{"id":805,"date":"2025-06-03T15:11:51","date_gmt":"2025-06-03T18:11:51","guid":{"rendered":"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/?p=805"},"modified":"2025-12-12T11:33:22","modified_gmt":"2025-12-12T14:33:22","slug":"arcanos-do-prazer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/?p=805","title":{"rendered":"Arcanos do Prazer"},"content":{"rendered":"<p data-start=\"609\" data-end=\"759\">Era 1783,\u00a0<em data-start=\"619\" data-end=\"632\">Anno Domini<\/em>, quando os c\u00e9us se tornaram cinzentos e o nome de Selmara voltou a ser sussurrado com temor pelos l\u00e1bios rachados dos alde\u00f5es.<\/p>\n<p data-start=\"761\" data-end=\"966\">Selmara vivia naquela mesma casa, pr\u00f3xima \u00e0 floresta, quase na sa\u00edda do vilarejo a caminho do castelo de Nebelheim, reino incrustado no cora\u00e7\u00e3o do agora decadente e confuso Sacro Imp\u00e9rio Romano-Germ\u00e2nico.<\/p>\n<p data-start=\"968\" data-end=\"1275\">Os alde\u00f5es nutriam por Selmara um misto de tes\u00e3o e medo. Era uma mulher de beleza indiscut\u00edvel; seus trajes, sempre negros e ajustados ao corpo, despertavam a imagina\u00e7\u00e3o dos homens da vila. Por outro lado, diziam com convic\u00e7\u00e3o que ela praticava artes m\u00e1gicas e m\u00edsticas, e que era capaz de invocar dem\u00f4nios.<\/p>\n<p data-start=\"1277\" data-end=\"1487\">Algumas mulheres iam \u00e0s escondidas consult\u00e1-la, em busca de respostas por meio de seus or\u00e1culos. Muitas daquelas que o faziam n\u00e3o voltavam sendo as mesmas, pareciam carregar um segredo que n\u00e3o ousavam revelar.<\/p>\n<p data-start=\"1489\" data-end=\"1722\">O mais intrigante era o tempo que aquela mulher vivia ali. Mesmo com apar\u00eancia de pouco mais de vinte anos, o alde\u00e3o mais velho jurava que, ainda crian\u00e7a, j\u00e1 a via habitando aquela mesma casa, com a mesma beleza e juventude de agora.<\/p>\n<p data-start=\"1724\" data-end=\"1904\">Mas foi nessa mistura de desejo e temor que Selmara permaneceu em sua morada. Os alde\u00f5es a admiravam e buscavam seus dons divinat\u00f3rios, ainda que temessem seu suposto poder oculto.<\/p>\n<p data-start=\"1906\" data-end=\"1946\">Agora, por\u00e9m, os c\u00e9us haviam escurecido.<\/p>\n<p data-start=\"1948\" data-end=\"2261\">Selmara sabia \u2014 por intui\u00e7\u00e3o e pelos pr\u00f3prios or\u00e1culos, que aquilo era apenas o in\u00edcio. O inverno seria mais rigoroso que o normal. O ver\u00e3o, inexistente. As colheitas minguariam. E o medo dos alde\u00f5es, inflamado pela supersti\u00e7\u00e3o, inevitavelmente se voltaria contra ela, embora nada tivesse a ver com a calamidade.<\/p>\n<p data-start=\"2263\" data-end=\"2326\">Temia por sua seguran\u00e7a, sim, mas enfrentaria tudo com altivez.<\/p>\n<p data-start=\"2328\" data-end=\"2560\">Acostumada a prever o futuro, n\u00e3o se surpreendeu quando carro e cavalos pararam \u00e0 sua porta e soldados reais a convidaram a acompanh\u00e1-los. Reuniu seus poucos pertences, incluindo seu baralho de tar\u00f4, e entrou na carruagem escoltada.<\/p>\n<p data-start=\"2562\" data-end=\"2740\">A surpresa, por\u00e9m, veio quando percebeu que n\u00e3o se dirigiam a uma igreja ou tribunal \u2014 o carro seguiu em dire\u00e7\u00e3o ao castelo, adentrando discretamente por um dos port\u00f5es laterais.<\/p>\n<p data-start=\"2742\" data-end=\"3067\">Dentro do castelo, foi guiada por uma mucama atrav\u00e9s de corredores silenciosos. E logo percebeu: estava nas c\u00e2maras de dormir da realeza. A mucama abriu um dos aposentos e pediu para que Selmara entrasse. L\u00e1 dentro, viu uma bela jovem, na casa dos vinte anos, com olhos inocentes e curiosos. Presumiu que fosse uma das princesas.<\/p>\n<p data-start=\"3069\" data-end=\"3128\">\u2014\u00a0Vossa alteza deve ser a princesa Liesel. \u2014 disse Selmara.<\/p>\n<p data-start=\"3130\" data-end=\"3147\">\u2014 Como adivinhou?<\/p>\n<p data-start=\"3149\" data-end=\"3321\">\u2014 Sei que estou nos aposentos reais do castelo de Nebelheim. Vossa Alteza tem a idade de ser a mais jovem dos tr\u00eas filhos da Rainha-M\u00e3e Eleonore: Leopoldo, Teresa e Liesel.<\/p>\n<p data-start=\"3323\" data-end=\"3369\">\u2014 Que bom que \u00e9 bem informada sobre a realeza.<\/p>\n<p data-start=\"3371\" data-end=\"3465\">\u2014 O que eu n\u00e3o souber por mim mesma, as cartas revelar\u00e3o. \u2014 respondeu Selmara, de forma s\u00e9ria.<\/p>\n<p data-start=\"3467\" data-end=\"3568\">\u2014 Quantos anos voc\u00ea tem? \u2014 perguntou Liesel. \u2014 Dizem que voc\u00ea j\u00e1 existe h\u00e1 s\u00e9culos, pr\u00f3xima \u00e0 aldeia.<\/p>\n<p data-start=\"3570\" data-end=\"3768\">\u2014 Sinceramente, alteza, creio que seus soldados n\u00e3o me escoltaram at\u00e9 aqui para que perguntasse sobre mim. \u2014 respondeu Selmara, abruptamente. \u2014 Creio que \u00e9 sobre sua pr\u00f3pria vida que quer perguntar.<\/p>\n<p data-start=\"3770\" data-end=\"3868\">Liesel corou. Sentou-se \u00e0 mesa pr\u00f3xima \u00e0 cama, convidando Selmara a fazer o mesmo. Respirou fundo.<\/p>\n<p data-start=\"3870\" data-end=\"3948\">\u2014 Tristan&#8230; \u2014 balbuciou Liesel. \u2014 Quero saber se Tristan seria um bom esposo.<\/p>\n<p data-start=\"3950\" data-end=\"4078\">Selmara embaralhou as cartas, concentrando-se para canalizar seu poder. As cartas diriam tudo o que Liesel n\u00e3o ousava confessar.<\/p>\n<p data-start=\"4080\" data-end=\"4168\">\u2014\u00a0<em data-start=\"4082\" data-end=\"4096\">A Estrela&#8230;<\/em>\u00a0esperan\u00e7a ing\u00eanua. Entrega antes do tempo. Ela foi sincera. Ele&#8230; n\u00e3o.<\/p>\n<p data-start=\"4170\" data-end=\"4237\">Liesel assistia \u00e0 leitura com apreens\u00e3o. Selmara tirou outra carta:<\/p>\n<p data-start=\"4239\" data-end=\"4303\">\u2014\u00a0<em data-start=\"4241\" data-end=\"4251\">O Diabo.<\/em>\u00a0Ele exp\u00f4s o Reino \u2014 e a Rainha. N\u00e3o apenas a filha.<\/p>\n<p data-start=\"4305\" data-end=\"4350\">Liesel estava pr\u00f3xima do choque. Outra carta:<\/p>\n<p data-start=\"4352\" data-end=\"4424\">\u2014\u00a0<em data-start=\"4354\" data-end=\"4365\">A Justi\u00e7a<\/em>\u00a0n\u00e3o ouve o cora\u00e7\u00e3o. Ela corta para restaurar o equil\u00edbrio.<\/p>\n<p data-start=\"4426\" data-end=\"4471\">\u2014 O que isso quer dizer? \u2014 questionou Liesel.<\/p>\n<p data-start=\"4473\" data-end=\"4763\">\u2014 N\u00e3o foi boa ideia, alteza, entregar-se a um soldado de baixa patente. \u2014 prosseguiu Selmara. \u2014 Tristan a viu como um pr\u00eamio. Foi indiscreto. A noite de amor de voc\u00eas foi exposta em conversas de bar que chegaram aos ouvidos de sua m\u00e3e. Pela honra de Nebelheim&#8230; ele ser\u00e1 preso e executado.<\/p>\n<p data-start=\"4765\" data-end=\"4845\">\u2014 Isso \u00e9 horr\u00edvel! \u2014 disse Liesel. \u2014 Ele n\u00e3o pode ter feito isso. N\u00e3o h\u00e1 engano?<\/p>\n<p data-start=\"4847\" data-end=\"4878\">\u2014 As cartas n\u00e3o mentem, alteza.<\/p>\n<p data-start=\"4880\" data-end=\"4947\">\u2014 Que desgra\u00e7a! Como ser\u00e1 meu futuro? Vou me casar com quem, ent\u00e3o?<\/p>\n<p data-start=\"4949\" data-end=\"4971\">\u2014 Podemos ver, alteza.<\/p>\n<p data-start=\"4973\" data-end=\"5070\">Selmara embaralhou novamente as cartas, desta vez para enxergar o futuro de Liesel von Nebelheim.<\/p>\n<p data-start=\"5072\" data-end=\"5241\">\u2014\u00a0<em data-start=\"5074\" data-end=\"5090\">Os Enamorados.<\/em>\u00a0Voc\u00ea queima como vinho deixado ao sol. Toma amantes como quem respira. Homens e mulheres. Tristan de longe n\u00e3o foi o primeiro. E voc\u00ea n\u00e3o sente culpa.<\/p>\n<p data-start=\"5243\" data-end=\"5415\">Liesel se surpreendeu. Selmara sabia de suas aventuras \u2014 segredos que julgava inalcan\u00e7\u00e1veis. Ela corou, pensou em negar, mas percebeu que n\u00e3o adiantaria. Desarmada, sorriu.<\/p>\n<p data-start=\"5417\" data-end=\"5431\">\u2014 Isso \u00e9 ruim?<\/p>\n<p data-start=\"5433\" data-end=\"5470\">Selmara apenas virou a pr\u00f3xima carta.<\/p>\n<p data-start=\"5472\" data-end=\"5751\">\u2014\u00a0<em data-start=\"5474\" data-end=\"5490\">A Sacerdotisa.<\/em> Suas aventuras n\u00e3o passar\u00e3o despercebidas. Vossa Alteza n\u00e3o ir\u00e1 casar. A Rainha-M\u00e3e ir\u00e1 tratar seu inc\u00eandio de desejo internando-a num convento. Ser\u00e1 feita um exemplo \u2014 para inspirar as mulheres do reino. E para evitar novos esc\u00e2ndalos. N\u00e3o ter\u00e1 nenhuma coroa.<\/p>\n<p data-start=\"5753\" data-end=\"5809\">Liesel arregalou os olhos. Selmara virou a \u00faltima carta:<\/p>\n<p data-start=\"5811\" data-end=\"5997\">\u2014\u00a0<em data-start=\"5813\" data-end=\"5821\">A Lua.<\/em>\u00a0Haver\u00e1 votos de castidade. Sim. Mas votos&#8230; podem ser quebrados. Seus desejos n\u00e3o cessar\u00e3o. Ser\u00e3o apenas redirecionados. E trar\u00e3o \u00e0s novi\u00e7as noites de prazer, pecado e culpa.<\/p>\n<p data-start=\"369\" data-end=\"423\">Liesel olhou para Selmara, boquiaberta, sem esperan\u00e7a.<\/p>\n<p data-start=\"425\" data-end=\"471\">\u2014 O meu futuro ser\u00e1 assim? Ou pode ser mudado?<\/p>\n<p data-start=\"473\" data-end=\"526\">\u2014 O futuro pode ser mudado, alteza. E posso ajud\u00e1-la.<\/p>\n<p data-start=\"528\" data-end=\"535\">Selmara se levantou, caminhando com calma at\u00e9 Liesel, que permanecia sentada. Pousou as m\u00e3os sobre os ombros da princesa, acariciando-os de leve com os dedos, como se lesse um texto invis\u00edvel.<\/p>\n<p data-start=\"731\" data-end=\"885\">\u2014 \u00c9 preciso conter o fogo do seu desejo, alteza. \u2014 Murmurou, aproximando os l\u00e1bios do ouvido de Liesel. \u2014 \u00c9 o seu desejo intenso que causa seus problemas.<\/p>\n<p data-start=\"887\" data-end=\"938\">Liesel franziu a testa, entre inquieta e intrigada.<\/p>\n<p data-start=\"940\" data-end=\"969\">\u2014 E como pretende fazer isso?<\/p>\n<p data-start=\"971\" data-end=\"1175\">Selmara n\u00e3o respondeu de imediato. Apenas deslizou as m\u00e3os pela nuca da princesa, depois pelos bra\u00e7os, descendo em movimentos lentos e cont\u00ednuos. Suas unhas curvavam-se em toques suaves, quase magn\u00e9ticos.<\/p>\n<p data-start=\"1177\" data-end=\"1242\">\u2014 Seu corpo n\u00e3o quer o que a sua mente teme, alteza. \u2014 sussurrou.<\/p>\n<p data-start=\"1244\" data-end=\"1536\">Liesel fechou os olhos. Um calafrio percorreu-lhe a espinha. Havia algo no toque de Selmara que era diferente de tudo que sentira com os soldados, ou mesmo com as mucamas. Um calor estranho, vertiginoso. N\u00e3o sabia se era magia ou desejo \u2014 ou se havia, de fato, alguma diferen\u00e7a entre os dois.<\/p>\n<p data-start=\"1538\" data-end=\"1637\">Selmara ent\u00e3o se ajoelhou diante dela, mantendo o olhar fixo, firme, como quem d\u00e1 in\u00edcio a um rito.<\/p>\n<p data-start=\"1639\" data-end=\"1833\">Vagarosamente, sem dizer palavra, afastou-lhe as pernas. Com precis\u00e3o cerimonial, levou os dedos \u00e0s roupas \u00edntimas da princesa e as afastou sem cerim\u00f4nia, expondo sua carne \u00e0 penumbra do quarto.<\/p>\n<p data-start=\"1835\" data-end=\"1916\">E ent\u00e3o come\u00e7ou a chupar-lhe a buceta com a devo\u00e7\u00e3o de quem l\u00ea um salmo proibido.<\/p>\n<p data-start=\"1918\" data-end=\"1973\">Liesel foi tomada por horror \u2014 e ainda mais por prazer.<\/p>\n<p data-start=\"1975\" data-end=\"2013\">\u2014 Sua bruxa insolente&#8230; como ousa&#8230;?<\/p>\n<p data-start=\"2015\" data-end=\"2277\">Os l\u00e1bios dela pronunciavam insultos, mas o corpo tra\u00eda. Sua buceta se tornava melada de tanto tes\u00e3o. A l\u00edngua de Selmara explorava com precis\u00e3o cada ponto, cada dobra, cada vibra\u00e7\u00e3o. Ela era uma mestra do sexo, e sabia exatamente como provocar, olhar e dominar.<\/p>\n<p data-start=\"2279\" data-end=\"2385\">A princesa arqueava-se sobre a cadeira. Gemia. At\u00e9 que finalmente chegou a seu cl\u00edmax.<\/p>\n<p data-start=\"734\" data-end=\"881\">A luz das velas vacilava, tingindo o teto com sombras l\u00edquidas. Liesel ainda ofegava, as coxas tr\u00eamulas, o corpo entorpecido pelo toque de Selmara.<\/p>\n<p data-start=\"883\" data-end=\"967\">\u2014 \u00c9 isso? \u2014 perguntou Liesel. \u2014 Toda vez que eu sentir desejo, voc\u00ea vai fazer assim?<\/p>\n<p data-start=\"969\" data-end=\"1092\">\u2014 Sejamos francas, alteza. \u2014 disse Selmara com um meio sorriso. \u2014 Isso foi apenas um aperitivo. Mas sua fome \u00e9 de banquete.<\/p>\n<p data-start=\"1094\" data-end=\"1204\">Ela pegou a carta dos Enamorados entre os dedos e ergueu-a na altura do cora\u00e7\u00e3o, murmurando em tom cerimonial:<\/p>\n<p data-start=\"1094\" data-end=\"1204\"><strong data-start=\"1208\" data-end=\"1284\">\u2014 Gemellus, vultus unius, corda duplicata&#8230; apparere, amare, consumare.<\/strong><\/p>\n<p data-start=\"1286\" data-end=\"1526\">A carta brilhou com uma luz p\u00farpura e dourada. Do ch\u00e3o, subiu uma n\u00e9voa espessa e morna. Liesel tentou se levantar, mas seu corpo n\u00e3o respondeu. N\u00e3o de medo \u2014 mas de um arrepio que a paralisava, como se seu pr\u00f3prio sexo estivesse em transe.<\/p>\n<p data-start=\"1528\" data-end=\"1560\">Da n\u00e9voa, emergiram dois corpos.<\/p>\n<p data-start=\"1562\" data-end=\"1591\"><strong data-start=\"1562\" data-end=\"1591\">G\u00eameos. M\u00e1sculos. Fortes.<\/strong><\/p>\n<p data-start=\"1593\" data-end=\"1808\">Ambos trajavam t\u00fanicas douradas drapeadas sobre ombros largos e peitorais esculpidos. Tinham cabelos longos presos em n\u00f3s rituais, olhos escuros como \u00f4nix e mand\u00edbulas marcadas como est\u00e1tuas vivas de deuses antigos.<\/p>\n<p data-start=\"1810\" data-end=\"1901\">No centro, seguravam juntos uma esfera de luz dourada \u2014 palpitante como um cora\u00e7\u00e3o ardente.<\/p>\n<p data-start=\"1903\" data-end=\"1933\">Liesel mal conseguia respirar.<\/p>\n<p data-start=\"2119\" data-end=\"2340\">Um dos g\u00eameos se aproximou com passos lentos e firmes. Passou os dedos pelos cabelos de Liesel, ainda \u00famidos de suor, inclinando-se para beij\u00e1-la no pesco\u00e7o. O outro posicionou-se atr\u00e1s dela, ajoelhando-se com rever\u00eancia.<\/p>\n<p data-start=\"2342\" data-end=\"2380\">\u2014 Voc\u00ea \u00e9 feita para ser adorada, princesa. \u2014 disse Selmara \u2014 Tocada em simult\u00e2neo, possu\u00edda em espelho.<\/p>\n<p data-start=\"2477\" data-end=\"2694\">Selmara recuou e sentou-se em uma poltrona de veludo escuro, com as pernas cruzadas, observando como quem preside um ritual antigo. Seus olhos brilhavam. Um leve toque entre as pernas denunciava seu prazer silencioso.<\/p>\n<p data-start=\"2696\" data-end=\"2980\">Os g\u00eameos come\u00e7aram a despi-la. A t\u00fanica escorregou pelos ombros de Liesel como se cedesse \u00e0 gravidade do desejo. Seus seios estavam \u00e0 mostra, os mamilos rijos. Um dos irm\u00e3os beijou-os devagar, enquanto o outro puxava sua cintura para mais perto, ro\u00e7ando a boca na base de sua coluna.<\/p>\n<p data-start=\"2982\" data-end=\"3141\">O primeiro ergueu Liesel no colo, e o segundo a segurou pelas coxas abertas. No ar, ela parecia flutuar \u2014 sustentada por bra\u00e7os fortes, envolta em calor e luz.<\/p>\n<p data-start=\"3143\" data-end=\"3238\">Eles a tocaram como se fosse oferenda. Como se cada gemido fosse parte de uma ladainha profana.<\/p>\n<p data-start=\"3240\" data-end=\"3261\">E Liesel se entregou.<\/p>\n<p data-start=\"411\" data-end=\"655\">Liesel estava suspensa entre os dois corpos, como uma prece viva no altar do desejo. Os g\u00eameos a seguravam com naturalidade e devo\u00e7\u00e3o \u2014 um pela cintura, o outro pelas coxas \u2014 como se suas for\u00e7as tivessem sido moldadas apenas para aquela tarefa.<\/p>\n<p data-start=\"657\" data-end=\"913\">O primeiro g\u00eameo, de olhos sombrios e intensos, ro\u00e7ava os l\u00e1bios pela pele da princesa, subindo da clav\u00edcula at\u00e9 o queixo, enquanto o outro, posicionado atr\u00e1s dela, mordiscava sua nuca com precis\u00e3o, fazendo seu corpo estremecer como corda tensa de violino.<\/p>\n<p data-start=\"915\" data-end=\"1162\">Selmara, sentada \u00e0 curta dist\u00e2ncia, observava em completo sil\u00eancio. Seus olhos refletiam a luz da esfera dourada entre os g\u00eameos, e seus dedos, agora discretamente entre as pernas, deslizavam em ritmo calmo \u2014 n\u00e3o por necessidade, mas por comunh\u00e3o.<\/p>\n<p data-start=\"1164\" data-end=\"1410\">Liesel arfava, as pernas tr\u00eamulas, o corpo entregue sem resist\u00eancia. Um dos g\u00eameos se ajoelhou com ela no colo, deitando-a suavemente sobre o tapete de veludo. O outro ajoelhou-se ao lado, acariciando seu rosto com o dorso da m\u00e3o. A princesa teve seu desejo intenso ati\u00e7ado, as pernas se abriram,\u00a0 naturalmente, um convite instintivo e urgente.<\/p>\n<p data-start=\"1670\" data-end=\"1845\">O primeiro g\u00eameo posicionou-se entre suas coxas e a penetrou de uma s\u00f3 vez \u2014 lento, profundo, absoluto. Liesel arqueou o corpo, soltando um gemido agudo que ecoou pela c\u00e2mara.<\/p>\n<p data-start=\"1847\" data-end=\"2024\">O segundo g\u00eameo deitou-se atr\u00e1s dela, puxando-a levemente pela cintura, acariciando-lhe os seios enquanto sua boca explorava o pesco\u00e7o, depois a orelha, depois a curva do ombro.<\/p>\n<p data-start=\"2026\" data-end=\"2154\">Selmara levantou-se do div\u00e3 e se aproximou sem pressa..<\/p>\n<p data-start=\"2262\" data-end=\"2508\">O g\u00eameo entre suas pernas aumentou o ritmo, com investidas ritmadas, firmes, ora lentas e profundas, ora r\u00e1pidas e desesperadas. O outro alternava entre beijos e palavras baixas ao ouvido de Liesel, como se conhecesse seus pensamentos antes dela.<\/p>\n<p data-start=\"2510\" data-end=\"2730\">O suor escorria pelos corpos. O cheiro de incenso se misturava ao do sexo. As velas tremiam com os movimentos do sexo. Liesel sentia-se cheia, viva, como se cada cent\u00edmetro de seu corpo estivesse em ora\u00e7\u00e3o pelo prazer.<\/p>\n<p data-start=\"2732\" data-end=\"2888\">Ent\u00e3o, sem aviso, o g\u00eameo de tr\u00e1s se aproximou mais. Deslizou um dedo por sua fenda, lambuzando-se nos pr\u00f3prios sucos dela, e guiou-se para a outra entrada. Quando a penetrou por tr\u00e1s, com firmeza e cuidado, Liesel gritou \u2014 mas n\u00e3o de dor. Era espanto. \u00caxtase. Ela jamais havia sido tocada assim, com tanta for\u00e7a e ao mesmo tempo com tanta rever\u00eancia.<\/p>\n<p data-start=\"3139\" data-end=\"3222\">Dois homens. Dois ritmos. Um s\u00f3 corpo entre eles.<br data-start=\"3188\" data-end=\"3191\" \/>E no centro\u2026 o prazer absoluto.<\/p>\n<p data-start=\"569\" data-end=\"859\">Selmara tocou o s\u00edmbolo dos\u00a0<em data-start=\"597\" data-end=\"609\">Enamorados<\/em>\u00a0no ch\u00e3o com a ponta do dedo. A luz da esfera entre os g\u00eameos pulsava em sincronia com os gemidos da princesa. E ent\u00e3o, no \u00e1pice do movimento conjunto, quando ambos se enterraram ao mesmo tempo dentro dela \u2014 o orgasmo veio como uma tempestade quente.<\/p>\n<p data-start=\"861\" data-end=\"918\">Liesel gritou.<\/p>\n<p data-start=\"920\" data-end=\"1160\">Selmara ergueu-se lentamente, como se o pr\u00f3prio quarto respirasse com ela. Soltou o la\u00e7o de sua t\u00fanica negra, que escorregou pelo corpo at\u00e9 seus p\u00e9s. Nua, de pele p\u00e1lida e curvas imut\u00e1veis, ela caminhou entre os tr\u00eas como um animal sagrado.<\/p>\n<p data-start=\"1162\" data-end=\"1224\">Os g\u00eameos se ajoelharam, como se reconhecessem sua hierarquia.<\/p>\n<p data-start=\"1226\" data-end=\"1424\">Selmara se deitou ao lado de Liesel, puxando-a suavemente para si. Seus seios se tocaram. Suas coxas se encontraram. Passou os dedos entre as pernas da princesa, ainda \u00famida, ainda tremendo.<\/p>\n<p data-start=\"1512\" data-end=\"1660\">Com um gesto, fez um dos g\u00eameos se posicionar atr\u00e1s dela. O outro, diante de Liesel. E entre ambas, Selmara segurou a cabe\u00e7a da princesa e a beijou.<\/p>\n<p data-start=\"1662\" data-end=\"1706\">Um beijo profundo, quente, cheio de comando.<\/p>\n<p data-start=\"1708\" data-end=\"1976\">Enquanto isso, os g\u00eameos penetravam ambas \u2014 o primeiro, em Selmara, com for\u00e7a lenta e majestosa; o segundo, na boca de Liesel, que o recebia como se fosse vinho ritual. As m\u00e3os de Selmara apertavam os quadris de Liesel, guiando seu ritmo, for\u00e7ando sua boca mais fundo.<\/p>\n<p data-start=\"1978\" data-end=\"2124\">\u2014 Isso, minha pequena herdeira do caos\u2026 \u2014 murmurou Selmara, arqueando-se de prazer. \u2014 Aprenda com os arcanos o que nunca te ensinaram no convento.<\/p>\n<p data-start=\"2126\" data-end=\"2328\">Selmara gozou primeiro, com um grito que parecia uma palavra em latim antigo. Liesel veio logo depois, engolindo o prazer do g\u00eameo com l\u00e1grimas nos olhos e o corpo convulsionando entre beijos e gemidos.<\/p>\n<p data-start=\"2330\" data-end=\"2431\">Quando a luz dourada da esfera se apagou, os g\u00eameos desapareceram como fuma\u00e7a que retorna ao baralho.<\/p>\n<p data-start=\"2433\" data-end=\"2525\">Selmara, nua, sentou-se ao lado da princesa, afagando-lhe os cabelos, ambas ainda ofegantes.<\/p>\n<p data-start=\"2527\" data-end=\"2578\">\u2014 Agora sim, alteza\u2026 sua inicia\u00e7\u00e3o est\u00e1 completa.<\/p>\n<hr \/>\n<p data-start=\"2527\" data-end=\"2578\">Liesel e Selmara ficaram horas deitadas, nuas, na cama abra\u00e7adas. Liesel se sentia plenamente saciada&#8230; por enquanto.<\/p>\n<p data-start=\"2527\" data-end=\"2578\">\u2014 \u00c9 esse o plano? Sempre que eu sentir vontade, voc\u00ea far\u00e1 a magia com a carta e&#8230; acontecer\u00e1.<\/p>\n<p data-start=\"2527\" data-end=\"2578\">\u2014 Sim, e reconhe\u00e7a que \u00e9 um \u00f3timo plano, princesa.<\/p>\n<p data-start=\"2527\" data-end=\"2578\">\u2014 O que quer em troca? \u2014 disse Liesel.<\/p>\n<p data-start=\"2527\" data-end=\"2578\">\u2014 Prote\u00e7\u00e3o, Alteza. \u2014 respondeu Selmara. \u2014 Com a grande n\u00e9voa cobrindo o sol a aldeia n\u00e3o \u00e9 mais\u00a0 um lugar seguro pra mim.<\/p>\n<p data-start=\"2527\" data-end=\"2578\">\u2014 Ent\u00e3o vai ser assim \u2014 disse Liesel \u2014 eu te protejo do mundo l\u00e1 fora&#8230; e voc\u00ea me protege de mim.<\/p>\n<p data-start=\"2527\" data-end=\"2578\">\u2014 De acordo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era 1783,\u00a0Anno Domini, quando os c\u00e9us se tornaram cinzentos e o nome de Selmara voltou a ser sussurrado com temor pelos l\u00e1bios rachados dos alde\u00f5es. Selmara vivia naquela mesma casa, pr\u00f3xima \u00e0 floresta, quase na sa\u00edda do vilarejo a caminho do castelo de Nebelheim, reino incrustado no cora\u00e7\u00e3o do agora decadente e confuso Sacro Imp\u00e9rio Romano-Germ\u00e2nico. Os alde\u00f5es nutriam por Selmara um misto de tes\u00e3o e medo. Era uma mulher de beleza indiscut\u00edvel; seus trajes, sempre negros e ajustados ao corpo, despertavam a imagina\u00e7\u00e3o dos homens da vila. Por outro lado, diziam com convic\u00e7\u00e3o que ela praticava artes m\u00e1gicas e m\u00edsticas, e que era capaz de invocar dem\u00f4nios. Algumas mulheres iam \u00e0s escondidas consult\u00e1-la, em busca de respostas por meio de seus or\u00e1culos. Muitas daquelas que o faziam n\u00e3o voltavam sendo as mesmas, pareciam carregar um segredo que n\u00e3o ousavam revelar. O mais intrigante era o tempo que aquela mulher vivia ali. Mesmo com apar\u00eancia de pouco mais de vinte anos, o alde\u00e3o mais velho jurava que, ainda crian\u00e7a, j\u00e1 a via habitando aquela mesma casa, com a mesma beleza e juventude de agora. Mas foi nessa mistura de desejo e temor que Selmara permaneceu em sua morada. Os alde\u00f5es a admiravam e buscavam seus dons divinat\u00f3rios, ainda que temessem seu suposto poder oculto. Agora, por\u00e9m, os c\u00e9us haviam escurecido. Selmara sabia \u2014 por intui\u00e7\u00e3o e pelos pr\u00f3prios or\u00e1culos, que aquilo era apenas o in\u00edcio. O inverno seria mais rigoroso que o normal. O ver\u00e3o, inexistente. As colheitas minguariam. E o medo dos alde\u00f5es, inflamado pela supersti\u00e7\u00e3o, inevitavelmente se voltaria contra ela, embora nada tivesse a ver com a calamidade. Temia por sua seguran\u00e7a, sim, mas enfrentaria tudo com altivez. Acostumada a prever o futuro, n\u00e3o se surpreendeu quando carro e cavalos pararam \u00e0 sua porta e soldados reais a convidaram a acompanh\u00e1-los. Reuniu seus poucos pertences, incluindo seu baralho de tar\u00f4, e entrou na carruagem escoltada. A surpresa, por\u00e9m, veio quando percebeu que n\u00e3o se dirigiam a uma igreja ou tribunal \u2014 o carro seguiu em dire\u00e7\u00e3o ao castelo, adentrando discretamente por um dos port\u00f5es laterais. Dentro do castelo, foi guiada por uma mucama atrav\u00e9s de corredores silenciosos. E logo percebeu: estava nas c\u00e2maras de dormir da realeza. A mucama abriu um dos aposentos e pediu para que Selmara entrasse. L\u00e1 dentro, viu uma bela jovem, na casa dos vinte anos, com olhos inocentes e curiosos. Presumiu que fosse uma das princesas. \u2014\u00a0Vossa alteza deve ser a princesa Liesel. \u2014 disse Selmara. \u2014 Como adivinhou? \u2014 Sei que estou nos aposentos reais do castelo de Nebelheim. Vossa Alteza tem a idade de ser a mais jovem dos tr\u00eas filhos da Rainha-M\u00e3e Eleonore: Leopoldo, Teresa e Liesel. \u2014 Que bom que \u00e9 bem informada sobre a realeza. \u2014 O que eu n\u00e3o souber por mim mesma, as cartas revelar\u00e3o. \u2014 respondeu Selmara, de forma s\u00e9ria. \u2014 Quantos anos voc\u00ea tem? \u2014 perguntou Liesel. \u2014 Dizem que voc\u00ea j\u00e1 existe h\u00e1 s\u00e9culos, pr\u00f3xima \u00e0 aldeia. \u2014 Sinceramente, alteza, creio que seus soldados n\u00e3o me escoltaram at\u00e9 aqui para que perguntasse sobre mim. \u2014 respondeu Selmara, abruptamente. \u2014 Creio que \u00e9 sobre sua pr\u00f3pria vida que quer perguntar. Liesel corou. Sentou-se \u00e0 mesa pr\u00f3xima \u00e0 cama, convidando Selmara a fazer o mesmo. Respirou fundo. \u2014 Tristan&#8230; \u2014 balbuciou Liesel. \u2014 Quero saber se Tristan seria um bom esposo. Selmara embaralhou as cartas, concentrando-se para canalizar seu poder. As cartas diriam tudo o que Liesel n\u00e3o ousava confessar. \u2014\u00a0A Estrela&#8230;\u00a0esperan\u00e7a ing\u00eanua. Entrega antes do tempo. Ela foi sincera. Ele&#8230; n\u00e3o. Liesel assistia \u00e0 leitura com apreens\u00e3o. Selmara tirou outra carta: \u2014\u00a0O Diabo.\u00a0Ele exp\u00f4s o Reino \u2014 e a Rainha. N\u00e3o apenas a filha. Liesel estava pr\u00f3xima do choque. Outra carta: \u2014\u00a0A Justi\u00e7a\u00a0n\u00e3o ouve o cora\u00e7\u00e3o. Ela corta para restaurar o equil\u00edbrio. \u2014 O que isso quer dizer? \u2014 questionou Liesel. \u2014 N\u00e3o foi boa ideia, alteza, entregar-se a um soldado de baixa patente. \u2014 prosseguiu Selmara. \u2014 Tristan a viu como um pr\u00eamio. Foi indiscreto. A noite de amor de voc\u00eas foi exposta em conversas de bar que chegaram aos ouvidos de sua m\u00e3e. Pela honra de Nebelheim&#8230; ele ser\u00e1 preso e executado. \u2014 Isso \u00e9 horr\u00edvel! \u2014 disse Liesel. \u2014 Ele n\u00e3o pode ter feito isso. N\u00e3o h\u00e1 engano? \u2014 As cartas n\u00e3o mentem, alteza. \u2014 Que desgra\u00e7a! Como ser\u00e1 meu futuro? Vou me casar com quem, ent\u00e3o? \u2014 Podemos ver, alteza. Selmara embaralhou novamente as cartas, desta vez para enxergar o futuro de Liesel von Nebelheim. \u2014\u00a0Os Enamorados.\u00a0Voc\u00ea queima como vinho deixado ao sol. Toma amantes como quem respira. Homens e mulheres. Tristan de longe n\u00e3o foi o primeiro. E voc\u00ea n\u00e3o sente culpa. Liesel se surpreendeu. Selmara sabia de suas aventuras \u2014 segredos que julgava inalcan\u00e7\u00e1veis. Ela corou, pensou em negar, mas percebeu que n\u00e3o adiantaria. Desarmada, sorriu. \u2014 Isso \u00e9 ruim? Selmara apenas virou a pr\u00f3xima carta. \u2014\u00a0A Sacerdotisa. Suas aventuras n\u00e3o passar\u00e3o despercebidas. Vossa Alteza n\u00e3o ir\u00e1 casar. A Rainha-M\u00e3e ir\u00e1 tratar seu inc\u00eandio de desejo internando-a num convento. Ser\u00e1 feita um exemplo \u2014 para inspirar as mulheres do reino. E para evitar novos esc\u00e2ndalos. N\u00e3o ter\u00e1 nenhuma coroa. Liesel arregalou os olhos. Selmara virou a \u00faltima carta: \u2014\u00a0A Lua.\u00a0Haver\u00e1 votos de castidade. Sim. Mas votos&#8230; podem ser quebrados. Seus desejos n\u00e3o cessar\u00e3o. Ser\u00e3o apenas redirecionados. E trar\u00e3o \u00e0s novi\u00e7as noites de prazer, pecado e culpa. Liesel olhou para Selmara, boquiaberta, sem esperan\u00e7a. \u2014 O meu futuro ser\u00e1 assim? Ou pode ser mudado? \u2014 O futuro pode ser mudado, alteza. E posso ajud\u00e1-la. Selmara se levantou, caminhando com calma at\u00e9 Liesel, que permanecia sentada. Pousou as m\u00e3os sobre os ombros da princesa, acariciando-os de leve com os dedos, como se lesse um texto invis\u00edvel. \u2014 \u00c9 preciso conter o fogo do seu desejo, alteza. \u2014 Murmurou, aproximando os l\u00e1bios do ouvido de Liesel. \u2014 \u00c9 o seu desejo intenso que causa seus problemas. Liesel franziu a testa, entre inquieta e intrigada. \u2014 E como pretende fazer isso? Selmara n\u00e3o respondeu de imediato. Apenas deslizou as m\u00e3os pela nuca da princesa, depois pelos bra\u00e7os, descendo em movimentos lentos e cont\u00ednuos. Suas unhas curvavam-se em toques suaves, quase magn\u00e9ticos. \u2014 Seu corpo n\u00e3o quer o que a sua mente teme, alteza. \u2014 sussurrou. Liesel fechou os olhos. Um calafrio percorreu-lhe a espinha. Havia algo no toque de Selmara que era diferente de tudo que sentira com os soldados, ou mesmo com as mucamas. Um calor estranho, vertiginoso. N\u00e3o sabia se era magia ou desejo \u2014 ou se havia, de fato, alguma diferen\u00e7a entre os dois. Selmara ent\u00e3o se ajoelhou diante dela, mantendo o olhar fixo, firme, como quem d\u00e1 in\u00edcio a um rito. Vagarosamente, sem dizer palavra, afastou-lhe as pernas. Com precis\u00e3o cerimonial, levou os dedos \u00e0s roupas \u00edntimas da princesa e as afastou sem cerim\u00f4nia, expondo sua carne \u00e0 penumbra do quarto. E ent\u00e3o come\u00e7ou a chupar-lhe a buceta com a devo\u00e7\u00e3o de quem l\u00ea um salmo proibido. Liesel foi tomada por horror \u2014 e ainda mais por prazer. \u2014 Sua bruxa insolente&#8230; como ousa&#8230;? Os l\u00e1bios dela pronunciavam insultos, mas o corpo tra\u00eda. Sua buceta se tornava melada de tanto tes\u00e3o. A l\u00edngua de Selmara explorava com precis\u00e3o cada ponto, cada dobra, cada vibra\u00e7\u00e3o. Ela era uma mestra do sexo, e sabia exatamente como provocar, olhar e dominar. A princesa arqueava-se sobre a cadeira. Gemia. At\u00e9 que finalmente chegou a seu cl\u00edmax. A luz das velas vacilava, tingindo o teto com sombras l\u00edquidas. Liesel ainda ofegava, as coxas tr\u00eamulas, o corpo entorpecido pelo toque de Selmara. \u2014 \u00c9 isso? \u2014 perguntou Liesel. \u2014 Toda vez que eu sentir desejo, voc\u00ea vai fazer assim? \u2014 Sejamos francas, alteza. \u2014 disse Selmara com um meio sorriso. \u2014 Isso foi apenas um aperitivo. Mas sua fome \u00e9 de banquete. Ela pegou a carta dos Enamorados entre os dedos e ergueu-a na altura do cora\u00e7\u00e3o, murmurando em tom cerimonial: \u2014 Gemellus, vultus unius, corda duplicata&#8230; apparere, amare, consumare. A carta brilhou com uma luz p\u00farpura e dourada. Do ch\u00e3o, subiu uma n\u00e9voa espessa e morna. Liesel tentou se levantar, mas seu corpo n\u00e3o respondeu. N\u00e3o de medo \u2014 mas de um arrepio que a paralisava, como se seu pr\u00f3prio sexo estivesse em transe. Da n\u00e9voa, emergiram dois corpos. G\u00eameos. M\u00e1sculos. Fortes. Ambos trajavam t\u00fanicas douradas drapeadas sobre ombros largos e peitorais esculpidos. Tinham cabelos longos presos em n\u00f3s rituais, olhos escuros como \u00f4nix e mand\u00edbulas marcadas como est\u00e1tuas vivas de deuses antigos. No centro, seguravam juntos uma esfera de luz dourada \u2014 palpitante como um cora\u00e7\u00e3o ardente. Liesel mal conseguia respirar. Um dos g\u00eameos se aproximou com passos lentos e firmes. Passou os dedos pelos cabelos de Liesel, ainda \u00famidos de suor, inclinando-se para beij\u00e1-la no pesco\u00e7o. O outro posicionou-se atr\u00e1s dela, ajoelhando-se com rever\u00eancia. \u2014 Voc\u00ea \u00e9 feita para ser adorada, princesa. \u2014 disse Selmara \u2014 Tocada em simult\u00e2neo, possu\u00edda em espelho. Selmara recuou e sentou-se em uma poltrona de veludo escuro, com as pernas cruzadas, observando como quem preside um ritual antigo. Seus olhos brilhavam. Um leve toque entre as pernas denunciava seu prazer silencioso. Os g\u00eameos come\u00e7aram a despi-la. A t\u00fanica escorregou pelos ombros de Liesel como se cedesse \u00e0 gravidade do desejo. Seus seios estavam \u00e0 mostra, os mamilos rijos. Um dos irm\u00e3os beijou-os devagar, enquanto o outro puxava sua cintura para mais perto, ro\u00e7ando a boca na base de sua coluna. O primeiro ergueu Liesel no colo, e o segundo a segurou pelas coxas abertas. No ar, ela parecia flutuar \u2014 sustentada por bra\u00e7os fortes, envolta em calor e luz. Eles a tocaram como se fosse oferenda. Como se cada gemido fosse parte de uma ladainha profana. E Liesel se entregou. Liesel estava suspensa entre os dois corpos, como uma prece viva no altar do desejo. Os g\u00eameos a seguravam com naturalidade e devo\u00e7\u00e3o \u2014 um pela cintura, o outro pelas coxas \u2014 como se suas for\u00e7as tivessem sido moldadas apenas para aquela tarefa. O primeiro g\u00eameo, de olhos sombrios e intensos, ro\u00e7ava os l\u00e1bios pela pele da princesa, subindo da clav\u00edcula at\u00e9 o queixo, enquanto o outro, posicionado atr\u00e1s dela, mordiscava sua nuca com precis\u00e3o, fazendo seu corpo estremecer como corda tensa de violino. Selmara, sentada \u00e0 curta dist\u00e2ncia, observava em completo sil\u00eancio. Seus olhos refletiam a luz da esfera dourada entre os g\u00eameos, e seus dedos, agora discretamente entre as pernas, deslizavam em ritmo calmo \u2014 n\u00e3o por necessidade, mas por comunh\u00e3o. Liesel arfava, as pernas tr\u00eamulas, o corpo entregue sem resist\u00eancia. Um dos g\u00eameos se ajoelhou com ela no colo, deitando-a suavemente sobre o tapete de veludo. O outro ajoelhou-se ao lado, acariciando seu rosto com o dorso da m\u00e3o. A princesa teve seu desejo intenso ati\u00e7ado, as pernas se abriram,\u00a0 naturalmente, um convite instintivo e urgente. O primeiro g\u00eameo posicionou-se entre suas coxas e a penetrou de uma s\u00f3 vez \u2014 lento, profundo, absoluto. Liesel arqueou o corpo, soltando um gemido agudo que ecoou pela c\u00e2mara. O segundo g\u00eameo deitou-se atr\u00e1s dela, puxando-a levemente pela cintura, acariciando-lhe os seios enquanto sua boca explorava o pesco\u00e7o, depois a orelha, depois a curva do ombro. Selmara levantou-se do div\u00e3 e se aproximou sem pressa.. O g\u00eameo entre suas pernas aumentou o ritmo, com investidas ritmadas, firmes, ora lentas e profundas, ora r\u00e1pidas e desesperadas. O outro alternava entre beijos e palavras baixas ao ouvido de Liesel, como se conhecesse seus pensamentos antes dela. O suor escorria pelos corpos. O cheiro de incenso se misturava ao do sexo. As velas tremiam com os movimentos do sexo. Liesel sentia-se cheia, viva, como se cada cent\u00edmetro de seu corpo estivesse em ora\u00e7\u00e3o pelo prazer. Ent\u00e3o, sem aviso, o g\u00eameo de tr\u00e1s se aproximou mais. Deslizou um dedo por sua fenda, lambuzando-se nos pr\u00f3prios sucos dela, e guiou-se para a outra entrada. Quando a penetrou por tr\u00e1s, com firmeza e cuidado, Liesel gritou \u2014 mas n\u00e3o de dor. Era espanto. \u00caxtase. Ela jamais havia sido tocada assim, com tanta for\u00e7a e ao mesmo tempo com tanta rever\u00eancia. Dois homens. Dois ritmos. 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