{"id":732,"date":"2025-05-23T08:49:45","date_gmt":"2025-05-23T11:49:45","guid":{"rendered":"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/?p=732"},"modified":"2025-06-02T09:57:55","modified_gmt":"2025-06-02T12:57:55","slug":"mais-estranho-que-o-tesao-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/?p=732","title":{"rendered":"Mais estranho que o tes\u00e3o &#8211; Parte 2"},"content":{"rendered":"<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Julia respirou fundo, o conto do cunhado queimando na mente. N\u00e3o podia acontecer. N\u00e3o com Carlos. O cora\u00e7\u00e3o na garganta, j\u00e1 tramando como escapar daquele destino dos infernos.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Bom dia, Julia \u2014 disse Carlos, o chefe-cunhado \u2014 Eu vou precisar que hoje voc\u00ea fique at\u00e9 mais tarde.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Carlos, hoje n\u00e3o vai dar! \u2014 disse Julia, pegando suas coisas e correndo, fugindo daquele desfecho.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Ainda no elevador, Julia explorava o site de contos, buscando algum meio de contato com LuaVermelha. Dava pra mandar uma mensagem privada, mas vai saber quando e se ia ler.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Quando alcan\u00e7ou a rua, andou algumas quadras com receio de que algu\u00e9m no escrit\u00f3rio a visse. Sentou numa padaria, fu\u00e7ando no celular freneticamente. Achou finalmente, num dos contos mais antigos, um blog, bastante desatualizado&#8230; mas ali tinha um e-mail: luavermelha@pix.com.br.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">&#8220;LuaVermelha, eu me chamo Julia, eu existo. O que voc\u00ea escreve nos seus contos acontecem comigo na realidade. Pelo amor&#8230; muda o final do conto de hoje, eu imploro!&#8221;<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Pronto. Agora era esperar.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">O telefone tocou. Era Carlos. Ela ignorou. E ignorou as outras cinco vezes que voltou a ligar. At\u00e9 que recebeu uma mensagem de Carlos.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">&#8220;Julia, est\u00e1 tudo bem com voc\u00ea? A apresenta\u00e7\u00e3o para equipe do Rio \u00e9 hoje \u00e0s 14h, espero que n\u00e3o tenha esquecido. Todos contamos com voc\u00ea!&#8221;<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Ah meu Deus! Isso \u00e9 hoje! Tinha esquecido.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Julia pensou em alegar doen\u00e7a, se trancar em casa, jogar tudo pro alto. Mas aquela apresenta\u00e7\u00e3o era realmente importante, inclusive pra ela. Ia ter que voltar pro escrit\u00f3rio, quanto mais r\u00e1pida a apresenta\u00e7\u00e3o fosse, mais tempo ela teria para sair correndo dali e fugir da &#8220;profecia&#8221;.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Julia entrou no escrit\u00f3rio \u00e0s 13:55, o cora\u00e7\u00e3o batendo como um tambor. A sala de reuni\u00f5es j\u00e1 estava cheia, telas de PowerPoint abertas, e Carlos, de gravata vermelha e sorriso de &#8220;gal\u00e3&#8221;, acenou para ela com uma express\u00e3o que fez seu est\u00f4mago embrulhar.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Julia, salvou a p\u00e1tria! \u2014 ele anunciou, como se ela tivesse feito um favor pessoal.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Ela ignorou o coment\u00e1rio, conectou o laptop e iniciou a apresenta\u00e7\u00e3o, a voz tremendo levemente. Enquanto falava sobre gr\u00e1ficos e metas, os olhos de Carlos pareciam perfur\u00e1-la, deslizando da tela para seu decote, suas pernas, como se lesse o conto proibido em tempo real.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Julia olhou para Carlos, ele estava particularmente bonito hoje, e ela j\u00e1 tinha lido tantas hist\u00f3rias de cunhada e cunhado e a fantasia sempre lhe pareceu deliciosa, quem sabe&#8230; &#8220;N\u00e3o. N\u00e3o, Julia.&#8221; Pensou. &#8220;\u00c9 fazer essa apresenta\u00e7\u00e3o, pular slides assim que poss\u00edvel, 14h30 sair correndo.&#8221;<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Um bambamb\u00e3, diretor geral de Bras\u00edlia, tamb\u00e9m tinha vindo pro ato. Ele pegou o microfone e resolveu fazer um discurso, mostrando o quanto estava emocionado em ver as equipes de lugares diversos se unindo e&#8230; Julia pensou &#8220;Caralho&#8230; ele vai me atrasar.&#8221;<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">14h15, 14h30, 15h, 15h15&#8230; aquele desgra\u00e7ado n\u00e3o parava de falar.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Julia n\u00e3o prestava aten\u00e7\u00e3o, s\u00f3 olhava a hora avan\u00e7ando e atualizava o e-mail esperando alguma resposta de LuaVermelha&#8230; e bingo, novo e-mail. LuaVermelha respondeu. Talvez ali, naquela mensagem, estivesse a chave de todo o mist\u00e9rio, e principalmente um novo destino.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Ok, muito obrigado por suas palavras, senhor Ant\u00f4nio \u2014 disse Carlos tentando \u2014 Agora, Julia, vamos para apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Julia abriu o e-mail, mas n\u00e3o teve tempo de ler. Todos no audit\u00f3rio come\u00e7aram a aplaudir, e ela foi demandada a iniciar a apresenta\u00e7\u00e3o. Julia foi at\u00e9 o p\u00falpito com um sorriso amarelo. Precisava ler aquela mensagem. Carlos passou o microfone, havia uma certa eletricidade no ar, ele realmente parecia mais bonito hoje, se arrumou melhor para o evento, algo mais. Julia sabia o que era, na verdade, era o conto. Precisava mesmo saber a resposta de LuaVermelha, se a hist\u00f3ria n\u00e3o fosse alterada, &#8220;aquilo&#8221; iria acontecer.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Boa tarde a todos \u2014 Julia come\u00e7ou. \u2014 Gente, um minuto.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Ela n\u00e3o podia adiar. Precisava ler aquele e-mail:<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">&#8220;Hahaha&#8230; muito engra\u00e7ado. Eu gosto quando as leitoras se sentem mesmo dentro das minhas hist\u00f3rias. Eu posso escrever um conto personalizado pra voc\u00ea, \u00e9 s\u00f3 me enviar R$500 por pix.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Beijos,<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">LuaVermelha&#8221;<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Um turbilh\u00e3o de pensamentos passou pela cabe\u00e7a de Julia: &#8220;O que era aquilo? Zombaria? Conspira\u00e7\u00e3o? LuaVermelha estaria fazendo aquilo tudo de prop\u00f3sito? Mas por quinhentos reais?&#8221; Nada, nada fazia sentido.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">A apresenta\u00e7\u00e3o de uma hora foi feita em 15 minutos. A equipe do Rio achou que Julia era nervosa, talvez despreparada. Carlos e seus colegas sabiam como era ela, achavam que estava doente. Julia queria sair voando dali.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Ao final da apresenta\u00e7\u00e3o, Julia pegou as coisas e se preparou para ir embora sem olhar pra tr\u00e1s.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Julia! \u2014 gritou Carlos, a obrigando a olhar pra tr\u00e1s.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 O senhor Ant\u00f4nio quer tomar um caf\u00e9 conosco.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">O escrit\u00f3rio parecia pux\u00e1-la. N\u00e3o conseguia sair.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Tudo bem. Eu posso passar no banheiro antes? \u2014 Julia pediu, Carlos assentiu.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Era uma desculpa para responder \u00e0 mensagem de LuaVermelha:<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">&#8220;Olha, eu n\u00e3o sei como e nem porque voc\u00ea est\u00e1 fazendo isso. Mas preciso que mude a hist\u00f3ria o quanto antes. Quanto voc\u00ea quer para me encontrar ainda hoje? Espero que estejamos perto. \u00c9 urgente.&#8221;<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">LuaVermelha queria R$5000, que Julia topou pagar na hora. Marcaram num caf\u00e9 pr\u00f3ximo. Era pra l\u00e1 que Julia planejava correr.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Ao sair do banheiro, Carlos e Ant\u00f4nio a esperavam, ela seguiu firme em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00edda.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Julia! Julia!<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Julia&#8230; surtou:<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 \u00c9 minha vida! Eu quero ter controle sobre a minha vida! Eu n\u00e3o vou ficar aqui.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Todos olharam pra Julia, em choque.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Julia chegou a chamar o elevador, mas percebeu que o destino poderia pregar uma pe\u00e7a a prendendo no elevador e s\u00f3 a liberando depois do expediente e na hora crucial. Julia desceu os dez andares de escada e rumou firme e decidida para o caf\u00e9. Iria confrontar LuaVermelha.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">********************************<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Fernanda olhou para Julia chocada com o que estava ouvindo.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Eu n\u00e3o fazia ideia de nada disso \u2014 comentou Fernanda, vulgo LuaVermelha.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Fernanda era jovem, de 23 anos, muito bonita. Loira de olhos verdes. Pensava em putaria o dia inteiro e de l\u00e1 retirava as ideias pros seus contos. 80% inventados, 20% ela fez, ou conhecidos fizeram. De tudo o que Julia podia esperar era o mais inesperado poss\u00edvel, LuaVermelha era uma garota absolutamente comum, n\u00e3o tinha poderes, n\u00e3o era golpista.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Julia contou sua hist\u00f3ria, a rela\u00e7\u00e3o com o cunhado, com sua irm\u00e3, como se sentiu com os contos se tornando realidade.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Como isso est\u00e1 acontecendo? Achei que voc\u00ea era algum tipo de golpista? Ou algu\u00e9m do futuro? Ou bruxa?<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Eu realmente n\u00e3o fa\u00e7o ideia \u2014 disse Fernanda, ainda em choque.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Fernanda n\u00e3o era nada disso. Quando come\u00e7aram a conversa, ela achou que Julia realmente estava zoando. O pix de R$5000 e o desespero nos olhos a convenceram. Os contos que ela escrevia se tornavam reais na vida de Julia. Ela devolveu o pix, abriu o notebook.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Vou reescrever tudo, Julia \u2014 disse Fernanda. \u2014 Confia em mim.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Fernanda abriu o notebook, respirou fundo, pensou no que escreveria. S\u00f3 que sua mente sacana n\u00e3o conseguia pensar em nada que n\u00e3o fosse uma bela duma putaria. Aquilo tudo era uma hist\u00f3ria muito surreal e pedia por um bom final. Do meio pro fim do conto, ela foi escrevendo com um sorriso no rosto.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Julia olhava Fernanda trabalhando, dedos fren\u00e9ticos, mas agora aliviada. Seu destino ia mudar.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Terminei! \u2014 disse Fernanda. \u2014 Quer ler?<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Julia hesitou.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Quero sim!<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Julia come\u00e7ou a ler&#8230; seus olhos se arregalaram, sua boca ficou seca.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 VOC\u00ca \u00c9 DOIDA!!! \u2014 disse Julia, inconformada.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Eu sei, est\u00e1 uma del\u00edcia, n\u00e9?<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Eles est\u00e3o vindo pra c\u00e1?!<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Se tudo o que voc\u00ea falou for verdade, sim, est\u00e1 escrito.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel! N\u00e3o vai acontecer! VOC\u00ca \u00c9 COMPLETAMENTE MALUCA!<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Conto de Fernanda: &#8220;SURUBA NO CAF\u00c9 \u2014 Conheci uma amiga nova num caf\u00e9 perto do trabalho. Por uma incr\u00edvel coincid\u00eancia, enquanto convers\u00e1vamos, a irm\u00e3 e o cunhado dela entraram pela porta. Eles a reconheceram e vieram conversar conosco&#8230;&#8221;<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Julia largou o notebook, o cora\u00e7\u00e3o explodindo, a voz rasgando o caf\u00e9<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 VOC\u00ca \u00c9 DOIDA!!! S\u00c3O MINHA IRM\u00c3 E MEU CUNHADO!!!<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Fernanda caiu na gargalhada, os olhos verdes brilhando, as unhas vermelhas apontando o texto.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Calma, lindinha, l\u00ea at\u00e9 o final! T\u00e1 uma del\u00edcia!<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Julia tremia, o conto na tela queimando. A porta do caf\u00e9 tilintou, e Julia gelou.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Conto de Fernanda: \u201cO cunhado, um cara de gravata vermelha que se acha gal\u00e3, e a irm\u00e3, uma loira risonha, se sentaram com a gente. Ele perguntou, todo preocupado, se a amiga tava bem, mas seus olhos grudaram nos meus, verdes como esmeraldas. A irm\u00e3 tamb\u00e9m, com um sorrisinho safado. O flerte pegou fogo\u2026\u201d<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Carlos entrou, trope\u00e7ando no tapete, a gravata vermelha frouxa.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Julia?! \u2014 exclamou, confuso, ajeitando a camisa.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Clara vinha atr\u00e1s, rindo alto, a bolsa quicando no ombro, o cabelo loiro bagun\u00e7ado como se j\u00e1 tivesse tomado um drink.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Mana, c\u00ea t\u00e1 aqui?! \u2014 disse, abra\u00e7ando Julia.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Sentaram na mesa, e Carlos, com aquele tom de gal\u00e3 de novela, perguntou:<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Est\u00e1 tudo bem, Julia? Todo mundo no escrit\u00f3rio ficou preocupado.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Mas os olhos deslizaram pra Fernanda, fixos nos olhos verdes dela.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Nossa, que olhos lindos, menina! \u2014 Clara tamb\u00e9m, mordendo o l\u00e1bio, deu um sorrisinho.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Voc\u00eas tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o de jogar fora \u2014 Fernanda piscou, safada.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Julia sentiu o est\u00f4mago embrulhar. \u201cIsso \u00e9 o conto!\u201d pensou, o p\u00e2nico subindo. \u201cVou ter que transar com eles? Com a Clara? Com o Carlos?!\u201d Quis correr, mas o destino apertava, como no almoxarifado, no supermercado.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Conto de Fernanda: \u201cO clima esquentou, o cunhado ro\u00e7ando minha perna por baixo da mesa, a irm\u00e3 passando a m\u00e3o no meu bra\u00e7o. A amiga tava desesperada, achando que ia entrar na putaria com a fam\u00edlia, mas eu tinha outro plano. O barista, um moreno forte, tatuado, com cara de quem fode bem, se aproximou, e eu apontei: \u2018Esse \u00e9 pra voc\u00ea, lindinha.\u2019\u201d<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Fernanda riu, vendo o pavor de Julia.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Relaxa, l\u00ea o resto! \u2014 disse, enquanto Carlos, sem pudor, ro\u00e7ava o joelho na coxa dela sob a mesa.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Teu cabelo \u00e9 t\u00e3o macio! \u2014 Clara, rindo, passou os dedos pelo bra\u00e7o de Fernanda.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">O flerte pegava fogo, e Julia, suando. Fernanda apontou pro balc\u00e3o, onde o barista, um moreno alto, m\u00fasculos marcados na camiseta preta, tatuagens subindo pelo pesco\u00e7o, limpava uma x\u00edcara com um sorriso sacana.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Olha ele, lindinha \u2014 disse Fernanda, mostrando o texto. \u2014 Esse \u00e9 teu final feliz.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Conto de Fernanda: \u201cEnquanto o cunhado e a irm\u00e3 me puxaram pro canto, com m\u00e3os safadas e beijos quentes, o barista levou a amiga pro balc\u00e3o. Ele a prensou contra a m\u00e1quina de caf\u00e9, rasgou a saia com fome, e fodeu ela t\u00e3o gostoso que ela gritou alto o suficiente pra abafar a putaria dos outros tr\u00eas.\u201d<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">O ar no caf\u00e9 tornou-se denso, saturado de espresso, suor e desejo. Carlos e Clara arrastaram Fernanda para um canto, onde uma mesa pequena balan\u00e7ava sob o peso dos corpos. Carlos, a gravata jogada no ch\u00e3o, beijava o pesco\u00e7o de Fernanda, a m\u00e3o deslizando por sua cintura, enquanto tentava manter a pose de gal\u00e3 com um murm\u00fario rouco. Clara, os olhos brilhando de tes\u00e3o, puxava o cabelo loiro de Fernanda, desabotoando a blusa dela com dedos \u00e1geis, os seios livres sob a luz fraca do caf\u00e9.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Que del\u00edcia voc\u00ea \u00e9 \u2014 sussurrou Clara, a boca colando na de Fernanda, as l\u00ednguas se enroscando em um beijo faminto.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Copos tombavam, um bule de caf\u00e9 derramou, o l\u00edquido preto escorrendo pelo ch\u00e3o como tinta. Fernanda gemia alto, as m\u00e3os de Carlos explorando sua bunda, enquanto Clara mordia seu ombro, os tr\u00eas embolados, camisas rasgadas, risadas misturadas com suspiros. Cadeiras rangiam e o ch\u00e3o virava um caos de cacos e caf\u00e9.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Julia se entregou ao destino, o barista j\u00e1 estava ao seu lado, o calor do corpo dele a envolvendo. O cheiro de col\u00f4nia e caf\u00e9 a invadiu, e os olhos castanhos, profundos, a prenderam.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Quer um latte\u2026 ou eu? \u2014 perguntou, a voz grave.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Julia tremia. O barista a ergueu, as m\u00e3os firmes na cintura, e a prensou contra o balc\u00e3o, a m\u00e1quina de caf\u00e9 quente contra suas costas. A saia subiu, a calcinha rasgada caindo no ch\u00e3o pegajoso. Ele beijou seu pesco\u00e7o, os dentes ro\u00e7ando, e ela gemeu, as pernas cedendo. O barista abriu a cal\u00e7a, o pau duro ro\u00e7ando sua coxa, e entrou com for\u00e7a, cada estocada um impacto que fazia o balc\u00e3o tremer. X\u00edcaras tilintavam, o vapor da m\u00e1quina chiava. Julia agarrou os ombros dele, os m\u00fasculos tensos sob a camiseta, tatuagens de serpentes dan\u00e7ando sob seus dedos.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Me fode \u2014 sussurrou, rendida, o tes\u00e3o apagando o pavor.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Ele a virou, de bru\u00e7os no balc\u00e3o, a bunda exposta, e meteu mais fundo, o ritmo bruto, os gemidos dela ecoando. Julia gozou com um grito rouco, o corpo convulsionando, o prazer um apag\u00e3o que dissolvia tudo \u2014 Clara, Carlos, o medo. O barista gozou logo depois, o h\u00e1lito quente em seu ouvido.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">No canto, o trio atingia o \u00e1pice. Fernanda, sem blusa, cavalgava Carlos, que estava esparramado numa cadeira, o rosto derretendo em \u00eaxtase. Clara, de joelhos, lambia o pesco\u00e7o de Fernanda, as m\u00e3os voando entre os corpos.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">\u2014 Mais, mais! \u2014 gemia Clara.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Copos quebravam, o ch\u00e3o era um mar de caf\u00e9. Julia, ofegante, caiu numa cadeira, o barista ajeitando a cal\u00e7a. Clara e Fernanda se beijavam, compartilhando a porra de Carlos, os l\u00e1bios brilhando sob a luz do caf\u00e9.<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">********************************<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\">Fernanda terminou a noite na casa de Julia, safada que \u00e9, escreveu outras cenas quentes com a amiga rec\u00e9m-conhecida. Agora as hist\u00f3rias de LuaVermelha tinham ainda mais vida. Em algum momento, elas tamb\u00e9m pensaram em alguma explica\u00e7\u00e3o l\u00f3gica do porqu\u00ea aquilo acontecia, enquanto n\u00e3o encontravam explica\u00e7\u00e3o simplesmente se divertiam com os contos que se auto-realizavam. Mas quem sabe aquele conto ignorado por Julia poderia ter alguma chave? Quem sabe&#8230;?<\/p>\n<p data-original-attrs=\"{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}\"><a href=\"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/cGVn-2.webp\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-782 lazyload\" data-src=\"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/cGVn-2-205x300.webp\" alt=\"\" width=\"205\" height=\"300\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 205px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 205\/300;\" \/><\/a> <a href=\"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/cGVn-5.webp\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-783 size-medium lazyload\" data-src=\"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/cGVn-5-205x300.webp\" alt=\"\" width=\"205\" height=\"300\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 205px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 205\/300;\" \/><\/a> <a href=\"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/cGVn-3.webp\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-784 size-medium lazyload\" data-src=\"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/cGVn-3-205x300.webp\" alt=\"\" width=\"205\" height=\"300\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 205px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 205\/300;\" \/><\/a> <a href=\"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/cGVn-4.webp\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-785 size-medium lazyload\" data-src=\"https:\/\/castelosdaluxuria.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/cGVn-4-205x300.webp\" alt=\"\" width=\"205\" height=\"300\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 205px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 205\/300;\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Julia respirou fundo, o conto do cunhado queimando na mente. N\u00e3o podia acontecer. N\u00e3o com Carlos. O cora\u00e7\u00e3o na garganta, j\u00e1 tramando como escapar daquele destino dos infernos. \u2014 Bom dia, Julia \u2014 disse Carlos, o chefe-cunhado \u2014 Eu vou precisar que hoje voc\u00ea fique at\u00e9 mais tarde. \u2014 Carlos, hoje n\u00e3o vai dar! \u2014 disse Julia, pegando suas coisas e correndo, fugindo daquele desfecho. Ainda no elevador, Julia explorava o site de contos, buscando algum meio de contato com LuaVermelha. Dava pra mandar uma mensagem privada, mas vai saber quando e se ia ler. Quando alcan\u00e7ou a rua, andou algumas quadras com receio de que algu\u00e9m no escrit\u00f3rio a visse. Sentou numa padaria, fu\u00e7ando no celular freneticamente. Achou finalmente, num dos contos mais antigos, um blog, bastante desatualizado&#8230; mas ali tinha um e-mail: luavermelha@pix.com.br. &#8220;LuaVermelha, eu me chamo Julia, eu existo. O que voc\u00ea escreve nos seus contos acontecem comigo na realidade. Pelo amor&#8230; muda o final do conto de hoje, eu imploro!&#8221; Pronto. Agora era esperar. O telefone tocou. Era Carlos. Ela ignorou. E ignorou as outras cinco vezes que voltou a ligar. At\u00e9 que recebeu uma mensagem de Carlos. &#8220;Julia, est\u00e1 tudo bem com voc\u00ea? A apresenta\u00e7\u00e3o para equipe do Rio \u00e9 hoje \u00e0s 14h, espero que n\u00e3o tenha esquecido. Todos contamos com voc\u00ea!&#8221; \u2014 Ah meu Deus! Isso \u00e9 hoje! Tinha esquecido. Julia pensou em alegar doen\u00e7a, se trancar em casa, jogar tudo pro alto. Mas aquela apresenta\u00e7\u00e3o era realmente importante, inclusive pra ela. Ia ter que voltar pro escrit\u00f3rio, quanto mais r\u00e1pida a apresenta\u00e7\u00e3o fosse, mais tempo ela teria para sair correndo dali e fugir da &#8220;profecia&#8221;. Julia entrou no escrit\u00f3rio \u00e0s 13:55, o cora\u00e7\u00e3o batendo como um tambor. A sala de reuni\u00f5es j\u00e1 estava cheia, telas de PowerPoint abertas, e Carlos, de gravata vermelha e sorriso de &#8220;gal\u00e3&#8221;, acenou para ela com uma express\u00e3o que fez seu est\u00f4mago embrulhar. \u2014 Julia, salvou a p\u00e1tria! \u2014 ele anunciou, como se ela tivesse feito um favor pessoal. Ela ignorou o coment\u00e1rio, conectou o laptop e iniciou a apresenta\u00e7\u00e3o, a voz tremendo levemente. Enquanto falava sobre gr\u00e1ficos e metas, os olhos de Carlos pareciam perfur\u00e1-la, deslizando da tela para seu decote, suas pernas, como se lesse o conto proibido em tempo real. Julia olhou para Carlos, ele estava particularmente bonito hoje, e ela j\u00e1 tinha lido tantas hist\u00f3rias de cunhada e cunhado e a fantasia sempre lhe pareceu deliciosa, quem sabe&#8230; &#8220;N\u00e3o. N\u00e3o, Julia.&#8221; Pensou. &#8220;\u00c9 fazer essa apresenta\u00e7\u00e3o, pular slides assim que poss\u00edvel, 14h30 sair correndo.&#8221; Um bambamb\u00e3, diretor geral de Bras\u00edlia, tamb\u00e9m tinha vindo pro ato. Ele pegou o microfone e resolveu fazer um discurso, mostrando o quanto estava emocionado em ver as equipes de lugares diversos se unindo e&#8230; Julia pensou &#8220;Caralho&#8230; ele vai me atrasar.&#8221; 14h15, 14h30, 15h, 15h15&#8230; aquele desgra\u00e7ado n\u00e3o parava de falar. Julia n\u00e3o prestava aten\u00e7\u00e3o, s\u00f3 olhava a hora avan\u00e7ando e atualizava o e-mail esperando alguma resposta de LuaVermelha&#8230; e bingo, novo e-mail. LuaVermelha respondeu. Talvez ali, naquela mensagem, estivesse a chave de todo o mist\u00e9rio, e principalmente um novo destino. \u2014 Ok, muito obrigado por suas palavras, senhor Ant\u00f4nio \u2014 disse Carlos tentando \u2014 Agora, Julia, vamos para apresenta\u00e7\u00e3o. Julia abriu o e-mail, mas n\u00e3o teve tempo de ler. Todos no audit\u00f3rio come\u00e7aram a aplaudir, e ela foi demandada a iniciar a apresenta\u00e7\u00e3o. Julia foi at\u00e9 o p\u00falpito com um sorriso amarelo. Precisava ler aquela mensagem. Carlos passou o microfone, havia uma certa eletricidade no ar, ele realmente parecia mais bonito hoje, se arrumou melhor para o evento, algo mais. Julia sabia o que era, na verdade, era o conto. Precisava mesmo saber a resposta de LuaVermelha, se a hist\u00f3ria n\u00e3o fosse alterada, &#8220;aquilo&#8221; iria acontecer. \u2014 Boa tarde a todos \u2014 Julia come\u00e7ou. \u2014 Gente, um minuto. Ela n\u00e3o podia adiar. Precisava ler aquele e-mail: &#8220;Hahaha&#8230; muito engra\u00e7ado. Eu gosto quando as leitoras se sentem mesmo dentro das minhas hist\u00f3rias. Eu posso escrever um conto personalizado pra voc\u00ea, \u00e9 s\u00f3 me enviar R$500 por pix. Beijos, LuaVermelha&#8221; Um turbilh\u00e3o de pensamentos passou pela cabe\u00e7a de Julia: &#8220;O que era aquilo? Zombaria? Conspira\u00e7\u00e3o? LuaVermelha estaria fazendo aquilo tudo de prop\u00f3sito? Mas por quinhentos reais?&#8221; Nada, nada fazia sentido. A apresenta\u00e7\u00e3o de uma hora foi feita em 15 minutos. A equipe do Rio achou que Julia era nervosa, talvez despreparada. Carlos e seus colegas sabiam como era ela, achavam que estava doente. Julia queria sair voando dali. Ao final da apresenta\u00e7\u00e3o, Julia pegou as coisas e se preparou para ir embora sem olhar pra tr\u00e1s. \u2014 Julia! \u2014 gritou Carlos, a obrigando a olhar pra tr\u00e1s. \u2014 O senhor Ant\u00f4nio quer tomar um caf\u00e9 conosco. O escrit\u00f3rio parecia pux\u00e1-la. N\u00e3o conseguia sair. \u2014 Tudo bem. Eu posso passar no banheiro antes? \u2014 Julia pediu, Carlos assentiu. Era uma desculpa para responder \u00e0 mensagem de LuaVermelha: &#8220;Olha, eu n\u00e3o sei como e nem porque voc\u00ea est\u00e1 fazendo isso. Mas preciso que mude a hist\u00f3ria o quanto antes. Quanto voc\u00ea quer para me encontrar ainda hoje? Espero que estejamos perto. \u00c9 urgente.&#8221; LuaVermelha queria R$5000, que Julia topou pagar na hora. Marcaram num caf\u00e9 pr\u00f3ximo. Era pra l\u00e1 que Julia planejava correr. Ao sair do banheiro, Carlos e Ant\u00f4nio a esperavam, ela seguiu firme em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00edda. \u2014 Julia! Julia! Julia&#8230; surtou: \u2014 \u00c9 minha vida! Eu quero ter controle sobre a minha vida! Eu n\u00e3o vou ficar aqui. Todos olharam pra Julia, em choque. Julia chegou a chamar o elevador, mas percebeu que o destino poderia pregar uma pe\u00e7a a prendendo no elevador e s\u00f3 a liberando depois do expediente e na hora crucial. Julia desceu os dez andares de escada e rumou firme e decidida para o caf\u00e9. Iria confrontar LuaVermelha. ******************************** Fernanda olhou para Julia chocada com o que estava ouvindo. \u2014 Eu n\u00e3o fazia ideia de nada disso \u2014 comentou Fernanda, vulgo LuaVermelha. Fernanda era jovem, de 23 anos, muito bonita. Loira de olhos verdes. Pensava em putaria o dia inteiro e de l\u00e1 retirava as ideias pros seus contos. 80% inventados, 20% ela fez, ou conhecidos fizeram. De tudo o que Julia podia esperar era o mais inesperado poss\u00edvel, LuaVermelha era uma garota absolutamente comum, n\u00e3o tinha poderes, n\u00e3o era golpista. Julia contou sua hist\u00f3ria, a rela\u00e7\u00e3o com o cunhado, com sua irm\u00e3, como se sentiu com os contos se tornando realidade. \u2014 Como isso est\u00e1 acontecendo? Achei que voc\u00ea era algum tipo de golpista? Ou algu\u00e9m do futuro? Ou bruxa? \u2014 Eu realmente n\u00e3o fa\u00e7o ideia \u2014 disse Fernanda, ainda em choque. Fernanda n\u00e3o era nada disso. Quando come\u00e7aram a conversa, ela achou que Julia realmente estava zoando. O pix de R$5000 e o desespero nos olhos a convenceram. Os contos que ela escrevia se tornavam reais na vida de Julia. Ela devolveu o pix, abriu o notebook. \u2014 Vou reescrever tudo, Julia \u2014 disse Fernanda. \u2014 Confia em mim. Fernanda abriu o notebook, respirou fundo, pensou no que escreveria. S\u00f3 que sua mente sacana n\u00e3o conseguia pensar em nada que n\u00e3o fosse uma bela duma putaria. Aquilo tudo era uma hist\u00f3ria muito surreal e pedia por um bom final. Do meio pro fim do conto, ela foi escrevendo com um sorriso no rosto. Julia olhava Fernanda trabalhando, dedos fren\u00e9ticos, mas agora aliviada. Seu destino ia mudar. \u2014 Terminei! \u2014 disse Fernanda. \u2014 Quer ler? Julia hesitou. \u2014 Quero sim! Julia come\u00e7ou a ler&#8230; seus olhos se arregalaram, sua boca ficou seca. \u2014 VOC\u00ca \u00c9 DOIDA!!! \u2014 disse Julia, inconformada. \u2014 Eu sei, est\u00e1 uma del\u00edcia, n\u00e9? \u2014 Eles est\u00e3o vindo pra c\u00e1?! \u2014 Se tudo o que voc\u00ea falou for verdade, sim, est\u00e1 escrito. \u2014 N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel! N\u00e3o vai acontecer! VOC\u00ca \u00c9 COMPLETAMENTE MALUCA! Conto de Fernanda: &#8220;SURUBA NO CAF\u00c9 \u2014 Conheci uma amiga nova num caf\u00e9 perto do trabalho. Por uma incr\u00edvel coincid\u00eancia, enquanto convers\u00e1vamos, a irm\u00e3 e o cunhado dela entraram pela porta. Eles a reconheceram e vieram conversar conosco&#8230;&#8221; Julia largou o notebook, o cora\u00e7\u00e3o explodindo, a voz rasgando o caf\u00e9 \u2014 VOC\u00ca \u00c9 DOIDA!!! S\u00c3O MINHA IRM\u00c3 E MEU CUNHADO!!! Fernanda caiu na gargalhada, os olhos verdes brilhando, as unhas vermelhas apontando o texto. \u2014 Calma, lindinha, l\u00ea at\u00e9 o final! T\u00e1 uma del\u00edcia! Julia tremia, o conto na tela queimando. A porta do caf\u00e9 tilintou, e Julia gelou. Conto de Fernanda: \u201cO cunhado, um cara de gravata vermelha que se acha gal\u00e3, e a irm\u00e3, uma loira risonha, se sentaram com a gente. Ele perguntou, todo preocupado, se a amiga tava bem, mas seus olhos grudaram nos meus, verdes como esmeraldas. A irm\u00e3 tamb\u00e9m, com um sorrisinho safado. O flerte pegou fogo\u2026\u201d Carlos entrou, trope\u00e7ando no tapete, a gravata vermelha frouxa. \u2014 Julia?! \u2014 exclamou, confuso, ajeitando a camisa. Clara vinha atr\u00e1s, rindo alto, a bolsa quicando no ombro, o cabelo loiro bagun\u00e7ado como se j\u00e1 tivesse tomado um drink. \u2014 Mana, c\u00ea t\u00e1 aqui?! \u2014 disse, abra\u00e7ando Julia. Sentaram na mesa, e Carlos, com aquele tom de gal\u00e3 de novela, perguntou: \u2014 Est\u00e1 tudo bem, Julia? Todo mundo no escrit\u00f3rio ficou preocupado. Mas os olhos deslizaram pra Fernanda, fixos nos olhos verdes dela. \u2014 Nossa, que olhos lindos, menina! \u2014 Clara tamb\u00e9m, mordendo o l\u00e1bio, deu um sorrisinho. \u2014 Voc\u00eas tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o de jogar fora \u2014 Fernanda piscou, safada. Julia sentiu o est\u00f4mago embrulhar. \u201cIsso \u00e9 o conto!\u201d pensou, o p\u00e2nico subindo. \u201cVou ter que transar com eles? Com a Clara? Com o Carlos?!\u201d Quis correr, mas o destino apertava, como no almoxarifado, no supermercado. Conto de Fernanda: \u201cO clima esquentou, o cunhado ro\u00e7ando minha perna por baixo da mesa, a irm\u00e3 passando a m\u00e3o no meu bra\u00e7o. A amiga tava desesperada, achando que ia entrar na putaria com a fam\u00edlia, mas eu tinha outro plano. O barista, um moreno forte, tatuado, com cara de quem fode bem, se aproximou, e eu apontei: \u2018Esse \u00e9 pra voc\u00ea, lindinha.\u2019\u201d Fernanda riu, vendo o pavor de Julia. \u2014 Relaxa, l\u00ea o resto! \u2014 disse, enquanto Carlos, sem pudor, ro\u00e7ava o joelho na coxa dela sob a mesa. \u2014 Teu cabelo \u00e9 t\u00e3o macio! \u2014 Clara, rindo, passou os dedos pelo bra\u00e7o de Fernanda. O flerte pegava fogo, e Julia, suando. Fernanda apontou pro balc\u00e3o, onde o barista, um moreno alto, m\u00fasculos marcados na camiseta preta, tatuagens subindo pelo pesco\u00e7o, limpava uma x\u00edcara com um sorriso sacana. \u2014 Olha ele, lindinha \u2014 disse Fernanda, mostrando o texto. \u2014 Esse \u00e9 teu final feliz. Conto de Fernanda: \u201cEnquanto o cunhado e a irm\u00e3 me puxaram pro canto, com m\u00e3os safadas e beijos quentes, o barista levou a amiga pro balc\u00e3o. Ele a prensou contra a m\u00e1quina de caf\u00e9, rasgou a saia com fome, e fodeu ela t\u00e3o gostoso que ela gritou alto o suficiente pra abafar a putaria dos outros tr\u00eas.\u201d O ar no caf\u00e9 tornou-se denso, saturado de espresso, suor e desejo. Carlos e Clara arrastaram Fernanda para um canto, onde uma mesa pequena balan\u00e7ava sob o peso dos corpos. Carlos, a gravata jogada no ch\u00e3o, beijava o pesco\u00e7o de Fernanda, a m\u00e3o deslizando por sua cintura, enquanto tentava manter a pose de gal\u00e3 com um murm\u00fario rouco. Clara, os olhos brilhando de tes\u00e3o, puxava o cabelo loiro de Fernanda, desabotoando a blusa dela com dedos \u00e1geis, os seios livres sob a luz fraca do caf\u00e9. \u2014 Que del\u00edcia voc\u00ea \u00e9 \u2014 sussurrou Clara, a boca colando na de Fernanda, as l\u00ednguas se enroscando em um beijo faminto. Copos tombavam, um bule de caf\u00e9 derramou, o l\u00edquido preto escorrendo pelo ch\u00e3o como tinta. Fernanda gemia alto, as m\u00e3os de Carlos explorando sua bunda, enquanto Clara mordia seu ombro, os tr\u00eas embolados, camisas rasgadas, risadas misturadas com suspiros. Cadeiras rangiam e o ch\u00e3o virava um caos de cacos e caf\u00e9. Julia se entregou ao destino, o barista j\u00e1 estava ao seu lado, o calor do corpo dele a envolvendo. O cheiro de col\u00f4nia e caf\u00e9 a invadiu, e os olhos castanhos, profundos, a prenderam. \u2014 Quer um latte\u2026 ou eu? \u2014 perguntou, a voz grave. Julia tremia. 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