3.<\/p>\n<p>A Rainha de Ouros se levantou, arfando, os m\u00fasculos das coxas tremendo, a mistura de suor e desejo escorrendo por sua pele dourada, fez uma rever\u00eancia silenciosa e se afastou. Leopold estava ofegante, os olhos fixos nela, como se ainda sentisse seu corpo apertado ao redor de seu membro.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que a Rainha de Copas se aproximou.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o caminhava \u2014 flutuava. O corpo nu, curvil\u00edneo, era pura ternura carnal, uma promessa de prazer envolto em calor e acolhimento. Os cabelos loiros espalhavam-se em ondas sobre os ombros e suas bochechas ruborizadas revelavam a excita\u00e7\u00e3o acumulada. Ao chegar \u00e0 frente do pr\u00edncipe, ela se ajoelhou, passou a m\u00e3o lentamente sobre seu peito.<\/p>\n<p>Leopold estendeu a m\u00e3o, tocando-lhe o rosto, e assentiu com um olhar. Ela sorriu, beijou seus dedos com do\u00e7ura e ent\u00e3o subiu em seu colo, guiando o pau latejante at\u00e9 sua entrada quente e acolhedora. Quando se sentou, soltou um gemido longo, embriagado, e os dois estremeceram juntos.<\/p>\n<p>A Rainha de Copas n\u00e3o cavalgava como uma guerreira nem como uma soberana. Ela rebolava com suavidade, com paix\u00e3o derretida, como se cada movimento fosse uma carta de amor escrita em carne. Leopold enterrou o rosto entre seus seios macios, lambendo, chupando, ofegando.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a Rainha de Espadas reapareceu, nua, s\u00f3bria, mas com os olhos acesos de desejo. Ela se posicionou atr\u00e1s do trono, de p\u00e9, e come\u00e7ou a acariciar o peito do pr\u00edncipe, deslizando os dedos frios sobre seus mamilos, beliscando-os de leve com precis\u00e3o militar. Leopold arfou com o contraste entre o calor da Copas e o gelo calculado da Espadas.<\/p>\n<p>Selmara, por sua vez, sentou-se sobre um dos bra\u00e7os da poltrona, observando a cena com um sorriso triunfante. Seus dedos brincavam com o cabelo do pr\u00edncipe, e ela murmurava feiti\u00e7os er\u00f3ticos que pareciam penetrar a mente dele:<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00ea sente? A do\u00e7ura do vinho\u2026 o a\u00e7o dos dedos\u2026 o ouro j\u00e1 passou\u2026 e o fogo\u2026 est\u00e1 voltando.<\/p>\n<p>A Rainha de Paus, que havia se lambuzado no sexo com as outras duas, aproximou-se novamente. Seus olhos verdes estavam ainda mais brilhantes. Ela ajoelhou-se entre as pernas de Leopold e come\u00e7ou a lamber a parte da base do pau dele que a de Copas deixava escapar, como se quisesse saborear a fus\u00e3o de todas as rainhas.<\/p>\n<p>A de Copas agora gemia em coro com o pr\u00edncipe. Seus quadris se moviam em c\u00edrculos lentos, depois em estocadas ritmadas, e depois em tremores que n\u00e3o pareciam humanos. As unhas cravaram nos ombros de Leopold, os seios pressionavam contra seu rosto, e sua boceta escorria tanto que os test\u00edculos dele se banhavam no n\u00e9ctar.<\/p>\n<p>A Rainha de Espadas inclinou-se por cima do ombro dele e lambeu-lhe o pesco\u00e7o, depois a orelha. E quando Selmara se juntou a ela, os dois rostos se encontraram, selando os l\u00e1bios do pr\u00edncipe com um beijo duplo \u2014 ele no meio de duas bocas, duas l\u00ednguas, duas vontades poderosas que duelavam por sua alma enquanto o corpo era domado pela Rainha de Copas.<\/p>\n<p>O prazer subia como lava.<\/p>\n<p>O corpo de Leopold arqueou. Ele j\u00e1 n\u00e3o sabia mais se gemia, se chorava, ou se delirava. Sentia-se sugado, cavalgado, estimulado, beijado, lambido, venerado e possu\u00eddo por todas as dire\u00e7\u00f5es. Era um trono de carne e um altar de lux\u00faria ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Selmara ent\u00e3o levou os l\u00e1bios ao ouvido dele mais uma vez:<\/p>\n<p>\u2014 Ainda falta uma, Alteza. Uma \u00faltima b\u00ean\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea quer?<\/p>\n<p>Leopold balan\u00e7ou a cabe\u00e7a, o cora\u00e7\u00e3o disparado, um calafrio subindo pela espinha ao perceber o peso do poder de Selmara. A Rainha de Copas o beijou nos l\u00e1bios, um beijo doce como vinho, e ent\u00e3o, ofegante, levantou-se com relut\u00e2ncia. O pau de Leopold escorregou para fora, coberto da umidade dela. A Rainha de Paus, ainda lambendo a base com um brilho faminto nos olhos verdes, recuou com um sorriso ardente, cedendo espa\u00e7o como uma chama que se curva \u00e0 outra.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o a vez da \u00faltima. A Rainha de Espadas j\u00e1 estava de p\u00e9, nua, reluzente, pronta.<\/p>\n<p>A Rainha de Espadas avan\u00e7ou. Seus p\u00e9s nus tocavam o ch\u00e3o com a precis\u00e3o de uma l\u00e2mina deslizando sobre pedra. Cada passo era calculado, mas pulsava com um desejo contido, como uma tempestade prestes a romper. Os cabelos negros, presos num coque austero, brilhavam sob a luz da lareira, e os seios firmes em sua pele morena tremiam levemente, desafiando sua pr\u00f3pria disciplina. Entre as pernas, o sexo brilhava, pronto para reivindic\u00e1-lo com a clareza de uma senten\u00e7a final.<\/p>\n<p>Ela subiu no colo do pr\u00edncipe sem pedir \u2014 como quem toma o que \u00e9 seu por direito. Leopold arfou quando sentiu o calor controlado dela ro\u00e7ar a ponta do seu pau. Ela se esfregou, molhada, com um sorriso frio, prolongando o tormento com precis\u00e3o militar. Ent\u00e3o, com um impulso firme e decidido, sentou-se de uma vez, engolindo-o inteiro at\u00e9 a raiz.<\/p>\n<p>\u2014 Ah\u2026! \u2014 ela gemeu, os olhos semicerrados, mas ainda afiados como a\u00e7o. \u2014 Finalmente\u2026<\/p>\n<p>Leopold gritou. O interior dela era quente, mas met\u00f3dico, como uma forja que molda o desejo com exatid\u00e3o. As coxas dela o prensavam com for\u00e7a contida. Os quadris desciam e subiam com um ritmo preciso, cada movimento uma estocada que cortava sua resist\u00eancia. As m\u00e3os dela arranharam o peito dele com unhas que pareciam tra\u00e7ar mapas de guerra, puxaram seu cabelo, cravaram-se em seus ombros com for\u00e7a calculada.<\/p>\n<p>\u2014 Porra\u2026 \u2014 ele sussurrou, enterrando o rosto entre os seios dela, lambendo, mordendo, tentando se agarrar a alguma sanidade.<\/p>\n<p>Ao redor deles, as outras tr\u00eas Rainhas se entrela\u00e7avam em beijos, car\u00edcias e gemidos. A Rainha de Copas chupava os mamilos da de Ouros, que, deitada de costas, gemia sob os beijos fervorosos da de Paus. Era um altar de prazer coletivo, uma oferenda viva ao instinto.<\/p>\n<p>Selmara, nua, sentada no bra\u00e7o da poltrona, observava tudo com um brilho escuro nos olhos. Ela acariciava o pr\u00f3prio clit\u00f3ris com dois dedos, como quem rege a sinfonia final da noite. Os cabelos grisalhos colavam-se \u00e0 pele \u00famida de suor e lux\u00faria. Era sacerdotisa e deusa ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>A Rainha de Espadas acelerava, mantendo o controle mesmo na urg\u00eancia. Suas m\u00e3os estavam nas costas de Leopold, as unhas marcando sua carne com precis\u00e3o. Ela subia e descia com ritmo, como uma guerreira que domina o campo de batalha com cada golpe.<\/p>\n<p>\u2014 Isso\u2026 me enche\u2026 me toma\u2026 \u2014 ela gemia, a voz firme, mas tr\u00eamula de prazer, e Leopold, j\u00e1 no limite, segurava sua cintura com for\u00e7a, tentando resistir ao abismo que se abria diante dele.<\/p>\n<p>\u2014 Eu n\u00e3o vou aguentar\u2026 \u2014 ele arfou, os olhos vidrados nos dela, que brilhavam com a clareza de uma l\u00e2mina.<\/p>\n<p>Selmara se inclinou e sussurrou em seu ouvido:<\/p>\n<p>\u2014 Venha comigo, Alteza. Minha charlatanice \u00e9 o v\u00e9u do seu desejo. Exploda comigo!<\/p>\n<p>A Rainha de Espadas gentilmente se levantou, deixando que Selmara tomasse seu lugar. A buceta dela abra\u00e7ou o pau de Leopold com uma suavidade que escondia seu poder, e ele tremia. A essa altura, o pr\u00edncipe via a verdade: Selmara n\u00e3o era apenas uma manipuladora, mas uma for\u00e7a que dobrava a realidade. O medo que ela lhe inspirava \u2014 o peso de sua magia ineg\u00e1vel \u2014 s\u00f3 aumentava o desejo que o consumia.<\/p>\n<p>Selmara n\u00e3o tirava os olhos dele. Seu olhar o desafiava, o devorava. Leopold olhou ao redor. A Rainha de Copas tinha a buceta devorada pela Rainha de Paus, enquanto a Rainha de Ouros lambia os seios da de Espadas, que gemia com um abandono raro para sua natureza.<\/p>\n<p>\u2014 Eu vou gozar, bruxa! \u2014 disse Leopold.<\/p>\n<p>Selmara, com um gesto suave, deslizou a buceta para fora do pau, tomou o \u00faltimo gole da ta\u00e7a de vinho e passou a chupar Leopold, seus l\u00e1bios envolvendo-o com uma fome sagrada. Quando ele explodiu, um grito rouco escapou de sua garganta, e Selmara acolheu cada pulsar de sua ess\u00eancia com rever\u00eancia. Ela se ergueu, os l\u00e1bios brilhando, e ergueu a ta\u00e7a de vinho, agora um c\u00e1lice ritual\u00edstico, deixando que cada gota de sua conquista escorresse para dentro.<\/p>\n<p>Com um sorriso de deusa, Selmara passou o c\u00e1lice \u00e0s Rainhas. A Rainha de Espadas tocou-o com dedos precisos, como se selasse um juramento. A Rainha de Ouros beijou a borda, seus olhos brilhando com posse. A Rainha de Copas lambeu o c\u00e1lice com do\u00e7ura, enquanto a de Paus, com um riso feroz, cravou as unhas na base do objeto, como se o marcasse. Quando o c\u00e1lice retornou a Selmara, ela o levou aos l\u00e1bios e engoliu o resto, seus olhos fixos em Leopold, que arfava, rendido, no trono de carne.<\/p>\n<p>\u2014 Isso, Alteza \u2014 sussurrou ela, lambendo os l\u00e1bios. \u2014 A abund\u00e2ncia \u00e9 nossa.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o a vez da \u00faltima. A Rainha de Espadas j\u00e1 estava de p\u00e9, nua, reluzente, pronta.<\/p>\n<p>A Rainha de Espadas avan\u00e7ou. Seus p\u00e9s nus tocavam o ch\u00e3o com a precis\u00e3o de uma l\u00e2mina deslizando sobre pedra. Cada passo era calculado, mas pulsava com um desejo contido, como uma tempestade prestes a romper. Os cabelos negros, presos num coque austero, brilhavam sob a luz da lareira, e os seios firmes em sua pele morena tremiam levemente, desafiando sua pr\u00f3pria disciplina. Entre as pernas, o sexo brilhava, pronto para reivindic\u00e1-lo com a clareza de uma senten\u00e7a final.<\/p>\n<p>Ela subiu no colo do pr\u00edncipe sem pedir \u2014 como quem toma o que \u00e9 seu por direito. Leopold arfou quando sentiu o calor controlado dela ro\u00e7ar a ponta do seu pau. Ela se esfregou, molhada, com um sorriso frio, prolongando o tormento com precis\u00e3o militar. Ent\u00e3o, com um impulso firme e decidido, sentou-se de uma vez, engolindo-o inteiro at\u00e9 a raiz.<\/p>\n<p>\u2014 Ah\u2026! \u2014 ela gemeu, os olhos semicerrados, mas ainda afiados como a\u00e7o. \u2014 Finalmente\u2026<\/p>\n<p>Leopold gritou. O interior dela era quente, mas met\u00f3dico, como uma forja que molda o desejo com exatid\u00e3o. As coxas dela o prensavam com for\u00e7a contida. Os quadris desciam e subiam com um ritmo preciso, cada movimento uma estocada que cortava sua resist\u00eancia. As m\u00e3os dela arranharam o peito dele com unhas que pareciam tra\u00e7ar mapas de guerra, puxaram seu cabelo, cravaram-se em seus ombros com for\u00e7a calculada.<\/p>\n<p>\u2014 Porra\u2026 \u2014 ele sussurrou, enterrando o rosto entre os seios dela, lambendo, mordendo, tentando se agarrar a alguma sanidade.<\/p>\n<p>Ao redor deles, as outras tr\u00eas Rainhas se entrela\u00e7avam em beijos, car\u00edcias e gemidos. A Rainha de Copas chupava os mamilos da de Ouros, que, deitada de costas, gemia sob os beijos fervorosos da de Paus. Era um altar de prazer coletivo, uma oferenda viva ao instinto.<\/p>\n<p>Selmara, nua, sentada no bra\u00e7o da poltrona, observava tudo com um brilho escuro nos olhos. Ela acariciava o pr\u00f3prio clit\u00f3ris com dois dedos, como quem rege a sinfonia final da noite. Os cabelos grisalhos colavam-se \u00e0 pele \u00famida de suor e lux\u00faria. Era sacerdotisa e deusa ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>A Rainha de Espadas acelerava, mantendo o controle mesmo na urg\u00eancia. Suas m\u00e3os estavam nas costas de Leopold, as unhas marcando sua carne com precis\u00e3o. Ela subia e descia com ritmo, como uma guerreira que domina o campo de batalha com cada golpe.<\/p>\n<p>\u2014 Isso\u2026 me enche\u2026 me toma\u2026 \u2014 ela gemia, a voz firme, mas tr\u00eamula de prazer, e Leopold, j\u00e1 no limite, segurava sua cintura com for\u00e7a, tentando resistir ao abismo que se abria diante dele.<\/p>\n<p>\u2014 Eu n\u00e3o vou aguentar\u2026 \u2014 ele arfou, os olhos vidrados nos dela, que brilhavam com a clareza de uma l\u00e2mina.<\/p>\n<p>Selmara se inclinou e sussurrou em seu ouvido:<\/p>\n<p>\u2014 Venha comigo, Alteza. Minha charlatanice \u00e9 o v\u00e9u do seu desejo. Exploda comigo!<\/p>\n<p>A Rainha de Espadas gentilmente se levantou, deixando que Selmara tomasse seu lugar. A buceta dela abra\u00e7ou o pau de Leopold com uma suavidade que escondia seu poder, e ele tremia. A essa altura, o pr\u00edncipe via a verdade: Selmara n\u00e3o era apenas uma manipuladora, mas uma for\u00e7a que dobrava a realidade. O medo que ela lhe inspirava \u2014 o peso de sua magia ineg\u00e1vel \u2014 s\u00f3 aumentava o desejo que o consumia.<\/p>\n<p>Selmara n\u00e3o tirava os olhos dele. Seu olhar o desafiava, o devorava. Leopold olhou ao redor. A Rainha de Copas tinha a buceta devorada pela Rainha de Paus, enquanto a Rainha de Ouros lambia os seios da de Espadas, que gemia com um abandono raro para sua natureza.<\/p>\n<p>\u2014 Eu vou gozar, bruxa! \u2014 disse Leopold.<\/p>\n<p>Selmara, com um gesto suave, deslizou a buceta para fora do pau, tomou o \u00faltimo gole da ta\u00e7a de vinho e passou a chupar Leopold, seus l\u00e1bios envolvendo-o com uma fome sagrada. Quando ele explodiu, um grito rouco escapou de sua garganta, e Selmara acolheu cada pulsar de sua ess\u00eancia com rever\u00eancia. Ela se ergueu, os l\u00e1bios brilhando, e ergueu a ta\u00e7a de vinho, agora um c\u00e1lice ritual\u00edstico, deixando que cada gota de sua conquista escorresse para dentro.<\/p>\n<p>Com um sorriso de deusa, Selmara passou o c\u00e1lice \u00e0s Rainhas. A Rainha de Espadas tocou-o com dedos precisos, como se selasse um juramento. A Rainha de Ouros beijou a borda, seus olhos brilhando com posse. A Rainha de Copas lambeu o c\u00e1lice com do\u00e7ura, enquanto a de Paus, com um riso feroz, cravou as unhas na base do objeto, como se o marcasse. Quando o c\u00e1lice retornou a Selmara, ela o levou aos l\u00e1bios e engoliu o resto, seus olhos fixos em Leopold, que arfava, rendido, no trono de carne.<\/p>\n<p>\u2014 Isso, Alteza \u2014 sussurrou ela, lambendo os l\u00e1bios. \u2014 A abund\u00e2ncia \u00e9 nossa.<\/p>\n<p>O sil\u00eancio ap\u00f3s o orgasmo foi quebrado apenas pelo crepitar da lareira. As quatro Rainhas se ergueram lentamente, seus corpos ainda brilhando de suor e s\u00eamen. Aproximaram-se de Selmara, uma a uma, beijando-lhe os l\u00e1bios como sacerdotisas despedindo-se da deusa que as havia invocado.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o seus contornos come\u00e7aram a vacilar. As coxas se tornaram v\u00e9us de fuma\u00e7a, os seios se dissolveram em linhas t\u00eanues de tinta, e os olhos \u2014 t\u00e3o cheios de desejo segundos antes \u2014 se estreitaram em s\u00edmbolos dourados. Num suspiro, n\u00e3o restavam mulheres, apenas cartas de tar\u00f4, espalhadas sobre a mesa como se jamais tivessem sa\u00eddo dali.<\/p>\n<p>Selmara recolheu-as com calma, deslizando os dedos sobre cada l\u00e2mina, e baralhou devagar, como quem embala amantes de volta ao sono.<\/p>\n<p>Leopold estava im\u00f3vel na poltrona, o pau ainda latejando, o peito arfando, os olhos perdidos entre a incredulidade e o terror.<\/p>\n<p>Selmara lambeu a \u00faltima gota em seus l\u00e1bios, sorriu, e disse baixo, quase num sussurro que parecia atravessar a carne dele:<\/p>\n<p>\u2014 As cartas nunca mentem, Alteza.<\/p>\n<p>O estalo seco ao fechar o baralho ecoou pelo sal\u00e3o, como o fim de um juramento.<\/p>\n<p>O sal\u00e3o estava de novo em sil\u00eancio. Apenas o baralho repousava na m\u00e3o de Selmara, como se nada tivesse acontecido. Mas o cheiro de vinho, suor e s\u00eamen pairava no ar como incenso de um templo profano.<\/p>\n<p>Leopold mal conseguia respirar. As marcas das unhas das Rainhas queimavam em sua pele, o gosto delas ainda pulsava em sua boca. Tudo nele dizia que havia sido possu\u00eddo, moldado, marcado.<\/p>\n<p>Selmara levantou-se, nua, os cabelos colados de suor, e pousou o baralho sobre o peito dele. As cartas ardiam como se fossem brasa.<\/p>\n<p>\u2014 Agora voc\u00ea sabe \u2014 sussurrou, os olhos brilhando como l\u00e2minas \u00famidas. \u2014 As Rainhas s\u00e3o minhas. Mas esta noite, Alteza\u2026 elas foram suas.<\/p>\n<p>Ela se inclinou e o beijou na boca, lento, profundo, como quem sela um pacto. Quando se afastou, Leopold n\u00e3o sabia mais se era pr\u00edncipe ou apenas s\u00fadito daquela mulher.<\/p>\n<p>A lareira estalou, e o vento uivou l\u00e1 fora. O jogo tinha terminado.<\/p>\n<p>Mas o desejo que Selmara deixara em seu corpo n\u00e3o terminaria nunca.<\/p>\n<p data-wp-editing=\"1\"><a href=\"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/imagem_2025-07-29_155751119.png\"><br \/>\n<\/a><a href=\"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/imagem_2025-07-29_163152606.png\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-980 lazyload\" data-src=\"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/imagem_2025-07-29_163152606-205x300.png\" alt=\"\" width=\"205\" height=\"300\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 205px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 205\/300;\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/imagem_2025-07-29_155751119.png\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-964 lazyload\" data-src=\"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/imagem_2025-07-29_155751119-300x300.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 300px; 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L\u00e1 fora, o vento assobiava contra os vitrais, mas ali dentro reinava um sil\u00eancio pesado, o tipo de sil\u00eancio que s\u00f3 um pr\u00edncipe ressentido podia cultivar. Leopold estava sozinho. Era jovem, mas trazia no rosto as sombras de quem nascera para carregar coroas e desconfian\u00e7as. Os cabelos castanhos escuros estavam presos para tr\u00e1s num la\u00e7o de cetim negro, e a barba curta mal escondia a firmeza do maxilar. Os ombros largos moldavam-se \u00e0 camisa branca meio aberta, revelando parte do peito definido. Mesmo nos momentos de \u00f3cio, como aquele, seu corpo parecia sempre em prontid\u00e3o \u2014 como um lobo prestes a saltar. As m\u00e3os, grandes e firmes, repousavam nos bra\u00e7os da poltrona como se segurassem as r\u00e9deas de um reino. E seus olhos, de um cinza met\u00e1lico inc\u00f4modo, n\u00e3o olhavam: examinavam. Recostado na poltrona de couro, o copo de vinho intocado ao lado, os olhos perdidos num tabuleiro de xadrez abandonado no meio da partida. As pe\u00e7as pareciam congeladas no instante exato em que seu mundo perdera o equil\u00edbrio, quando sua m\u00e3e, a Rainha Eleonore, ofereceu abrigo e honra \u00e0quela mulher. E sua irm\u00e3, a doce Liesel\u2026 agora sussurrava com ela como uma confidente. Como se invocada por pensamento, ou provocando-o de prop\u00f3sito, a porta do sal\u00e3o se abriu. Sem bater. Ela entrou. \u2014 Alteza \u2014 disse Selmara, com a voz baixa, como quem n\u00e3o deseja interromper, mas sabe que j\u00e1 o fez. Ela caminhava com a leveza de uma serpente e a altivez de uma cortes\u00e3 que conhece bem os corredores do poder. Os cabelos grisalhos impr\u00f3prios para sua juventude aparente estavam soltos, fluindo sobre o manto escuro que abra\u00e7ava suas curvas com desd\u00e9m \u00e0 mod\u00e9stia. N\u00e3o pedia licen\u00e7a. Nunca pedia. Leopold n\u00e3o se levantou. Nem sequer desviou o olhar do tabuleiro. \u2014 Veio me enfeiti\u00e7ar tamb\u00e9m? \u2014 perguntou ele, a voz carregada de gelo. \u2014 J\u00e1 n\u00e3o bastam minha m\u00e3e e minha irm\u00e3? Selmara parou a alguns passos dele, como quem avalia uma pe\u00e7a a ser movida. \u2014 Pensei que estivesse s\u00f3 \u2014 disse ela. \u2014 E triste. \u2014 N\u00e3o estou triste. Estou\u2026 s\u00f3brio. Algo raro por aqui, desde que come\u00e7ou a espalhar suas cartas e seus sorrisos pelo castelo. \u2014 Sorrisos n\u00e3o fazem mal a ningu\u00e9m, Alteza. \u2014 N\u00e3o. Mas bruxaria, sim. Charlatanismo, mais ainda. Ela arqueou uma sobrancelha. Os olhos dela pareciam escuros demais para a pouca luz da sala. \u2014 Ent\u00e3o \u00e9 isso que pensa de mim? Uma bruxa? Uma enganadora? \u2014 Voc\u00ea enfeiti\u00e7ou a rainha com promessas de vis\u00f5es. Enfeiti\u00e7ou minha irm\u00e3 com conversas doces e olhares amb\u00edguos. N\u00e3o \u00e9 magia, Selmara. \u00c9 manipula\u00e7\u00e3o. \u2014 E voc\u00ea preferia o qu\u00ea? Leopold se levantou abruptamente. A cadeira rangendo no sil\u00eancio. \u2014 Eu preferia que o castelo n\u00e3o estivesse \u00e0 merc\u00ea de uma mulher que ningu\u00e9m sabe de onde veio, nem por que permanece jovem h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es, nem que poder exatamente possui. S\u00f3 sei que onde voc\u00ea pisa, cora\u00e7\u00f5es se confundem. Vontades se dobram. \u2014 Talvez n\u00e3o seja magia \u2014 respondeu Selmara, sem medo \u2014 mas sim algo que Vossa Alteza teme: o poder de entender o desejo dos outros. O pr\u00edncipe caminhou at\u00e9 a janela. O reflexo do fogo dan\u00e7ava em seus ombros. Ele cruzou os bra\u00e7os. \u2014 N\u00e3o venha com suas cartas e essas hist\u00f3rias de futuro, n\u00e3o me interessa esse tipo de manipula\u00e7\u00e3o. \u2014 N\u00e3o \u2014 respondeu ela, se aproximando da mesa. \u2014 N\u00e3o vim para ler sua vida, pr\u00edncipe. Vim para jogar. Ela pousou seu baralho na mesa. \u2014 Tarochi \u2014 explicou ela, com um sorriso enviesado. \u2014 Um jogo antigo. Um jogo de reis. Leopold virou-se lentamente. \u2014 Vamos jogar com o seu baralho de bruxa? \u2014 Para efeitos do jogo \u00e9 um baralho como outro qualquer. \u00c9 poss\u00edvel jogar Tarochi com ele, basta retirar os arcanos maiores. Selmara se sentou diante dele sem esperar convite, o baralho em m\u00e3os. Come\u00e7ou a separar as cartas com uma destreza hipn\u00f3tica. Os arcanos maiores foram deixados de lado, deslizando como sombras sobre a madeira escura da mesa. Restaram os quatro naipes: paus, ouros, espadas e copas. E suas cortes. \u2014 N\u00e3o costumo jogar com cartas que n\u00e3o posso controlar \u2014 disse Leopold, sentando-se com relut\u00e2ncia. \u2014 E eu costumo jogar com homens que preferem a guerra ao prazer \u2014 respondeu ela, empilhando os naipes. Ele lan\u00e7ou um olhar de desd\u00e9m, mas n\u00e3o a interrompeu. \u2014 \u00c9 s\u00f3 um jogo, Alteza \u2014 continuou ela. \u2014 Talvez o senhor ganhe. Talvez n\u00e3o. Mas, se tiver sorte\u2026 talvez aprenda alguma coisa. \u2014 Como o qu\u00ea? \u2014 resmungou ele. Selmara embaralhou com movimentos suaves, como se as cartas fossem parte do seu pr\u00f3prio corpo. \u2014 A pensar em abund\u00e2ncia. \u2014 Abund\u00e2ncia? Ela parou e sorriu, como se saboreasse o som da palavra. \u2014 Sim. Vossa alteza se acostumou a pensar em escassez: em vigiar, limitar, defender. Mas o verdadeiro poder est\u00e1 em saber receber. Quem deseja com plenitude\u2026 domina com plenitude. Leopold bufou, mas havia algo em sua express\u00e3o que indicava curiosidade. Ou cansa\u00e7o. Ou os dois. \u2014 Se perder, n\u00e3o me venha dizer que foi porque o destino quis \u2014 disse ele, puxando as cartas para si. \u2014 Eu jogo com l\u00f3gica. Probabilidade. T\u00e1tica. \u2014 E eu com desejo \u2014 respondeu ela, reclinando-se, como se aquela fosse sua melhor carta. Eles come\u00e7aram a jogar. A partida era silenciosa no in\u00edcio, marcada apenas pelo som das cartas batendo sobre a mesa. Mas logo os movimentos tornaram-se mais fluidos, mais ousados. Selmara parecia conduzir o jogo como quem conduz uma dan\u00e7a. Leopold, apesar da resist\u00eancia, come\u00e7ava a responder ao ritmo. Em um momento decisivo, Selmara revelou sua m\u00e3o. Selmara abriu levemente o leque de cartas diante de Leopold. Quatro figuras femininas olharam de volta, vestidas como rainhas de um antigo imp\u00e9rio que nunca existiu. Paus. Ouros. Espadas. Copas. A luz tremeluzente dos candelabros oscilava sobre a mesa, lan\u00e7ando sombras dan\u00e7antes entre as cartas. Leopold, de p\u00e9 ao lado, cruzava os bra\u00e7os com ceticismo for\u00e7ado \u2014 mas seus olhos n\u00e3o conseguiam evitar as cartas. Nem a mulher que as exibia. \u2014 Que sorte a sua \u2014 murmurou ele. \u2014 Quatro rainhas. \u2014 Sorte, n\u00e3o \u2014 corrigiu Selmara, baixando a voz como quem revela um segredo antigo. \u2014 Chamado. E ent\u00e3o, ela sorriu. Aquele tipo de sorriso que transforma o destino. \u2014 Uma bela m\u00e3o \u2014 admitiu Leopold. \u2014 Mas n\u00e3o \u00e9 a mais forte. Selmara inclinou-se sobre a mesa. Os olhos dela estavam mais escuros agora, mais intensos. O ar pareceu pesar. \u2014 Talvez. Mas \u00e9 a mais rara. E a mais perigosa. \u2014 Por qu\u00ea? Ela sorriu. \u2014 Porque quem possui as quatro rainhas\u2026 governa todos os \u00e2mbitos do mundo. Mat\u00e9ria, desejo, raz\u00e3o e amor. E quando essas for\u00e7as se unem\u2026 Selmara concluiu com poder. Ergueu-se devagar, com os olhos fixos nas quatro cartas abertas sobre a mesa: Rainha de Espadas, Ouros, Copas e Paus. A luz da lareira parecia vacilar ao redor das figuras, como se algo nelas pulsasse. Ela levou as m\u00e3os sobre o baralho e sussurrou, como quem ativa um segredo guardado em s\u00e9culos de sil\u00eancio: \u2014 Reginae potentiae, audite vocem meam. Domina Rationis, exaudi me. Domina Divitiarum, appareas. Domina Voluptatis, descendas in carnem. Leopold permaneceu sentado, mas seu corpo estava tenso. Os pelos dos bra\u00e7os se eri\u00e7aram com uma sensa\u00e7\u00e3o que ele n\u00e3o sabia nomear \u2014 como se o ar tivesse engrossado. Das sombras do sal\u00e3o, as quatro figuras femininas emergiram com passos firmes. A primeira, a rainha de espadas, vestia-se de verde profundo, detalhes dourados nos punhos e na gola. Os cabelos negros estavam presos num coque austero. O olhar, cortante. Seu corpo era esguio e elegante, a express\u00e3o, serena como uma l\u00e2mina polida. A segunda figura tamb\u00e9m de verde, mas em tom mais suave. Os cabelos soltos, pretos e brilhantes como \u00f4nix. Ela trazia ouro nas orelhas, no pesco\u00e7o, nos punhos. Seus passos faziam o ch\u00e3o parecer mais valioso. A Rainha de Ouros sorriu com indulg\u00eancia, como uma colecionadora diante de um novo tesouro. A terceira mulher, a Rainha de Copas, surgiu loira, radiante, vestida de vermelho profundo. O decote de seu vestido revelava os contornos generosos dos seios, e seus olhos, azul-claros, encontraram os de Leopold com fome disfar\u00e7ada de do\u00e7ura. Por fim, a Rainha de Paus, cabelos ruivos ondulando at\u00e9 a cintura, vestido escarlate como sangue novo. Seus olhos eram verdes como veneno, e sua pele parecia vibrar com calor pr\u00f3prio. E j\u00e1 vinham sorrindo \u2014 como se soubessem exatamente o que fariam com ele. As quatro Rainhas estavam vivas. E o observavam. \u2014 Que bruxaria \u00e9 essa? \u2014 disse Leopold \u2014 Como fez isso? Quem s\u00e3o essas mulheres? Selmara sorriu docemente, mordendo os l\u00e1bios.\u2014 Essas s\u00e3o as quatro rainhas. Espadas, Paus, Ouros, Copas. As quatro for\u00e7as da natureza\u2026 para saciar os desejos de vossa alteza. Leopold viu que as quatro cartas estavam acima das mesas, com os espa\u00e7os das rainhas vazios, era como se eles tivessem saltado do baralho para a realidade. \u2014 Isso \u00e9 ilus\u00e3o, um truque\u2026 ou \u00e9 demon\u00edaco! \u2014 Leopold estava perplexo, tentando entender. Selmara n\u00e3o respondeu, apenas acenou \u00e0s rainhas com os olhos. Foi a senha para que a Rainha de Espadas beijasse a Rainha de Ouros na boca com desejo, seguidas pelas Rainhas de Copas e de Paus. \u2014 Sua bruxa! \u2014 protestou Leopold \u2014 Isso \u00e9\u2026 \u2014 Delicioso? \u2014 respondeu Selmara, rindo leve. Leopold olhava as rainhas se beijando tentando alguma explica\u00e7\u00e3o l\u00f3gica para aquilo, mas ao mesmo tempo estava sendo arrebatado pelo tes\u00e3o crescente. \u2014 Qualquer uma dessas rainhas seriam o desejo de qualquer homem na Terra. E estou oferecendo as quatro, ao mesmo tempo, para a vossa alteza. Isso \u00e9 abund\u00e2ncia. Leopold amea\u00e7ou protestar, questionar, lutar contra seus sentimentos. Selmara caminhou at\u00e9 ele sem pressa, nua, como se o pr\u00f3prio corpo fosse parte do feiti\u00e7o. Parou diante dele, colou o dedo indicador em seus l\u00e1bios \u2014 quente, suave, mandando calar. \u2014 Ent\u00e3o \u00e9 esse o seu jogo? \u2014 sussurrou ele, com a voz tr\u00eamula. \u2014 Voc\u00ea usa bruxaria para seduzir\u2026 \u2014 Sim, Alteza. \u2014 disse ela, agora colando os seios em seu peito, sem nenhuma hesita\u00e7\u00e3o. \u2014 E te ofere\u00e7o\u2026 em abund\u00e2ncia. Foi ent\u00e3o a Rainha de Espadas quem come\u00e7ou. Ergueu as m\u00e3os lentamente at\u00e9 os pr\u00f3prios ombros, onde o tecido verde profundo cobria seu corpo esguio com severidade. Desatou os ganchos com precis\u00e3o cir\u00fargica, um a um, como quem desfaz uma armadura. A cada gesto, os olhos de Leopold acompanhavam. O vestido caiu at\u00e9 a cintura, revelando seios firmes, m\u00e9dios, perfeitamente proporcionados. Os mamilos escuros endureceram com o frio do sal\u00e3o. Ela se virou de lado, abaixando o restante da roupa com lentid\u00e3o. O contorno de seu quadril apareceu como uma l\u00e2mina curvil\u00ednea, os movimentos sem pressa, o olhar fixo no pr\u00edncipe, como se dissesse: a nudez tamb\u00e9m \u00e9 estrat\u00e9gia. Quando ficou completamente nua, aproximou-se da Rainha de Ouros e pousou uma m\u00e3o em sua cintura. Leopold respirava fundo. O corpo estava quente demais para a temperatura do ambiente. Mas sua mente ainda gritava perguntas que n\u00e3o tinham resposta. \u2014 Isso \u00e9 pervers\u00e3o\u2026 um truque\u2026 \u2014 sussurrou para Selmara que posou a cabe\u00e7a em seu ombro, como se o acolhesse. A Rainha de Ouros sorriu ao toque da outra. Em resposta, come\u00e7ou seu pr\u00f3prio ritual. Com as m\u00e3os decoradas por an\u00e9is dourados, afrouxou os la\u00e7os do vestido com delicadeza. O corpete caiu devagar, libertando seios generosos que pareciam ter sido moldados para o prazer. Suas m\u00e3os acariciaram os pr\u00f3prios flancos enquanto descia o tecido at\u00e9 os p\u00e9s, revelando uma pele dourada, acetinada, levemente \u00famida sob a luz da lareira. Ela girou sobre si mesma, exibindo seu corpo com a confian\u00e7a de quem sabia ser desejada por reis e deuses. E quando parou de frente para a de Espadas, inclinou-se e beijou-lhe os l\u00e1bios \u2014 n\u00e3o com afeto, mas com fome. 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