{"id":887,"date":"2025-06-12T13:40:46","date_gmt":"2025-06-12T16:40:46","guid":{"rendered":"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/?p=887"},"modified":"2025-06-12T13:51:17","modified_gmt":"2025-06-12T16:51:17","slug":"a-feiticeira-a-rainha-e-a-imperatriz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/?p=887","title":{"rendered":"A Feiticeira, A Rainha e A Imperatriz"},"content":{"rendered":"<p data-start=\"409\" data-end=\"803\">Nota do autor: Esse conto \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o desse aqui: <a href=\"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/?p=805\">https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/?p=805<\/a><br \/>\nRecomendo a leitura do conto anterior antes da leitura deste aqui.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Tristan havia maculado o nome da Princesa Liesel, a ca\u00e7ula da rainha-m\u00e3e, ao dizer em voz alta, em pleno bar, que tivera com ela uma noite de sexo ardente. Isso era crime. Ningu\u00e9m duvidava que fosse verdade \u2014 ali\u00e1s, Liesel j\u00e1 carregava certa fama por sua \u201cfome\u201d por sexo, com homens e mulheres \u2014, mas diz\u00ea-lo em p\u00fablico, em tom de esc\u00e1rnio, era grav\u00edssimo. T\u00e3o grave que Tristan precisou fugir.<\/p>\n<p data-start=\"805\" data-end=\"1406\">Naquela madrugada, sussurros corriam pelos corredores do castelo de Nebelheim. Tristan fora encontrado. Preso. Junto com dois amigos. Um mensageiro partira \u00e0s pressas, montado no cavalo mais veloz, apenas para levar a not\u00edcia. Um pequeno conselho real se reuniu \u00e0s pressas numa sala pr\u00f3xima aos aposentos da Rainha Eleonore. L\u00e1 estavam: a pr\u00f3pria rainha; seu filho, o Pr\u00edncipe Leopoldo \u2014 herdeiro do trono e irm\u00e3o de Liesel; o Pr\u00edncipe Guilherme, cunhado de Leopoldo e casado com a Princesa Teresa; e Cassius, um anci\u00e3o que dizia entender de magia e medicina, mas vivia, na pr\u00e1tica, de bajular nobres.<\/p>\n<p data-start=\"1408\" data-end=\"1796\">Selmara despertou, talvez por magia, talvez por pura intui\u00e7\u00e3o. Sabia. Simplesmente sabia. Com passos leves e calculados, deslizava pelos corredores, desviando dos guardas sonolentos com a naturalidade de quem conhecia aquele castelo h\u00e1 anos \u2014 mesmo estando ali h\u00e1 apenas uma semana, sob a prote\u00e7\u00e3o da princesa Liesel. E, por algum motivo, ela sabia exatamente onde aquela reuni\u00e3o ocorria.<\/p>\n<p data-start=\"1798\" data-end=\"1842\">Antes de entrar, ouviu Leopoldo, aos gritos:<\/p>\n<p data-start=\"1844\" data-end=\"1985\">\u2014 Tristan deve ser executado assim que chegar pela manh\u00e3! Seus dois comparsas ter\u00e3o as l\u00ednguas cortadas, para nunca mais difamarem a realeza!<\/p>\n<p data-start=\"1987\" data-end=\"2230\">Selmara abriu a porta com calma. Sua beleza imposs\u00edvel chamou aten\u00e7\u00e3o de todos. Jovem, de cabelos brancos e curtos, l\u00e1bios pintados de negro e vestes escuras que real\u00e7avam sua silhueta. Sentou-se sem cerim\u00f4nia \u00e0 mesa, como se fosse da nobreza.<\/p>\n<p data-start=\"2232\" data-end=\"2604\">\u2014 Executar Tristan e mutilar seus amigos \u00e9 mais escandaloso do que o suposto ato de Vossa Alteza, a Princesa Liesel. A vida deles deve ser poupada. Suas palavras, ridicularizadas. Homens se gabam de conquistas que nunca aconteceram o tempo todo. Logo, tudo ser\u00e1 esquecido. Mas, se o matarem, todos dir\u00e3o que \u00e9 verdade \u2014 e que Nebelheim agiu com crueldade, n\u00e3o com justi\u00e7a.<\/p>\n<p data-start=\"2606\" data-end=\"2658\">O sil\u00eancio caiu sobre a sala. Todos se entreolharam.<\/p>\n<p data-start=\"2660\" data-end=\"2754\">\u2014 Eu penso, Majestade&#8230; Vossa Alteza&#8230; \u2014 disse Guilherme, cauteloso \u2014 que a bruxa tem raz\u00e3o.<\/p>\n<p data-start=\"2756\" data-end=\"2920\">\u2014 Isso \u00e9 um ultraje! \u2014 esbravejou Leopoldo. \u2014 Essa Jezabel vem do vilarejo, invade reuni\u00f5es reais, difama minha irm\u00e3&#8230; Eu digo que devia ser executada junto com&#8230;<\/p>\n<p data-start=\"2922\" data-end=\"2967\">\u2014 Basta, Leopoldo \u2014 cortou a Rainha Eleonore.<\/p>\n<p data-start=\"2969\" data-end=\"3127\">Leopoldo se calou, embora fitasse Selmara com raiva. Ela, por sua vez, respondeu com um olhar doce e provocante, que o deixou ainda mais furioso \u2014 e excitado.<\/p>\n<p data-start=\"3129\" data-end=\"3323\">\u2014 Tristan e seus companheiros s\u00f3 chegar\u00e3o a Nebelheim pela manh\u00e3 \u2014 disse Eleonore. \u2014 J\u00e1 \u00e9 tarde. Vamos para nossas camas. Amanh\u00e3, decidiremos com a mente mais clara. Esta reuni\u00e3o est\u00e1 encerrada.<\/p>\n<p data-start=\"3325\" data-end=\"3588\">Leopoldo engoliu em seco. N\u00e3o ousava desafiar a m\u00e3e. Guilherme pousou a m\u00e3o em seu ombro, tentando acalm\u00e1-lo. Cassius sorriu para a rainha, satisfeito, como sempre ficava diante de qualquer decis\u00e3o que ela tomasse. Todos sa\u00edram da sala, exceto Selmara e Eleonore.<\/p>\n<p data-start=\"3590\" data-end=\"4121\">A rainha permaneceu em sil\u00eancio, observando Selmara por um instante. Eleonore era uma rainha jovem, uns 40 anos. Extremamente bonita, com olhos azuis e cabelos bem ruivos, que geralmente estavam tran\u00e7ados. Herdou o reino ainda mais jovem, quando o rei faleceu h\u00e1 uns 10 anos. Come\u00e7ou a governar porque Leopoldo, o pr\u00edncipe herdeiro, ainda era adolescente. Mas continuou governando quando ele atingiu a maioridade. Ningu\u00e9m no reino confiava no jovem Leopoldo o suficiente para achar que ele podia suceder sua m\u00e3e com ela ainda viva.<\/p>\n<p data-start=\"4123\" data-end=\"4372\">\u2014 H\u00e1 tantos problemas no reino que ainda n\u00e3o tratei da situa\u00e7\u00e3o da minha filha. Tampouco da sua. A senhora n\u00e3o \u00e9 bem-vinda neste castelo. Sua presen\u00e7a \u00e9 tolerada apenas por ser h\u00f3spede de Liesel. E n\u00e3o tem autoriza\u00e7\u00e3o para invadir reuni\u00f5es privadas.<\/p>\n<p data-start=\"4374\" data-end=\"4422\">Selmara n\u00e3o vacilou. Falava com uma calma firme.<\/p>\n<p data-start=\"4424\" data-end=\"4540\">\u2014 Liesel n\u00e3o deseja a execu\u00e7\u00e3o de Tristan. Sentiria-se culpada, e com raz\u00e3o. De qualquer forma, seria uma injusti\u00e7a.<\/p>\n<p data-start=\"4542\" data-end=\"4571\">Eleonore manteve o tom firme:<\/p>\n<p data-start=\"4573\" data-end=\"4650\">\u2014 Imagino que tipo de acordo fez com minha filha para que ela te acolhesse&#8230;<\/p>\n<p data-start=\"4652\" data-end=\"4859\">\u2014 Um acordo que posso estender \u00e0 senhora. Nunca bajulei nobres, e n\u00e3o come\u00e7aria por Nebelheim. Mas com a n\u00e9voa ocultando o sol, a supersti\u00e7\u00e3o cresce. L\u00e1 fora, sou vista como um press\u00e1gio. E n\u00e3o estou segura.<\/p>\n<p data-start=\"4861\" data-end=\"4970\">\u2014 E o que ganha o reino com isso? Se o povo souber que a acolhemos sob nosso teto, isso pode nos custar caro.<\/p>\n<p data-start=\"4972\" data-end=\"5248\">\u2014 N\u00e3o sou Jezabel, Majestade. N\u00e3o sou falsa profetisa. Minhas previs\u00f5es n\u00e3o falham. E trabalho para evitar que as ruins se cumpram. Previ a execu\u00e7\u00e3o de Tristan \u2014 e hoje evitei isso. Previ que Liesel seria internada num convento \u2014 e posso garantir que isso tamb\u00e9m n\u00e3o ocorrer\u00e1.<\/p>\n<p data-start=\"5250\" data-end=\"5295\">Eleonore a encarou, silenciosa. Depois disse:<\/p>\n<p data-start=\"5297\" data-end=\"5388\">\u2014 J\u00e1 que estamos aqui\u2026 Dizem que sempre carrega aquele baralho de tar\u00f4. Est\u00e1 com ele agora?<\/p>\n<p data-start=\"5390\" data-end=\"5531\">Selmara sorriu com sutileza. Sempre carregava suas cartas. Elas tinham poder\u2026 muito mais do que Eleonore poderia imaginar at\u00e9 aquele momento.<\/p>\n<p data-start=\"5533\" data-end=\"5616\">\u2014 Vossa Majestade quer saber sobre sua vida pessoal? Ou sobre os assuntos do reino?<\/p>\n<p data-start=\"5618\" data-end=\"5665\">\u2014 No meu caso as duas coisas s\u00e3o a mesma coisa.<\/p>\n<p data-start=\"5667\" data-end=\"5741\">Selmara se concentrou ent\u00e3o na pessoa da rainha e em Nebelheim como reino.<\/p>\n<p data-start=\"5743\" data-end=\"5845\">Selmara retirou cuidadosamente tr\u00eas cartas do baralho, depositando-as uma a uma sobre a mesa de \u00e9bano.<\/p>\n<p data-start=\"5847\" data-end=\"5910\">\u2014 Tr\u00eas cartas para Vossa Majestade: passado, presente e futuro.<\/p>\n<p data-start=\"5912\" data-end=\"5933\">Ela virou a primeira.<\/p>\n<p data-start=\"5935\" data-end=\"6281\">\u2014 O Sol.<br data-start=\"5943\" data-end=\"5946\" \/>\u2014 Nebelheim j\u00e1 foi um reino glorioso. A luz do conhecimento, da colheita e da alegria reinava sobre estas terras. Vossa Majestade nasceu sob esse mesmo sol: era uma jovem com o mundo aos seus p\u00e9s, admirada por todos, destinada a um reinado luminoso.<br data-start=\"6195\" data-end=\"6198\" \/>Mas a gl\u00f3ria se esvaiu com o tempo. E nem o mais forte dos s\u00f3is brilha para sempre.<\/p>\n<p data-start=\"6283\" data-end=\"6361\">Eleonore manteve o semblante fechado, embora sua respira\u00e7\u00e3o pesasse levemente.<\/p>\n<p data-start=\"6363\" data-end=\"6393\">Selmara virou a segunda carta.<\/p>\n<p data-start=\"6395\" data-end=\"6799\">\u2014 A Lua.<br data-start=\"6403\" data-end=\"6406\" \/>\u2014 Agora&#8230; tudo est\u00e1 coberto por n\u00e9voas. N\u00e3o apenas as que v\u00eam da Ilha do Norte, do vulc\u00e3o que desperta, mas tamb\u00e9m as que envolvem os cora\u00e7\u00f5es e as decis\u00f5es dentro destas muralhas.<br data-start=\"6587\" data-end=\"6590\" \/>A Lua fala de incerteza, engano e temor. O povo desconfia. As planta\u00e7\u00f5es falham. Os inimigos sussurram em l\u00ednguas suaves.<br data-start=\"6711\" data-end=\"6714\" \/>A senhora governa sob uma luz inst\u00e1vel, onde nada \u00e9 o que parece&#8230; e tudo pode ruir.<\/p>\n<p data-start=\"6801\" data-end=\"6888\">A rainha desviou o olhar por um instante, como se sentisse na pele o frio das palavras.<\/p>\n<p data-start=\"6890\" data-end=\"6919\">Selmara virou a \u00faltima carta.<\/p>\n<p data-start=\"6921\" data-end=\"7359\">\u2014 A Morte.<br data-start=\"6931\" data-end=\"6934\" \/>\u2014 Um trono vazio \u2014 disse Selmara. \u2014 O herdeiro jamais se sentar\u00e1 nele. A coroa de Nebelheim ser\u00e1 dissolvida, absorvida por outro reino, outro eleitorado, outra vontade.<br data-start=\"7102\" data-end=\"7105\" \/>A Morte aqui n\u00e3o fala de corpos \u2014 fala de estruturas, de nomes, de t\u00edtulos.<br data-start=\"7180\" data-end=\"7183\" \/>O que hoje \u00e9 Nebelheim&#8230; deixar\u00e1 de ser.<\/p>\n<p data-start=\"231\" data-end=\"265\">O sil\u00eancio se adensou como um v\u00e9u.<\/p>\n<p data-start=\"267\" data-end=\"351\">Selmara recolheu lentamente o baralho. As cartas haviam dito o que precisavam dizer.<\/p>\n<p data-start=\"353\" data-end=\"488\">\u2014 Vossa Majestade me perguntou se minha presen\u00e7a traria alguma vantagem ao reino. Agora sabe: eu vejo o que ningu\u00e9m mais ousa enxergar.<\/p>\n<p data-start=\"490\" data-end=\"594\">Eleonore n\u00e3o respondeu de imediato. Apenas encarava a carta negra como se nela visse sua pr\u00f3pria l\u00e1pide.<\/p>\n<p data-start=\"596\" data-end=\"657\">\u2014 E voc\u00ea disse que pode evitar que as coisas ruins aconte\u00e7am.<\/p>\n<p data-start=\"659\" data-end=\"791\">\u2014 Posso ser uma conselheira \u00fatil, Majestade. E uma conselheira discreta. N\u00e3o preciso estar nas reuni\u00f5es, se isso causar desconforto.<\/p>\n<p data-start=\"793\" data-end=\"943\">Selmara fitava a rainha nos olhos. N\u00e3o como s\u00fadita diante da soberana. Mas como mulher diante de mulher. Uma rainha sedenta. Uma feiticeira abundante.<\/p>\n<p data-start=\"945\" data-end=\"1086\">\u2014 E se Vossa Majestade quiser \u2014 disse Selmara, erguendo-se com eleg\u00e2ncia, expondo sua silhueta \u2014 posso ser muito mais do que uma conselheira.<\/p>\n<p data-start=\"1088\" data-end=\"1194\">Eleonore sentiu a tens\u00e3o no ar. Selmara n\u00e3o desviava o olhar. E a pr\u00f3pria rainha sentiu&#8230; medo. E desejo.<\/p>\n<p data-start=\"1196\" data-end=\"1300\">Selmara pousou as m\u00e3os nos ombros de Eleonore, inclinou-se com suavidade e sussurrou junto \u00e0 sua orelha:<\/p>\n<p data-start=\"1302\" data-end=\"1509\">\u2014 Eu sei de onde Liesel herdou toda aquela fome de prazer. Em algum momento, Vossa Majestade teve que conter esse fogo&#8230; e conseguiu.<br data-start=\"1436\" data-end=\"1439\" \/>Mas comigo, Majestade, \u00e9 seguro.<br data-start=\"1471\" data-end=\"1474\" \/>Voc\u00ea pode incendiar&#8230; sem queimar.<\/p>\n<p data-start=\"1511\" data-end=\"1584\">Eleonore fechou os olhos. Selmara beijou-lhe a orelha. Depois, o pesco\u00e7o.<\/p>\n<p data-start=\"1586\" data-end=\"1622\">\u2014 Isso \u00e9 errado \u2014 murmurou Eleonore.<\/p>\n<p data-start=\"1624\" data-end=\"1661\">\u2014 Majestade\u2026 isso n\u00e3o \u00e9 nem o come\u00e7o.<\/p>\n<p data-start=\"1663\" data-end=\"1844\">Selmara deslizou a m\u00e3o pelo tecido nobre, subindo com lentid\u00e3o at\u00e9 apalpar o seio da rainha por cima do vestido, deixando clara sua inten\u00e7\u00e3o \u2014 e sua autoridade sobre aquele momento.<\/p>\n<p data-start=\"1846\" data-end=\"1991\">Selmara se afastou com um leve sorriso nos l\u00e1bios. Seus dedos deixaram o corpo da rainha, apenas por um instante. Voltou ao baralho sobre a mesa.<\/p>\n<p data-start=\"1993\" data-end=\"2115\">\u2014 Ainda falta uma carta, Majestade. Aquela que governa todas as outras\u2026 aquela que representa o verdadeiro poder feminino.<\/p>\n<p data-start=\"2117\" data-end=\"2216\">Ela retirou uma carta e virou com solenidade. Os olhos da rainha fixaram-se nela. Era A Imperatriz.<\/p>\n<p data-start=\"2218\" data-end=\"2367\">\u2014 A criadora. A senhora dos prazeres e das colheitas. O ventre da terra e o trono da carne \u2014 sussurrou Selmara. \u2014 E esta noite, ela vir\u00e1 nos visitar.<\/p>\n<p data-start=\"2369\" data-end=\"2514\">Eleonore recuou ligeiramente na cadeira, perplexa, mas fascinada. Selmara ergueu a carta diante de si, os dedos tocando o ar com precis\u00e3o ritual.<\/p>\n<p data-start=\"2516\" data-end=\"2617\">\u2014 <em data-start=\"2518\" data-end=\"2617\">Exsurge, Regina Carnis et Floris. Veni, Imperatrix Arcana, et sede nobiscum in throno voluptatis.<\/em><\/p>\n<p data-start=\"2619\" data-end=\"2734\">O calor da sala pareceu subir. As velas vacilaram, mesmo sem vento. E ent\u00e3o, como um sussurro no tempo, ela surgiu.<\/p>\n<p data-start=\"2736\" data-end=\"3049\">Uma mulher vestida como em um sonho real tomou forma diante delas. Sua beleza era serena e exuberante, como se moldada por m\u00e3os divinas. Os cabelos desciam em ondas douradas, longos como vinhas maduras sob o sol da colheita. Os olhos, de um verde-esmeralda profundo, pareciam conter florestas inteiras em repouso.<\/p>\n<p data-start=\"3051\" data-end=\"3241\">Seu corpo era pleno, generoso, com curvas que evocavam tanto fertilidade quanto poder. A pele reluzia com um dourado sutil, como se a luz filtrada pelas folhas a tivesse beijado por s\u00e9culos.<\/p>\n<p data-start=\"3243\" data-end=\"3620\">Vestia uma t\u00fanica de gaze transl\u00facida, que insinuava suas formas sagradas em vez de escond\u00ea-las. Sobre ela, um manto de cetim rosa, delicado e fluido como brisa de primavera, ca\u00eda de seus ombros at\u00e9 os p\u00e9s, preso por um broche em forma de rom\u00e3. Nas costas, uma capa verde-musgo escorria como hera encantada, completando o conjunto com ares de floresta encantada e trono divino.<\/p>\n<p data-start=\"3622\" data-end=\"3856\">Sobre a cabe\u00e7a, uma coroa de estrelas douradas cintilava como constela\u00e7\u00f5es fixas, firmada em sua cabeleira loira. Em uma das m\u00e3os, segurava um cetro de ouro branco com uma gema r\u00f3sea no topo \u2014 viva, pulsante como um cora\u00e7\u00e3o encantado.<\/p>\n<p data-start=\"3858\" data-end=\"3994\">Havia nela uma majestade que n\u00e3o precisava ser proclamada. Ela era a Imperatriz \u2014 e tudo em sua presen\u00e7a era colheita, prazer e dom\u00ednio.<\/p>\n<p data-start=\"3996\" data-end=\"4099\">A Imperatriz caminhou at\u00e9 Selmara, e a beijou intensamente nos l\u00e1bios. Depois, voltou-se para a rainha.<\/p>\n<p data-start=\"4101\" data-end=\"4130\">\u2014 Gosta do que v\u00ea? Majestade.<\/p>\n<p data-start=\"4132\" data-end=\"4361\">Eleonore n\u00e3o consegue conter o terror e o fasc\u00ednio. Viu o desenho de uma das cartas de tar\u00f4 se materializar numa linda mulher diante dos seus olhos. Tamb\u00e9m n\u00e3o conseguia esconder o tes\u00e3o de ver a bela Imperatriz beijando Selmara.<\/p>\n<p data-start=\"4363\" data-end=\"4477\">\u2014 N\u00e3o tema, Eleonore \u2014 disse Selmara, com voz suave como \u00e1gua corrente. \u2014 Esta noite \u00e9 sua. \u00c9 para voc\u00ea florescer.<\/p>\n<p data-start=\"4479\" data-end=\"4681\">Selmara se aproxima de Eleonore e tamb\u00e9m a beija. A rainha recepciona os l\u00e1bios da feiticeira, logo ap\u00f3s dela vem a Imperatriz. E Selmara observa seu triunfo, rainha e imperatriz se beijando com desejo.<\/p>\n<p data-start=\"4683\" data-end=\"4860\">A tens\u00e3o no ar \u00e9 palp\u00e1vel, um fio de desejo que conecta as tr\u00eas mulheres. A Imperatriz, com um gesto lento, apoia o cetro no ch\u00e3o e estende as m\u00e3os, convidando Eleonore \u00e0 nudez.<\/p>\n<p data-start=\"241\" data-end=\"992\">Eleonore se move, seus dedos tremendo levemente enquanto desatam as fitas de seu pr\u00f3prio corpete. O som do tecido cedendo \u00e9 tamb\u00e9m quase m\u00e1gico, cada la\u00e7o desfeito revelando mais de sua pele. Selmara observa, os olhos semicerrados, a respira\u00e7\u00e3o profunda. A rainha, t\u00e3o acostumada a comandar, agora se entrega ao ato de se despir como se fosse uma oferenda. O vestido cai em camadas, revelando a chemise de linho fino, quase transparente, que abra\u00e7a seus seios e quadris. A Imperatriz se aproxima, suas m\u00e3os deslizando pelo ombro de Eleonore, puxando a chemise para baixo com uma lentid\u00e3o deliberada. Os mamilos da rainha, endurecidos pelo ar frio e pelo desejo, s\u00e3o expostos, e a Imperatriz os ro\u00e7a com as pontas dos dedos, arrancando um gemido baixo.<\/p>\n<p data-start=\"994\" data-end=\"1772\">Selmara, ent\u00e3o, d\u00e1 um passo \u00e0 frente. Seu manto simples, de l\u00e3 negra, \u00e9 preso por um broche de prata em forma de lua. Eleonore, agora parcialmente nua, ajoelha-se diante dela. Suas m\u00e3os sobem pelas coxas de Selmara, desatando o cinto que segura o manto. O tecido cai, revelando o vestido interno, um espartilho de couro preto que molda a cintura fina da feiticeira. Eleonore, com uma rever\u00eancia quase ritual\u00edstica, come\u00e7a a desfazer os cord\u00f5es do espartilho, cada pux\u00e3o liberando a press\u00e3o e permitindo que Selmara respire mais livremente. A Imperatriz, por tr\u00e1s, beija a nuca de Selmara, seus l\u00e1bios quentes contrastando com o frio da sala. O espartilho se abre, e os seios da feiticeira, grandes e firmes, s\u00e3o expostos \u00e0 luz tremeluzente. A Imperatriz murmura contra sua pele.<\/p>\n<p data-start=\"1774\" data-end=\"2191\">O despir \u00e9 um ritual em si, cada pe\u00e7a de roupa caindo como uma barreira dissolvida. A Imperatriz, por fim, deixa seu manto rosa deslizar, revelando um corpo curvil\u00edneo, a pele clara como se tocada pelo sol. Sua capa verde \u00e9 descartada, e ela permanece apenas com a coroa, um s\u00edmbolo de seu poder eterno. As tr\u00eas mulheres, agora nuas, est\u00e3o unidas pela vulnerabilidade e pelo desejo, seus corpos formando um tri\u00e2ngulo.<\/p>\n<p data-start=\"2193\" data-end=\"3153\">Selmara \u00e9 guiada at\u00e9 um div\u00e3 coberto de peles, onde se reclina, os cabelos brancos espalhados como um halo. Sua nudez \u00e9 magn\u00e9tica, a pele p\u00e1lida contrastando com o escarlate das peles. Eleonore e a Imperatriz, movidas por uma sincronia quase sobrenatural, ajoelham-se diante dela. Selmara, a feiticeira marginalizada, outrora temida e exilada, agora \u00e9 o centro de adora\u00e7\u00e3o. Eleonore, com os olhos brilhando de desejo, inclina-se primeiro. Seus l\u00e1bios encontram a vagina de Selmara, beijando-a com uma suavidade inicial que logo se transforma em fome. Sua l\u00edngua explora os l\u00e1bios \u00famidos, tra\u00e7ando c\u00edrculos lentos ao redor do clit\u00f3ris, arrancando gemidos que ecoam pelo sal\u00e3o. A Imperatriz, por sua vez, posiciona-se mais abaixo, suas m\u00e3os separando gentilmente as n\u00e1degas de Selmara. Sua boca encontra o \u00e2nus, e ela o lambe com uma devo\u00e7\u00e3o cerimonial, a l\u00edngua quente e insistente, enviando ondas de prazer que se misturam \u00e0s sensa\u00e7\u00f5es provocadas por Eleonore.<\/p>\n<p data-start=\"3155\" data-end=\"3651\">E assim, Selmara, a feiticeira temida que vivia ao canto da vila, estava ali, nos sal\u00f5es reais, sendo louvada por uma rainha e uma imperatriz de joelhos. Cada lambida, cada beijo, \u00e9 uma coroa\u00e7\u00e3o, um reconhecimento de seu poder intr\u00ednseco. Seus gemidos crescem, um c\u00e2ntico primal que ressoa com a magia do sal\u00e3o. Suas m\u00e3os agarram as peles, os quadris se movendo em um ritmo instintivo, enquanto Eleonore e a Imperatriz trabalham em harmonia, suas bocas adorando cada cent\u00edmetro de sua intimidade.<\/p>\n<p data-start=\"3653\" data-end=\"4138\">O prazer de Selmara \u00e9 uma for\u00e7a m\u00e1gica, uma energia que parece fazer as velas tremeluzirem mais intensamente. Seu orgasmo, quando chega, \u00e9 cat\u00e1rtico: um grito que ecoa como um feiti\u00e7o, o corpo arqueando, os olhos brilhando com uma luz sobrenatural. Eleonore e a Imperatriz, ainda ajoelhadas, erguem os rostos, os l\u00e1bios brilhando com a ess\u00eancia de Selmara, e sorriem. A feiticeira, ofegante, olha para elas, e por um momento, o mundo \u00e9 apenas aquele tri\u00e2ngulo de poder, prazer e magia.<\/p>\n<p data-start=\"4140\" data-end=\"4484\">Selmara arqueou o corpo uma \u00faltima vez, como se tocada por um raio de prazer. Sua respira\u00e7\u00e3o tornou-se um canto entrecortado, seus olhos cerrados como os de uma deusa em \u00eaxtase. Eleonore, com os l\u00e1bios ainda entreabertos sob o gosto da feiticeira, ergueu o rosto em rever\u00eancia \u2014 e a Imperatriz, ao lado, sorriu com um brilho ancestral no olhar.<\/p>\n<p data-start=\"4486\" data-end=\"4603\">A rainha e a Imperatriz ajoelhadas, unidas pela l\u00edngua e pelo desejo, pareciam sacerdotisas rendendo culto \u00e0 Selmara.<\/p>\n<p data-start=\"4605\" data-end=\"5205\">Eleonore inclinou-se para a Imperatriz, e as duas se beijaram \u2014 um selar de alian\u00e7as secretas entre o poder terreno e o arcano. A Imperatriz, com gesto sereno, ro\u00e7ou os l\u00e1bios nos seios da rainha. Selmara recostou-se, observando. Eleonore acomodou-se numa poltrona forrada de veludo rubro, afastando lentamente as pernas, oferenda viva \u00e0 noite encantada. A Imperatriz, ajoelhada, aceitou o convite, sua l\u00edngua iniciando a devo\u00e7\u00e3o \u00e0 carne real. Selmara, ao lado, percorreu com beijos o corpo da rainha \u2014 primeiro os l\u00e1bios, depois o pesco\u00e7o, at\u00e9 os seios, agora ardentes e nus sob o fogo da madrugada.<\/p>\n<p data-start=\"227\" data-end=\"728\">Eleonore, com a cabe\u00e7a reclinada, as tran\u00e7as ruivas espalhadas sobre a poltrona de veludo, deixava-se adorar como se cada gemido fosse decreto real. Selmara a beijava no colo dos seios, ro\u00e7ando a pele com os l\u00e1bios frios de feiticeira, despertando nela mem\u00f3rias de um corpo que, por anos, viveu para o dever \u2014 e agora ardia por prazer. A l\u00edngua da Imperatriz era lenta, cerimonial. N\u00e3o lambia por vol\u00fapia, mas por louvor. Cada movimento era uma s\u00edlaba de um feiti\u00e7o antigo, gravado na carne da rainha.<\/p>\n<p data-start=\"730\" data-end=\"1027\">Eleonore arqueou-se. Suas m\u00e3os seguravam os bra\u00e7os da poltrona como se segurassem os pilares de um reino que desmoronava. O prazer subia em ondas, vindo das entranhas como lava sob um vulc\u00e3o silencioso \u2014 e os olhos, entreabertos, fitavam Selmara como se buscassem nela o espelho do pr\u00f3prio desejo.<\/p>\n<p data-start=\"1029\" data-end=\"1482\">A Imperatriz intensificou seu of\u00edcio, sugando o clit\u00f3ris como quem colhe o orvalho de uma flor sagrada. E quando Eleonore enfim se entregou, foi com um grito abafado entre os l\u00e1bios mordidos, um solu\u00e7o que misturava choro e \u00eaxtase, enquanto sua ess\u00eancia se derramava na boca divina. A Imperatriz n\u00e3o recuou. Bebeu como se fosse vinho real. Selmara, com os olhos fixos nos da rainha, passou os dedos pelos cabelos da Imperatriz como quem fecha um ritual.<\/p>\n<p data-start=\"1484\" data-end=\"1902\">Eleonore, rendida ao prazer, geme contra a boca de Selmara e seus quadris movendo-se contra o rosto da Imperatriz. O orgasmo da rainha \u00e9 um colapso, um momento de vulnerabilidade total: seu corpo treme, as pernas se apertam ao redor da cabe\u00e7a da Imperatriz, e um grito rouco escapa de sua garganta. A Imperatriz, com os l\u00e1bios brilhando com a ess\u00eancia de Eleonore, ergue-se, um sorriso satisfeito curvando seus l\u00e1bios.<\/p>\n<p data-start=\"1904\" data-end=\"2390\">Selmara ent\u00e3o convida a Imperatriz a outra poltrona. Sentam-se uma diante da outra. Seus corpos se alinham, as vaginas se encontram em um contato \u00edntimo e el\u00e9trico. Elas come\u00e7am a se mover, esfregando-se uma na outra com uma lentid\u00e3o deliberada, os clit\u00f3ris ro\u00e7ando em um ritmo que \u00e9 ao mesmo tempo sensual e primal. O tribadismo \u00e9 um ritual em si, uma dan\u00e7a de carne e alma, onde o prazer se torna uma for\u00e7a m\u00e1gica. Seus gemidos se misturam, um c\u00e2ntico de \u00eaxtase que ressoa pelo sal\u00e3o.<\/p>\n<p data-start=\"2392\" data-end=\"2856\">Eleonore, nua e suada, sentada a poucos passos, os olhos arregalados de fasc\u00ednio. Sua m\u00e3o desliza entre as pernas, os dedos movendo-se em c\u00edrculos suaves enquanto observa a cena. A vis\u00e3o de Selmara e da Imperatriz, seus corpos entrela\u00e7ados, os seios ro\u00e7ando, os quadris dan\u00e7ando, \u00e9 quase sagrada. Ela se masturba discretamente, cada toque uma homenagem \u00e0 beleza do que presencia: uma celebra\u00e7\u00e3o do poder feminino, da sensualidade como magia, da entrega como for\u00e7a.<\/p>\n<p data-start=\"2858\" data-end=\"3141\">O orgasmo de Selmara e da Imperatriz vem em un\u00edssono, um cl\u00edmax cat\u00e1rtico que parece abalar o pr\u00f3prio tecido da realidade. Seus corpos tremem, as vozes se fundem em um grito que ecoa como um trov\u00e3o. As velas piscam, o ar vibra, e por um momento, aquela sala parece suspensa no tempo.<\/p>\n<hr \/>\n<p data-start=\"195\" data-end=\"484\">Selmara e Eleonore se beijaram ternamente. A rainha experimentou um prazer que h\u00e1 anos n\u00e3o sentia, propiciado pela feiticeira que usava as cartas de tar\u00f4 para muito al\u00e9m de ver o futuro. Quando deu por si, Eleonore viu que a Imperatriz tinha voltado a ser s\u00f3 uma carta nas m\u00e3os de Selmara.<\/p>\n<p data-start=\"486\" data-end=\"549\">\u2014 \u00c9 simplesmente inacredit\u00e1vel \u2014 disse a rainha, com admira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p data-start=\"551\" data-end=\"639\">Selmara sorriu. Juntou a carta da Imperatriz junto com as outras, as embalando na caixa.<\/p>\n<p data-start=\"641\" data-end=\"824\">\u2014 \u00c9 isso o que ofere\u00e7o, Eleonore \u2014 disse Selmara, simplesmente ignorando o termo &#8220;majestade&#8221;. \u2014 H\u00e1 78 cartas aqui. \u2014 Mostrou a caixa \u00e0 rainha, deixando muito claro o que queria dizer.<\/p>\n<p data-start=\"826\" data-end=\"973\">\u2014 Voc\u00ea tem minha prote\u00e7\u00e3o \u2014 disse Eleonore, ainda completamente nua, mas em tom majest\u00e1tico. \u2014 Pode permanecer no castelo, pelo tempo que precisar.<\/p>\n<p data-start=\"975\" data-end=\"1003\">\u2014 Muito obrigada, majestade.<\/p>\n<p data-start=\"1005\" data-end=\"1075\">Selmara deu o \u00faltimo e ousado beijo na rainha, antes de deixar a sala.<\/p>\n<p data-start=\"1077\" data-end=\"1224\">Encontrou Cassius pr\u00f3ximo \u00e0 porta de seu aposento. Os olhares se cruzaram, ele tentando intimidar, ela retribuindo de um jeito sarc\u00e1stico e ousado.<\/p>\n<p data-start=\"1226\" data-end=\"1396\">Cassius ainda encarava a porta se fechando, quando ouviu, atr\u00e1s dela, o leve tilintar das cartas sendo embaralhadas. Como se o pr\u00f3ximo destino j\u00e1 estivesse sendo tra\u00e7ado.<\/p>\n<p data-start=\"1226\" data-end=\"1396\"><a href=\"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/imagem_2025-06-12_131845379.png\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-898 lazyload\" data-src=\"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/imagem_2025-06-12_131845379-200x300.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 200px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 200\/300;\" \/><\/a><\/p>\n<p data-start=\"1226\" data-end=\"1396\"><a href=\"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/imagem_2025-06-12_123824789.png\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-897 lazyload\" data-src=\"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/imagem_2025-06-12_123824789-200x300.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 200px; 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--smush-placeholder-aspect-ratio: 205\/300;\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota do autor: Esse conto \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o desse aqui: https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/?p=805 Recomendo a leitura do conto anterior antes da leitura deste aqui. Tristan havia maculado o nome da Princesa Liesel, a ca\u00e7ula da rainha-m\u00e3e, ao dizer em voz alta, em pleno bar, que tivera com ela uma noite de sexo ardente. Isso era crime. Ningu\u00e9m duvidava que fosse verdade \u2014 ali\u00e1s, Liesel j\u00e1 carregava certa fama por sua \u201cfome\u201d por sexo, com homens e mulheres \u2014, mas diz\u00ea-lo em p\u00fablico, em tom de esc\u00e1rnio, era grav\u00edssimo. T\u00e3o grave que Tristan precisou fugir. Naquela madrugada, sussurros corriam pelos corredores do castelo de Nebelheim. Tristan fora encontrado. Preso. Junto com dois amigos. Um mensageiro partira \u00e0s pressas, montado no cavalo mais veloz, apenas para levar a not\u00edcia. Um pequeno conselho real se reuniu \u00e0s pressas numa sala pr\u00f3xima aos aposentos da Rainha Eleonore. L\u00e1 estavam: a pr\u00f3pria rainha; seu filho, o Pr\u00edncipe Leopoldo \u2014 herdeiro do trono e irm\u00e3o de Liesel; o Pr\u00edncipe Guilherme, cunhado de Leopoldo e casado com a Princesa Teresa; e Cassius, um anci\u00e3o que dizia entender de magia e medicina, mas vivia, na pr\u00e1tica, de bajular nobres. Selmara despertou, talvez por magia, talvez por pura intui\u00e7\u00e3o. Sabia. Simplesmente sabia. Com passos leves e calculados, deslizava pelos corredores, desviando dos guardas sonolentos com a naturalidade de quem conhecia aquele castelo h\u00e1 anos \u2014 mesmo estando ali h\u00e1 apenas uma semana, sob a prote\u00e7\u00e3o da princesa Liesel. E, por algum motivo, ela sabia exatamente onde aquela reuni\u00e3o ocorria. Antes de entrar, ouviu Leopoldo, aos gritos: \u2014 Tristan deve ser executado assim que chegar pela manh\u00e3! Seus dois comparsas ter\u00e3o as l\u00ednguas cortadas, para nunca mais difamarem a realeza! Selmara abriu a porta com calma. Sua beleza imposs\u00edvel chamou aten\u00e7\u00e3o de todos. Jovem, de cabelos brancos e curtos, l\u00e1bios pintados de negro e vestes escuras que real\u00e7avam sua silhueta. Sentou-se sem cerim\u00f4nia \u00e0 mesa, como se fosse da nobreza. \u2014 Executar Tristan e mutilar seus amigos \u00e9 mais escandaloso do que o suposto ato de Vossa Alteza, a Princesa Liesel. A vida deles deve ser poupada. Suas palavras, ridicularizadas. Homens se gabam de conquistas que nunca aconteceram o tempo todo. Logo, tudo ser\u00e1 esquecido. Mas, se o matarem, todos dir\u00e3o que \u00e9 verdade \u2014 e que Nebelheim agiu com crueldade, n\u00e3o com justi\u00e7a. O sil\u00eancio caiu sobre a sala. Todos se entreolharam. \u2014 Eu penso, Majestade&#8230; Vossa Alteza&#8230; \u2014 disse Guilherme, cauteloso \u2014 que a bruxa tem raz\u00e3o. \u2014 Isso \u00e9 um ultraje! \u2014 esbravejou Leopoldo. \u2014 Essa Jezabel vem do vilarejo, invade reuni\u00f5es reais, difama minha irm\u00e3&#8230; Eu digo que devia ser executada junto com&#8230; \u2014 Basta, Leopoldo \u2014 cortou a Rainha Eleonore. Leopoldo se calou, embora fitasse Selmara com raiva. Ela, por sua vez, respondeu com um olhar doce e provocante, que o deixou ainda mais furioso \u2014 e excitado. \u2014 Tristan e seus companheiros s\u00f3 chegar\u00e3o a Nebelheim pela manh\u00e3 \u2014 disse Eleonore. \u2014 J\u00e1 \u00e9 tarde. Vamos para nossas camas. Amanh\u00e3, decidiremos com a mente mais clara. Esta reuni\u00e3o est\u00e1 encerrada. Leopoldo engoliu em seco. N\u00e3o ousava desafiar a m\u00e3e. Guilherme pousou a m\u00e3o em seu ombro, tentando acalm\u00e1-lo. Cassius sorriu para a rainha, satisfeito, como sempre ficava diante de qualquer decis\u00e3o que ela tomasse. Todos sa\u00edram da sala, exceto Selmara e Eleonore. A rainha permaneceu em sil\u00eancio, observando Selmara por um instante. Eleonore era uma rainha jovem, uns 40 anos. Extremamente bonita, com olhos azuis e cabelos bem ruivos, que geralmente estavam tran\u00e7ados. Herdou o reino ainda mais jovem, quando o rei faleceu h\u00e1 uns 10 anos. Come\u00e7ou a governar porque Leopoldo, o pr\u00edncipe herdeiro, ainda era adolescente. Mas continuou governando quando ele atingiu a maioridade. Ningu\u00e9m no reino confiava no jovem Leopoldo o suficiente para achar que ele podia suceder sua m\u00e3e com ela ainda viva. \u2014 H\u00e1 tantos problemas no reino que ainda n\u00e3o tratei da situa\u00e7\u00e3o da minha filha. Tampouco da sua. A senhora n\u00e3o \u00e9 bem-vinda neste castelo. Sua presen\u00e7a \u00e9 tolerada apenas por ser h\u00f3spede de Liesel. E n\u00e3o tem autoriza\u00e7\u00e3o para invadir reuni\u00f5es privadas. Selmara n\u00e3o vacilou. Falava com uma calma firme. \u2014 Liesel n\u00e3o deseja a execu\u00e7\u00e3o de Tristan. Sentiria-se culpada, e com raz\u00e3o. De qualquer forma, seria uma injusti\u00e7a. Eleonore manteve o tom firme: \u2014 Imagino que tipo de acordo fez com minha filha para que ela te acolhesse&#8230; \u2014 Um acordo que posso estender \u00e0 senhora. Nunca bajulei nobres, e n\u00e3o come\u00e7aria por Nebelheim. Mas com a n\u00e9voa ocultando o sol, a supersti\u00e7\u00e3o cresce. L\u00e1 fora, sou vista como um press\u00e1gio. E n\u00e3o estou segura. \u2014 E o que ganha o reino com isso? Se o povo souber que a acolhemos sob nosso teto, isso pode nos custar caro. \u2014 N\u00e3o sou Jezabel, Majestade. N\u00e3o sou falsa profetisa. Minhas previs\u00f5es n\u00e3o falham. E trabalho para evitar que as ruins se cumpram. Previ a execu\u00e7\u00e3o de Tristan \u2014 e hoje evitei isso. Previ que Liesel seria internada num convento \u2014 e posso garantir que isso tamb\u00e9m n\u00e3o ocorrer\u00e1. Eleonore a encarou, silenciosa. Depois disse: \u2014 J\u00e1 que estamos aqui\u2026 Dizem que sempre carrega aquele baralho de tar\u00f4. Est\u00e1 com ele agora? Selmara sorriu com sutileza. Sempre carregava suas cartas. Elas tinham poder\u2026 muito mais do que Eleonore poderia imaginar at\u00e9 aquele momento. \u2014 Vossa Majestade quer saber sobre sua vida pessoal? Ou sobre os assuntos do reino? \u2014 No meu caso as duas coisas s\u00e3o a mesma coisa. Selmara se concentrou ent\u00e3o na pessoa da rainha e em Nebelheim como reino. Selmara retirou cuidadosamente tr\u00eas cartas do baralho, depositando-as uma a uma sobre a mesa de \u00e9bano. \u2014 Tr\u00eas cartas para Vossa Majestade: passado, presente e futuro. Ela virou a primeira. \u2014 O Sol.\u2014 Nebelheim j\u00e1 foi um reino glorioso. A luz do conhecimento, da colheita e da alegria reinava sobre estas terras. Vossa Majestade nasceu sob esse mesmo sol: era uma jovem com o mundo aos seus p\u00e9s, admirada por todos, destinada a um reinado luminoso.Mas a gl\u00f3ria se esvaiu com o tempo. E nem o mais forte dos s\u00f3is brilha para sempre. Eleonore manteve o semblante fechado, embora sua respira\u00e7\u00e3o pesasse levemente. Selmara virou a segunda carta. \u2014 A Lua.\u2014 Agora&#8230; tudo est\u00e1 coberto por n\u00e9voas. N\u00e3o apenas as que v\u00eam da Ilha do Norte, do vulc\u00e3o que desperta, mas tamb\u00e9m as que envolvem os cora\u00e7\u00f5es e as decis\u00f5es dentro destas muralhas.A Lua fala de incerteza, engano e temor. O povo desconfia. As planta\u00e7\u00f5es falham. Os inimigos sussurram em l\u00ednguas suaves.A senhora governa sob uma luz inst\u00e1vel, onde nada \u00e9 o que parece&#8230; e tudo pode ruir. A rainha desviou o olhar por um instante, como se sentisse na pele o frio das palavras. Selmara virou a \u00faltima carta. \u2014 A Morte.\u2014 Um trono vazio \u2014 disse Selmara. \u2014 O herdeiro jamais se sentar\u00e1 nele. A coroa de Nebelheim ser\u00e1 dissolvida, absorvida por outro reino, outro eleitorado, outra vontade.A Morte aqui n\u00e3o fala de corpos \u2014 fala de estruturas, de nomes, de t\u00edtulos.O que hoje \u00e9 Nebelheim&#8230; deixar\u00e1 de ser. O sil\u00eancio se adensou como um v\u00e9u. Selmara recolheu lentamente o baralho. As cartas haviam dito o que precisavam dizer. \u2014 Vossa Majestade me perguntou se minha presen\u00e7a traria alguma vantagem ao reino. Agora sabe: eu vejo o que ningu\u00e9m mais ousa enxergar. Eleonore n\u00e3o respondeu de imediato. Apenas encarava a carta negra como se nela visse sua pr\u00f3pria l\u00e1pide. \u2014 E voc\u00ea disse que pode evitar que as coisas ruins aconte\u00e7am. \u2014 Posso ser uma conselheira \u00fatil, Majestade. E uma conselheira discreta. N\u00e3o preciso estar nas reuni\u00f5es, se isso causar desconforto. Selmara fitava a rainha nos olhos. N\u00e3o como s\u00fadita diante da soberana. Mas como mulher diante de mulher. Uma rainha sedenta. Uma feiticeira abundante. \u2014 E se Vossa Majestade quiser \u2014 disse Selmara, erguendo-se com eleg\u00e2ncia, expondo sua silhueta \u2014 posso ser muito mais do que uma conselheira. Eleonore sentiu a tens\u00e3o no ar. Selmara n\u00e3o desviava o olhar. E a pr\u00f3pria rainha sentiu&#8230; medo. E desejo. Selmara pousou as m\u00e3os nos ombros de Eleonore, inclinou-se com suavidade e sussurrou junto \u00e0 sua orelha: \u2014 Eu sei de onde Liesel herdou toda aquela fome de prazer. Em algum momento, Vossa Majestade teve que conter esse fogo&#8230; e conseguiu.Mas comigo, Majestade, \u00e9 seguro.Voc\u00ea pode incendiar&#8230; sem queimar. Eleonore fechou os olhos. Selmara beijou-lhe a orelha. Depois, o pesco\u00e7o. \u2014 Isso \u00e9 errado \u2014 murmurou Eleonore. \u2014 Majestade\u2026 isso n\u00e3o \u00e9 nem o come\u00e7o. Selmara deslizou a m\u00e3o pelo tecido nobre, subindo com lentid\u00e3o at\u00e9 apalpar o seio da rainha por cima do vestido, deixando clara sua inten\u00e7\u00e3o \u2014 e sua autoridade sobre aquele momento. Selmara se afastou com um leve sorriso nos l\u00e1bios. Seus dedos deixaram o corpo da rainha, apenas por um instante. Voltou ao baralho sobre a mesa. \u2014 Ainda falta uma carta, Majestade. Aquela que governa todas as outras\u2026 aquela que representa o verdadeiro poder feminino. Ela retirou uma carta e virou com solenidade. Os olhos da rainha fixaram-se nela. Era A Imperatriz. \u2014 A criadora. A senhora dos prazeres e das colheitas. O ventre da terra e o trono da carne \u2014 sussurrou Selmara. \u2014 E esta noite, ela vir\u00e1 nos visitar. Eleonore recuou ligeiramente na cadeira, perplexa, mas fascinada. Selmara ergueu a carta diante de si, os dedos tocando o ar com precis\u00e3o ritual. \u2014 Exsurge, Regina Carnis et Floris. Veni, Imperatrix Arcana, et sede nobiscum in throno voluptatis. O calor da sala pareceu subir. As velas vacilaram, mesmo sem vento. E ent\u00e3o, como um sussurro no tempo, ela surgiu. Uma mulher vestida como em um sonho real tomou forma diante delas. Sua beleza era serena e exuberante, como se moldada por m\u00e3os divinas. Os cabelos desciam em ondas douradas, longos como vinhas maduras sob o sol da colheita. Os olhos, de um verde-esmeralda profundo, pareciam conter florestas inteiras em repouso. Seu corpo era pleno, generoso, com curvas que evocavam tanto fertilidade quanto poder. A pele reluzia com um dourado sutil, como se a luz filtrada pelas folhas a tivesse beijado por s\u00e9culos. Vestia uma t\u00fanica de gaze transl\u00facida, que insinuava suas formas sagradas em vez de escond\u00ea-las. Sobre ela, um manto de cetim rosa, delicado e fluido como brisa de primavera, ca\u00eda de seus ombros at\u00e9 os p\u00e9s, preso por um broche em forma de rom\u00e3. Nas costas, uma capa verde-musgo escorria como hera encantada, completando o conjunto com ares de floresta encantada e trono divino. Sobre a cabe\u00e7a, uma coroa de estrelas douradas cintilava como constela\u00e7\u00f5es fixas, firmada em sua cabeleira loira. Em uma das m\u00e3os, segurava um cetro de ouro branco com uma gema r\u00f3sea no topo \u2014 viva, pulsante como um cora\u00e7\u00e3o encantado. Havia nela uma majestade que n\u00e3o precisava ser proclamada. Ela era a Imperatriz \u2014 e tudo em sua presen\u00e7a era colheita, prazer e dom\u00ednio. A Imperatriz caminhou at\u00e9 Selmara, e a beijou intensamente nos l\u00e1bios. Depois, voltou-se para a rainha. \u2014 Gosta do que v\u00ea? Majestade. Eleonore n\u00e3o consegue conter o terror e o fasc\u00ednio. Viu o desenho de uma das cartas de tar\u00f4 se materializar numa linda mulher diante dos seus olhos. Tamb\u00e9m n\u00e3o conseguia esconder o tes\u00e3o de ver a bela Imperatriz beijando Selmara. \u2014 N\u00e3o tema, Eleonore \u2014 disse Selmara, com voz suave como \u00e1gua corrente. \u2014 Esta noite \u00e9 sua. \u00c9 para voc\u00ea florescer. Selmara se aproxima de Eleonore e tamb\u00e9m a beija. A rainha recepciona os l\u00e1bios da feiticeira, logo ap\u00f3s dela vem a Imperatriz. E Selmara observa seu triunfo, rainha e imperatriz se beijando com desejo. A tens\u00e3o no ar \u00e9 palp\u00e1vel, um fio de desejo que conecta as tr\u00eas mulheres. A Imperatriz, com um gesto lento, apoia o cetro no ch\u00e3o e estende as m\u00e3os, convidando Eleonore \u00e0 nudez. Eleonore se move, seus dedos tremendo levemente enquanto desatam as fitas de seu pr\u00f3prio corpete. O som do tecido cedendo \u00e9 tamb\u00e9m quase m\u00e1gico, cada la\u00e7o desfeito revelando mais de sua pele. Selmara observa, os olhos semicerrados, a respira\u00e7\u00e3o profunda. A rainha, t\u00e3o acostumada a comandar, agora se entrega ao ato de se despir como se fosse&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":891,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":12,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[289],"tags":[467,446,456,475,480,443,444,459,462,442,460,448,441,481,479,465,453,458,451,472,466,468,249,471,477,455,454,470,476,457,473,463,445,452,478,449,450,290,469,447,474,464,461],"class_list":["post-887","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-selmara","tag-18th-century-erotica","tag-a-imperatriz","tag-baralho-de-taro","tag-baroque-erotica","tag-candlelit-chamber","tag-casadoscontos","tag-casadoscontoseroticos","tag-cena-com-cartas-de-taro","tag-cena-erotica-ritualistica","tag-cnncontoseroticos","tag-conto-com-imperatriz","tag-conto-erotico-historico","tag-contoseroticoscnn","tag-divine-feminine-power","tag-erotic-spell-ritual","tag-erotic-tarot-reading","tag-erotismo-feminino","tag-erotismo-simbolico","tag-fantasia-sensual","tag-female-erotic-power","tag-historical-erotic-fiction","tag-holy-roman-empire","tag-invocacao-magica","tag-lesbian-ritual","tag-lesbian-spellcasting","tag-lesbianismo-nobreza","tag-magia-e-sexo","tag-magical-invocation","tag-magical-realism-erotica","tag-nebelheim","tag-noblewoman-lesbian-scene","tag-queen-eleonore","tag-rainha-eleonore","tag-ritual-lesbico","tag-royal-threesome","tag-sacro-imperio-romano-germanico","tag-seculo-18","tag-selmara","tag-sensual-fantasy","tag-taro-erotico","tag-tarot-symbolism","tag-the-empress-tarot","tag-triangulo-feminino-magico"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/imagem_2025-06-12_120958351-e1749741027570.png","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/887","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=887"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/887\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":917,"href":"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/887\/revisions\/917"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/891"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=887"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=887"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=887"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}